Cuidados Respiratórios Neonatais e Suporte Não Invasivo: Guia Prático

Principais pontos

  • A instilação de soro fisiológico de rotina na aspiração endotraqueal NÃO é recomendada, pois desestabiliza o surfactante, mobiliza bactérias para o trato respiratório inferior e prolonga a desaturação.
  • O Sistema Fechado (CSU) de aspiração preserva a PEEP e a capacidade residual funcional, reduz episódios de bradicardia e diminui o risco de infecção respiratória, com passes de 5 a 10 segundos (máximo 15s) e pressão de vácuo de 80 a 100 mmHg.
  • Alternar prongas e máscaras do CPAP nasal a cada 4-12 horas reduz a lesão septal em até 60%, e os gases devem ser condicionados a 37°C com 100% de umidade relativa (44 mg H2O/L).
  • Os critérios de prontidão para extubação incluem gasometria estável (pH>7,25, PaCO2 45-55 mmHg), parâmetros ventilatórios baixos (MAP ≤7-8 cmH2O, FiO2 ≤0,30, PIP ≤16-18 cmH2O, FR ≤20 bpm) e transição imediata para nCPAP (6-8 cmH2O) ou VNI para prevenir atelectasia pós-extubação.
  • O mnemônico DOPE (Displacement, Obstruction, Pneumothorax, Equipment) orienta a investigação beira-leito da deterioração respiratória súbita em neonatos intubados.

Referências

  • European Consensus Guidelines on the Management of Respiratory Distress Syndrome: 2022 Update. Neonatology, 2023;120(1):3-23.
  • AARC Clinical Practice Guideline: Endotracheal Suctioning of Mechanically Ventilated Patients With Artificial Airways. Respiratory Care, 2022;67(2):240-253.
  • Sweet DG, et al. European Consensus Guidelines on the Management of RDS in Preterm Infants. BMC Pediatrics, 2022.
  • Goldsworthy S, et al. Neonatal Non-Invasive Respiratory Support and Nasal Interface Rotation Protocols. J Perinat Neonatal Nurs, 2021;35(3):210-218.
  • AAP & AHA. Neonatal Resuscitation Program (NRP) 8th Edition Textbook, 2021.
  • Restrepo RD, et al. AARC Clinical Practice Guideline: Aerosol Drug Delivery in Neonatal and Pediatric Patients. Respir Care, 2020;65(4):550-566.
Capa do infográfico sobre cuidados respiratórios neonatais e suporte não invasivo, mostrando recém-nascido intubado em unidade de terapia intensiva neonatal.

CUIDADOS RESPIRATÓRIOS NEONATAIS E SUPORTE NÃO INVASIVO

1. Interfaces de Suporte Respiratório Não Invasivo e Indicações Clínicas

Tabela comparativa de interfaces de suporte respiratório não invasivo neonatal, incluindo CPAP nasal, cânula nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva e máscara laríngea.
InterfaceIndicações PrimáriasParâmetros OperacionaisVantagens FisiológicasCuidados e Prevenção de Lesões
CPAP Nasal (nCPAP)SDR do prematuro, apneia da prematuridade, pós-extubação.PEEP: 5 – 8cmH2O
Fluxo: 6 – 10L/min
FiO2: Titular SpO2 alvo.
Mantém capacidade residual funcional (CRF), previne colapso alveolar e reduz trabalho respiratório.Alternar prongas e máscaras a cada 4 – 12h. Usar placas de barreira (hidrocoloide). Evitar pressão no septo.
Cânula Nasal de Alto Fluxo (HHHFNC)Alternativa ao CPAP em RNPT >28 sem, desmame de CPAP, pós-extubação.Fluxo: 2 – 8 L/min
Temp: 37 °C (100% UR)
Diâmetro prong: ≤ 50% da narina
Lava espaço morto nasofaríngeo, melhora complacência e oferece alto conforto ao paciente.Obrigatoriamente deixar folga na narina (>50% livre) para evitar aprisionamento de pressão.
Ventilação Não Invasiva (VNI / NIPPV)Falha de nCPAP, apneias graves, pós-extubação de alto risco.PIP: 15–25 cmH2O
PEEP: 5–7 cmH2O
FR: 20–40 bpm
Ti: 0,35–0,5s
Sincronização opcional (SNIPPV); melhora recrutamento alveolar e reduz taxa de reintubação.Monitorar distensão gástrica (sonda orogástrica aberta). Vigilância constante do septo nasal.
Máscara Laríngea (LMA)RN >2.000g (>34–35 sem) em falha de intubação/ventilação ou via aérea difícil.Tamanho 1 (até 5 kg) Pressão de selo: <20 cmH2O Conexão direta ao reanimador/VMEDispositivo supraglótico de inserção rápida sem laringoscopia; resgate em Pierre Robin.Não protege totalmente contra aspiração gástrica. Não recomendada para prematuros <1.500g.

Proteção Septal e Umidificação de Gases:

  • Alternância de Interface: Rotacionar entre prongs e máscaras a cada 4–12 horas reduz lesão septal em até 60%.
  • Condicionamento Térmico: Gases devem atingir a interface a 37 °C com 100% de umidade relativa (44 mg H2O/L).

2. Manejo de Via Aérea, Equipamentos e Protocolos de Intubação

Tabela com dados de tamanho de tubo orotraqueal, lâmina de laringoscópio e profundidade de inserção conforme peso e idade gestacional, além de comparação entre reanimadores manuais.
Peso / IGTOT (mm ID)Lâmina LaringoProfundidade do TOT (Lábio)Confirmação do Posicionamento
< 1.000 g (< 28 sem)2,5 mm (sem cuff)Miller 00Peso (kg) + 6 cm (ex: 0,8 kg = 6,8 cm)Ausculta simétrica, expansão torácica, EtCO2 e Rx.
1.000 – 2.000 g (28–34 sem)3,0 mm (sem cuff)Miller 07,0 – 8,0 cm no lábio superiorPonta do TOT posicionada entre T1 e T2 (acima da carina).
2.000 – 3.000 g (34–38 sem)3,5 mm (sem cuff)Miller 0 ou 18,0 – 9,0 cm no lábio superiorConfirmar ausência de intubação seletiva em brônquio direito.
> 3.000 g (> 38 sem)3,5 – 4,0 mmMiller 1> 9,0 cm no lábio superiorMonitorar vazamento peri-tubo e pressão de pico.
Reanimador ManualControle de PressãoOferta de FiO2 / PEEPConsiderações Clínicas de Cabeceira
T-Piece (Neopuff / Resuscitaire)Controle preciso de PIP e PEEP.FiO2 de 21% a 100%. PEEP constante.Padrão-ouro na sala de parto. Previne barotrauma/volutrauma.
Balão Autoinflável (Ambu)Válvula pop-off em 35–40 cmH2O.Exige reservatório para FiO2 >90%. Sem PEEP.Prático no transporte. Risco de pico inadvertido de pressão.
Balão Anestésico (Fluxo)Ajuste na válvula de fluxo.100% FiO2 e PEEP ajustável.Exige operador experiente. Risco de colapso ou hiperinsuflação.

3. Protocolo de Aspiração Endotraqueal e Sistemas Fechados (CSU)

Tabela de parâmetros de aspiração endotraqueal por diâmetro do tubo, incluindo calibre do cateter, pressão de vácuo e recomendações sobre sistemas fechados.
Diâmetro TOTCalibre CateterPressão VácuoTécnica e ProfundidadeRecomendações e Restrições
TOT 2,5 mm ID5 Fr ou 6 Fr80 a 100 mmHgSuperficial: Medir TOT + adaptador + 1 cm.NÃO instilar soro fisiológico de rotina. Causa infecção.
TOT 3,0 mm ID6 Fr ou 8 Fr80 a 100 mmHgInserir cateter até o limite pré-medido.Duração do passe: 5 a 10 segundos (máx 15s).
TOT 3,5 mm ID8 Fr80 a 100 mmHgSistema Fechado (CSU): Mantém PEEP e CRF.Hiperoxigenação pré/pós (+10 – 20% FiO2) se houver desaturação.
TOT 4,0 mm ID8 Fr ou 10 Fr80 a 100 mmHgAvaliar necessidade por sinais clínicos.Evitar aspiração de rotina por horário fixo.

Evidências Clínicas em Aspiração Endotraqueal Neonatal:

  • Instilação de Solução Salina: desestabiliza o surfactante, mobiliza bactérias para o trato inferior e prolonga a desaturação.
  • Sistema Fechado (CSU): preserva a PEEP, reduz episódios de bradicardia e diminui o risco de infecção respiratória.

Aplicativo: Profundidade de Inserção e Diâmetro da Cânula Traqueal

Capturas de tela do aplicativo Neofast mostrando a calculadora de profundidade de inserção e diâmetro da cânula traqueal conforme idade gestacional, com exemplo para 32 semanas.

Tela do aplicativo Neofast – seção Procedimentos, com destaque para a ferramenta “Profundidade de inserção e diâmetro da cânula traqueal conforme idade gestacional”.

  • Campo de entrada: Idade gestacional ao nascer – SEMANAS (exemplo preenchido: 32)

Resultados

Marca no lábio superior (cm)7cm
Diâmetro interno da cânula traqueal (mm)3mm
Lâmina reta (No.)0 No.
Sonda traqueal (F)6 / 8 F

Nota: os valores apresentados são estimados e podem variar de acordo com o peso e não apenas com a IG.

4. Terapia de Reposição de Surfactante Pulmonar e Técnicas Menos Invasivas

Tabela com formulações de surfactante pulmonar, doses iniciais e subsequentes, métodos de administração e cuidados pós-administração, incluindo explicação da técnica LISA.
FormulaçãoDose InicialDoses SubsequentesMétodo de AdministraçãoCuidados Pós-Administração
Poractanto Alfa (Curosurf Porcino)200 mg/kg (2,5 mL/kg)100 mg/kg (1,25 mL/kg) a cada 12h se FiO2 >30%.LISA / MIST (cateter fino em CPAP) ou InSuRE.PAUSAR ASPIRAÇÃO por 1 a 6 horas pós-infusão (salvo obstrução).
Beractante (Survanta Bovino)100 mg/kg (4 mL/kg)100 mg/kg a cada 6h (máximo 4 doses).Instilação endotraqueal por sonda em 4 alíquotas.Ajustar parâmetros ventilatórios rapidamente pós-melhora da complacência.
Calfactante (Infasurf Bovino)100 mg/kg (3 mL/kg)100 mg/kg a cada 12h (máximo 3 doses).Instilação em bolus lento via adaptador lateral.Monitorização contínua de SpO2, FC e curva de pressão.

Técnica LISA (Less Invasive Surfactant Administration):

Introdução de cateter fino na traqueia sob laringoscopia em RN mantido em CPAP nasal em respiração espontânea. Evita intubação tradicional, reduzindo o risco de Displasia Broncopulmonar (DBP).

Aplicativo: Cálculo de Dose de Surfactantes

Capturas de tela do aplicativo Neofast mostrando a lista de surfactantes disponíveis (Alfaporactanto, Beractanto, Calfactante, Lucinactant) e os campos de peso e dose desejada para cálculo.

Tela do aplicativo Neofast – seção Medicamentos.

Surfactantes mais comuns disponíveis no app:

  • Alfaporactanto (Curosurf®) – surfactante
  • Beractanto (Survanta®) – surfactante
  • Calfactante (Infasurf®) – surfactante
  • Lucinactant (Surfaxin®) – surfactante

Exemplo de resultado para Calfactante (Infasurf®):

Dose6mL
Fosfolipídios210mg
IntervaloACM

Nota: pode ser repetido a cada 12 horas até um total de 3 doses. Para prematuros com menos de 29 semanas de idade gestacional Infasurf® deve ser administrado de preferência até 30 minutos após o nascimento. Para terapia de resgate, administre de preferência até 2 horas após o nascimento.

Exemplo de tela para Lucinactant (Surfaxin®): campos “TOT”, “30mg/mL”, “Peso (Kg)” e “Dose desejada (mL/kg/dose)”, com botão “Informações adicionais – Referências bibliográficas”.

Preencha o peso e a dose sugerida aparecerá!

Atenção: as informações apresentadas neste aplicativo são extraídas de referências bibliográficas e têm caráter informativo. O médico é o único responsável pela prescrição, administração e ajustes necessários. Este aplicativo não substitui guidelines médicos ou o julgamento clínico.

Aplicativo: Comparação de Doses de Surfactante

Capturas de tela do aplicativo Neofast comparando o cálculo de dose de Alfaporactanto (Curosurf) e Calfactante (Infasurf) para um recém-nascido de 2 kg, com doses sugeridas alinhadas a referências internacionais.

Alfaporactanto (Curosurf®) – surfactante

TOT – 80mg/mL Suspensão

  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mL/kg/dose): 2,5

Dose inicial: 2,5mL/kg/dose

Dose5mL
IntervaloACM

Nota: para terapia de resgate, administrar o mais rápido possível, de preferência dentro de 2 horas após o nascimento. Para terapia profilática, administrar após a reanimação inicial, dentro de 10 a 30 minutos após o nascimento. Se necessário, pode administrar até 2 doses subsequentes de 1,25 mL/kg/dose (100 mg/kg/dose) a cada 12 horas. Dose máxima total (soma de todas as doses): 5mL/kg ou 400mg/kg.

Calfactante (Infasurf®) – surfactante

TOT – 35mg de fosfolipídios/mL

  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mL/kg/dose): 3

Dose sugerida: 3mL/kg/dose

Dose6mL
Fosfolipídios210mg
IntervaloACM

Nota: pode ser repetido a cada 12 horas até um total de 3 doses. Para prematuros com menos de 29 semanas de idade gestacional Infasurf® deve ser administrado de preferência até 30 minutos após o nascimento. Para terapia de resgate, administre de preferência até 2 horas após o nascimento.

A dose sugerida está alinhada com referências internacionais.

Cálculo de Dose – Beractanto (Survanta®)

Tela do aplicativo Neofast mostrando o cálculo de dose de Beractanto (Survanta) surfactante via TOT, com peso de 2kg e dose desejada de 100mg/kg/dose, resultando em dose sugerida de 100mg/kg/dose, 200mg e 8mL.

Medicamentos – Calculadora de Dose

Beractanto (Survanta®) – surfactante

  • Via: TOT
  • Concentração: 25mg/mL
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mg/kg/dose): 100

Dose sugerida: 100mg/kg/dose

Beractanto (Survanta®) – surfactante
TOT – 25mg/mL
Dose200mg
Dose8mL

Informações adicionais
Referências bibliográficas

Atenção: as informações apresentadas neste aplicativo são extraídas de referências bibliográficas e têm caráter informativo. O médico é o único responsável pela prescrição, administração e ajustes necessários. Este aplicativo não…

5. Sistemas de Aerossolterapia em Ventilação Neonatal

Tabela comparando três dispositivos geradores de aerossol em ventilação neonatal: malha vibratória, nebulizador a jato e inalador dosimetrado, com eficiência de deposição, impacto ventilatório, posicionamento no circuito e indicações fármaco-clínicas.

5. Sistemas de Aerossolterapia em Ventilação Neonatal

Dispositivo GeradorEficiência DeposiçãoImpacto VentilatórioPosicionamento CircuitoIndicações Fármaco-Clínicas
Malha Vibratória (VMN / Aerogen)Alta (10 – 15%)NENHUM. Não adiciona fluxo; preserva V_T e PEEP.Ramo inspiratório junto ao Y ou conector CPAP.Salbutamol, Budesonida, Solução Hipertônica 3%.
Nebulizador a JatoBaixa (<1 – 3%)ALTO IMPACTO. Requer +6−8 L/min; altera FiO2 e PIP.Ramo inspiratório (exige compensação de fluxo).Uso restrito devido ao risco de barotrauma.
Inalador Dosimetrado (pMDI)Moderada (1−5%)Mínimo impacto na mecânica ventilatória.Ramo inspiratório via espaçador neonatal.Broncodilatação no desmame e DBP.

Malha Vibratória (VMN / Aerogen) – Montagem no Circuito

Fotografias mostrando a montagem de um nebulizador de malha vibratória Aerogen com o dispositivo AiroCU Max+ e sua conexão no circuito de ventilação próxima ao paciente.

Malha Vibratória (VMN / Aerogen)

  • Fotografia do reservatório do nebulizador de malha vibratória com escala de graduação (10ml Max, 8ml, 6ml, 4ml, 2ml).
  • Fotografia do controlador AiriCU Max+ exibindo tela com opções: Mode, Neb Time, Settings, Return, Level 15, Cont, L1.
  • Fotografia da montagem completa no circuito de ventilação, com destaque para a conexão para o paciente.

6. Fisioterapia Respiratória e Solução de Problemas

Tabela sobre fisioterapia respiratória neonatal com indicações e contraindicações, seguida do mnemônico DOPE para deterioração respiratória à beira leito com hipóteses diagnósticas, sinais de alerta e condutas de emergência.

6. Fisioterapia Respiratória e Solução de Problemas

Intervenção / TécnicaIndicações ClínicasRiscos e ContraindicaçõesRecomendações Práticas
Posicionamento Prona / ElevadoMelhora relação V/Q e CRF, reduz refluxo.Risco de extubação acidental se TOT mal fixado.Cabeceira elevada 15−30°. Alternar decúbito a cada 3−4h.
Fisioterapia ConvencionalAtelectasia lobar com secreção retida.CONTRAINDICADA em RNPT <30 sem. Risco de HIV.Evitar tapotagem. Usar vibração suave e posicionamento.

Mnemônico de Emergência DOPE para Deterioração respiratória Beira Leito:

Letra / CausaHipótese DiagnósticaSinais de Alerta no Beira LeitoConduta Imediata de Emergência
D – Displacement (Deslocamento)Extubação ou intubação seletiva (brônquio direito).Queda de SpO2, bradicardia, murmúrio assimétrico, vocalização.Verificar marcação do lábio, auscultar axilas, checar EtCO2.
O – Obstruction (Obstrução)Rolha de secreção espessa, sangue ou dobra do TOT.Elevação da PIP, queda do volume corrente, tórax rígido.Aspirar cateter superficial. Se não passar, substituir TOT.
P – Pneumothorax (Pneumotórax)Síndrome de escape de ar pleural.Assimetria torácica, transiluminação (+), hipotensão.Transiluminação imediata. Executar descompressão por agulha.
E – Equipment (Falha Equipamento)Desconexão, falta de gás ou falha no ventilador.Alarmes contínuos, ausência de ciclagem, água no circuito.Ventilar manualmente com T-Piece/Ambu a 100% de O2.

7. Critérios Clínicos para Extubação e Transição Não Invasiva

Página listando critérios de prontidão para extubação em recém-nascidos prematuros, incluindo gasometria, parâmetros ventilatórios, drive respiratório e suporte não invasivo, com prints do aplicativo Neofast sobre monitorização respiratória e hemodinâmica.

7. Critérios Clínicos para Extubação e Transição Não Invasiva

Critérios de Prontidão para Extubação no Recém-Nascido Prematuro:

  • Gasometria Estável: pH > 7,25, PaCO2 de 45−55 mmHg, PaO2 de 50−70 mmHg (SpO2 dentro da meta alvo).
  • Parâmetros Ventilatórios Baixos: MAP ≤ 7−8 cmH2O, FiO2 ≤ 0,30, PIP ≤ 16−18 cmH2O, FR ≤ 20 bpm.
  • Drive Respiratório: Presença de esforço respiratório espontâneo regular e vigoroso.
  • Suporte Não Invasivo: Transicionar imediatamente para nCPAP (6−8 cmH2O) ou VNI para prevenir atelectasia pós-extubação.

Menu do aplicativo Neofast com opções: Hidratação Venosa, Medicação Contínua, Medicamentos, Intubação, Outros cálculos e escores, Procedimentos, Monitorização respiratória e hemodinâmica, Crescimento e Desenvolvimento.

Tela de Monitorização respiratória e hemodinâmica com busca, incluindo: Metas clínicas e monitorização (PaO2 · SpO2 · pH · PaCO2 · IO); Parâmetros iniciais de ventilação (Por modo ventilatório); Estratégias por patologia (SDR · SAM · CDH · DBP · HPPN); Desmame e extubação (Prontidão · TRE · VNI · falha); Recentes: Diferença Arteriovenosa de Oxigênio (DavO2).

8. Referências Bibliográficas e Diretrizes Internacionais

Página final listando seis referências bibliográficas internacionais sobre ventilação neonatal, aspiração endotraqueal e suporte respiratório, com o logo Neofast e ícones de download nas lojas de aplicativos.

8. Referências Bibliográficas e Diretrizes Internacionais

  1. European Consensus Guidelines on the Management of Respiratory Distress Syndrome: 2022 Update. Neonatology, 2023;120(1):3-23.
  2. AARC Clinical Practice Guideline: Endotracheal Suctioning of Mechanically Ventilated Patients With Artificial Airways. Respiratory Care, 2022;67(2):240-253.
  3. Sweet DG, et al. European Consensus Guidelines on the Management of RDS in Preterm Infants. BMC Pediatrics, 2022.
  4. Goldsworthy S, et al. Neonatal Non-Invasive Respiratory Support and Nasal Interface Rotation Protocols. J Perinat Neonatal Nurs, 2021;35(3):210-218.
  5. AAP & AHA. Neonatal Resuscitation Program (NRP) 8th Edition Textbook, 2021.
  6. Restrepo RD, et al. AARC Clinical Practice Guideline: Aerosol Drug Delivery in Neonatal and Pediatric Patients. Respir Care, 2020;65(4):550-566.

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Perguntas frequentes

Qual a dose inicial e as doses subsequentes de Poractanto Alfa (Curosurf)?

A dose inicial é 200 mg/kg (2,5 mL/kg), com doses subsequentes de 100 mg/kg (1,25 mL/kg) a cada 12h se a FiO2 for >30%, administrada via LISA/MIST ou InSuRE, seguida de pausa na aspiração por 1 a 6 horas pós-infusão (salvo obstrução).

Por que não se deve instilar soro fisiológico de rotina durante a aspiração endotraqueal neonatal?

Porque essa prática desestabiliza o surfactante, mobiliza bactérias para o trato respiratório inferior e prolonga a desaturação do paciente.

Quais são os parâmetros do CPAP nasal (nCPAP) para SDR do prematuro?

PEEP de 5 a 8 cmH2O, fluxo de 6 a 10 L/min e FiO2 titulada conforme a SpO2 alvo, com alternância de prongas e máscaras a cada 4-12h e uso de placas de barreira hidrocoloide para evitar pressão no septo.

Quais são os critérios de prontidão para extubação em recém-nascidos prematuros?

Gasometria estável (pH>7,25, PaCO2 45-55 mmHg, PaO2 50-70 mmHg), parâmetros ventilatórios baixos (MAP ≤7-8 cmH2O, FiO2 ≤0,30, PIP ≤16-18 cmH2O, FR ≤20 bpm), presença de drive respiratório espontâneo regular e vigoroso, e transição imediata para nCPAP (6-8 cmH2O) ou VNI.

O que caracteriza o mnemônico DOPE usado na deterioração respiratória neonatal?

DOPE representa Displacement (deslocamento/extubação ou intubação seletiva), Obstruction (obstrução por secreção ou dobra do TOT), Pneumothorax (pneumotórax, avaliado por transiluminação e tratado com descompressão por agulha) e Equipment (falha de equipamento, manejada com ventilação manual via T-Piece/Ambu a 100% O2).

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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