Principais pontos
- A HIPN caracteriza-se pela falha na queda da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao nascimento, causando shunt direita-esquerda via forame oval e ducto arterioso e hipoxemia refratária ao oxigênio suplementar.
- O Índice de Oxigenação (OI), calculado por (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2, estratifica a gravidade: OI < 10 é HIPN leve, OI 10-25 é moderada a grave (limiar para iniciar iNO) e OI > 25 indica falência respiratória crítica com indicação de avaliação para ECMO.
- A ecocardiografia à beira do leito é o padrão-ouro para excluir Doenças Cardíacas Congênitas Críticas (CCHD) como TAPVC, TGA e Atresia Pulmonar, além de fenotipar a HIPN e estimar a pressão da artéria pulmonar.
- O Óxido Nítrico Inalatório (iNO) é a terapia de primeira linha, com dose inicial padrão de 20 ppm em termos, 5 a 10 ppm em pré-termos e até 40-80 ppm em casos refratários, esperando-se resposta clínica em 30 minutos.
- NT-proBNP > 850 pg/mL apresenta alta sensibilidade para prever necessidade de iNO e, por sua maior estabilidade (meia-vida de 60-120 min), é preferencial para monitoramento seriado e previsão de hipertensão pulmonar de rebote durante o desmame.
Referências
- Chojnacka K, Singh Y, Gahlaut S, Blaz W, Jerzak A, Szczapa T. Persistent Pulmonary Hypertension of the Newborn: A Pragmatic Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Advances in Management. Biomedicines 2025, 13, 2332.
- Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster (editor), Steven M. Donn (editor) – Manual of neonatal respiratory care. (2022), p. 628 — critério de ECMO.

Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HIPN) — Revisão e Manejo
Baseado em: Chojnacka K, Singh Y, Gahlaut S, Blaz W, Jerzak A, Szczapa T. Persistent Pulmonary Hypertension of the Newborn: A Pragmatic Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Advances in Management. Biomedicines 2025, 13, 2332.
Glossário de Siglas
- HIPN/PPHN: Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido
- RVP/PVR: Resistência Vascular Pulmonar
- OI: Índice de Oxigenação
- iNO: Óxido Nítrico Inalatório
- ECMO: Oxigenação por Membrana Extracorpórea
- BNP/ NT-proBNP: Peptídeo Natriurético Tipo B
- PDE: Fosfodiesterase
- PGE1: Prostaglandina E1
- CCHD: Doença Cardíaca Congênita Crítica
O Colapso da Transição Fetal-Neonatal

O Colapso da Transição Fetal-Neonatal
| Fisiologia Normal | Fisiopatologia da HIPN |
|---|---|
| Queda abrupta da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao nascimento. | Vasoconstrição Sustentada: Falha na queda da RVP. |
| Expansão pulmonar e oxigenação promovem vasodilatação. | Shunt Direita-Esquerda (R-to-L): Sangue desvia dos pulmões através do forame oval e ducto arterioso. |
| Fechamento funcional do forame oval e ducto arterioso. | Consequência: Hipoxemia grave e refratária ao uso de oxigênio suplementar, culminando em insuficiência respiratória aguda. |
Os 3 Fenótipos Clínicos: Onde Está a Resistência?
- Tipo 1 (Pré-Capilar): O Fenótipo Mais Comum: Aumento primário da Resistência Vascular Pulmonar (RVP). Gargalo: Vasos pré-capilares contraídos ou espessados.
- Tipo 2 (Fluxo Aumentado): Remodelamento Vascular. Mecanismo: Aumento do fluxo sanguíneo pulmonar levando à hipertensão. Gargalo: Malformações arteriovenosas ou shunts esquerda-direita persistentes.
- Tipo 3 (Pós-Capilar): Hipertensão Venosa: Aumento da pressão venosa/Disfunção do Ventrículo Esquerdo (VE). Gargalo: Obstrução venosa (ex: TAPVC) ou falência do VE.
Etiologia e Fatores de Risco

Etiologia e Fatores de Risco
Fatores Maternos e Genéticos
- Diabetes materno e tabagismo.
- Uso de medicações durante a gestação (AINES, ISRS).
- Predisposição Genética: polimorfismos no gene da eNOS (falha na produção de óxido nítrico endotelial).
Fatores Fetais e Anteparto
- Hipóxia e acidose fetal.
- PPROM (Ruptura Prematura de Membranas Prolongada).
- Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) e hipoplasia pulmonar.
Fatores Neonatais (HIPN Secundária)
- SAM: Síndrome de Aspiração de Mecônio (gatilho clássico).
- SDR: Síndrome de Desconforto Respiratório.
- Asfixia perinatal severa.
- Sepse ou pneumonia neonatal.
Etiologia e Fatores de Risco

Etiologia e Fatores de Risco
A patogênese da HIPN é multifatorial, englobando fatores genéticos, ambientais e fisiológicos.
Causas Primárias
Conceito: Failure of normal vascular adaptation
- A – Idiopática: Ausência de doença pulmonar parenquimatosa evidente.
- B – Remodelamento Vascular: Hipertrofia da camada muscular lisa secundária a hipóxia fetal crônica.
Causas Secundárias
Conceito: Triggered by acute or structural pathology
- A – Infecção/Inflamação: Sepse precoce, Pneumonia.
- B – Obstrução/Aspiração: Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM/MAS).
- C – Disfunção do Surfactante: Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR).
- D – Hipoplasia Pulmonar: Oligoidrâmnio, Ruptura Prematura de Membranas (PPROM), Hérnia Diafragmática Congênita (HDC).
Diagnóstico Clínico

Diagnóstico Clínico
Apresentação Clínica (suspeita)
Cianose e hipoxemia refratária ao oxigênio. Desconforto respiratório precoce. Sopro cardíaco (fluxo excessivo ou regurgitação tricúspide).
Diagnóstico Diferencial Crítico (Exclusão Obrigatória)
Deve-se descartar Doenças Cardíacas Congênitas (CCHD) que mimetizam a HIPN:
- TAPVC (Drenagem Venosa Pulmonar Anômala Total).
- TGA (Transposição das Grandes Artérias).
- Atresia Pulmonar (com/sem CIV).
- Tetralogia de Fallot severa / Atresia Tricúspide.
- Doenças obstrutivas do coração esquerdo (Coarctação de Aorta, SHCE).
Confirmação (Ecocardiografia)
HIPN Primária ou Secundária isolada.
Diagnóstico Clínico

Diagnóstico Clínico
- Hipoxemia Refratária: Baixos níveis de oxigenação arterial que não respondem adequadamente à suplementação de oxigênio convencional.
- Cianose e Desconforto Respiratório: Sinais precoces de falência respiratória que surgem logo após o nascimento, exigindo intervenção imediata.
- Diferencial de Oxigenação (Pré/Pós-ductal): Diferença de saturação (SpO2) > 5-10% entre a mão direita (pré-ductal) e os membros inferiores (pós-ductal), confirmando shunt via PDA.
- Sopros Cardíacos: Sopros de fluxo audíveis devido a shunt via PDA, regurgitação tricúspide ou defeitos congênitos subjacentes associados.
O reconhecimento imediato é vital para prevenir danos teciduais a longo prazo.
Diagnóstico Diferencial — Exclusão de Cardiopatias Congênitas Críticas (CCHD)
Apresentação Comum: Cianose severa + Hipoxemia Refratária
- HIPN (Fisiológica): Disfunção vascular reversível. Tratamento: Vasodilatadores (iNO).
- CCHD (Estrutural): Anomalias Mascaradas: Retorno Venoso Pulmonar Anômalo Total (TAPVC), Transposição das Grandes Artérias (TGA), Atresia Pulmonar, Tetralogia de Fallot grave, Lesões obstrutivas esquerdas.
Alerta: O uso cego de vasodilatadores sem ecocardiografia prévia pode ser prejudicial em anomalias estruturais específicas.
Padrão-Ouro: Ecocardiografia à Beira do Leito

Padrão-Ouro: Ecocardiografia à beira do leito (7 passos)
- Excluir CCHD: Avaliar dilatação do VD (suspeita principal).
- Estimar Pressão (PAP): Medição da pressão da artéria pulmonar.
- Avaliar Shunts: Direção do fluxo via PDA e PFO.
- Morfologia do Septo (Septal Flattening): Retificação do septo interventricular indicando sobrecarga direita.
- Doppler da Artéria Pulmonar: Formato da onda e relação tempo de aceleração / ejeção.
- Função Ventricular: Avaliação do débito e disfunção de VD e VE.
- Pré-carga e Débito Cardíaco: Estado de enchimento do coração.
Estratificação de Gravidade: OI e Biomarcadores
Métrica 1: Índice de Oxigenação (OI)
Cálculo da dependência de suporte ventilatório para oxigenação. OI > 25: Indica hipoxemia severa. Define altíssimo risco de disfunção pulmonar e é um indicativo crítico para avaliação de ECMO.
Métrica 2: Strain do Ventrículo Direito (BNP/ NT-proBNP)
Liberados pelo miocárdio em resposta à sobrecarga de pressão/volume. NT-proBNP: Mais estável (meia-vida de 60-120 min), preferencial para testes reprodutíveis. Limiar Preditivo: BNP > 850 pg/mL demonstrou alta sensibilidade para prever a necessidade de iNO. Uso Clínico: Essencial para monitoramento seriado (tendências) e previsão de HIPN de rebote durante o desmame.
Classificação de Gravidade: Índice de Oxigenação (OI)

Classificação de Gravidade: Índice de Oxigenação (OI)
O principal marcador para guiar a escalada de suporte respiratório e ECMO.
Fórmula
IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2
- MAP (cmH2O): Pressão Média de Vias Aéreas.
- FiO2: Valores entre 0,21 e 1,00, onde 1,00 equivale a 100% e 0,40, a 40%, por exemplo.
- PaO2 (mmHg): Pressão Parcial de Oxigênio.
OI = (FiO2 × MAP × 100) / PaO2
(Fração de Oxigênio Inspirado x Pressão Média de Vias Aéreas x 100) / Pressão Parcial de Oxigênio
Referência: Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster (editor), Steven M. Donn (editor) – Manual of neonatal respiratory care. (2022), p. 628 — critério de ECMO.
Índice de Oxigenação (IO) com o NeoFast

Obtenha o IO com a classificação e sugestão de intervenção com o NeoFast
Fórmula
IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2
- MAP (cmH2O): 10
- FiO2: 1 (Valores entre 0,21 e 1,00, onde 1,00 equivale a 100% e 0,40, a 40%, por exemplo.)
- PaO2 (mmHg): 35
Resultado: 28,57 — Índice de oxigenação
Classificação por Zonas
| Zona | Classificação | Conduta |
|---|---|---|
| Zona Verde (OI < 10) | HIPN Leve | Monitoramento contínuo, suporte ventilatório e oxigenação basal. |
| Zona Amarela (OI 10-25) | HIPN Moderada a Grave | Limiar de intervenção farmacológica. Início de vasodilatadores direcionados (iNO) |
| Zona Vermelha (OI > 25) | Falência Respiratória Crítica | Risco iminente de disfunção pulmonar severa. Indicação de terapias de resgate agressivas e avaliação imediata para ECMO. |
O Papel Estratégico dos Biomarcadores

BNP e NT-proBNP: Mais do que diagnóstico, ferramentas de monitoramento longitudinal.
Fase 1: Diagnóstico (Sobrecarga Ventricular)
Níveis consistentemente elevados em HIPN comparados a outras causas de falência respiratória. Insight: BNP > 850 pg/mL prevê alta sensibilidade para a necessidade de iNO.
Fase 2: Resposta ao Tratamento
A meia-vida do BNP (~20 min) e a estabilidade do NT-proBNP (~60-120 min) permitem aferir o alívio do strain do Ventrículo Direito em tempo real.
Fase 3: O Perigo do Desmame (Rebound)
O monitoramento em série é crucial para prever hipertensão pulmonar de rebote durante a retirada dos vasodilatadores.
Fundamentos do Manejo

Ventilação Gentil (Otimizada)
Estratégia de proteção pulmonar para minimizar barotrauma. Alvos de saturação pré-ductal entre 93-97% (PaO2 55-80 mmHg) – a hiperóxia aumenta a formação de radicais livres e lesão pulmonar.
Suporte Hemodinâmico e Sedação
Manutenção da pressão sistêmica para minimizar o shunt direita-esquerda. Sedação adequada para gerenciar dor e estresse, evitando picos de resistência vascular.
Terapia de Surfactante e Correção Metabólica
Administração de surfactante em casos associados a déficits (ex: SDR, SAM). Correção estrita de desequilíbrios eletrolíticos e acidose.
A base do tratamento foca em evitar lesão pulmonar adicional antes da escalada para vasodilatadores.
Terapias alvo específicas (iNO, Sildenafila) requerem estabilidade hemodinâmica prévia.
Terapia de Primeira Linha: Óxido Nítrico Inalatório (iNO)

Mecanismo de Ação
Vasodilatação pulmonar seletiva (relaxamento direto da musculatura lisa sem afetar a pressão sistêmica). Meia-vida ultra-curta (2 a 6 segundos). Resposta clínica esperada em 30 minutos.
Dose Inicial Padrão
20 ppm (Termo ou próximo ao termo).
Considerações Específicas
- Pré-termos: 5 a 10 ppm.
- Casos Refratários: 40-80 ppm se não houver resposta inicial.
Alvos: Redução >10% no Índice de Oxigenação, aumento >10% na PaO2 e redução >10% na Pressão da Artéria Pulmonar (PASP).
Vasodilatadores Direcionados I: Sildenafila – Dose de Ataque

Prescription Card – Sildenafila
Inibidor da Fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).
Via intravenosa
- Dose de Ataque: 0,4 mg/kg por 3h
- Manutenção: 0,067 mg/kg/hora.
Via oral
- Dose Inicial: 0,5 mg/kg (ou 1 mg/kg a cada 6h por 48-72h).
- Manutenção: 1 a 2 mg/kg a cada 6 horas.
Simulação no App NeoFast (Ataque)
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Peso (Kg) | 2 |
| Dose desejada (mg/kg) | 0,4 |
| Dose sugerida de ataque | 0,4mg/kg |
| Dose | 0,8mg |
| Dose | 1mL |
| Diluir com SF0,9% | 1mL |
| Concentração final | 0,4mg/mL |
| Volume total a ser administrado | 2mL |
| Gotejamento | 0,67mL/h |
| Tempo de infusão | 3h |
Vasodilatadores Direcionados I: Sildenafila Contínua

Prescription Card – Sildenafila
Inibidor da Fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).
Via intravenosa
- Dose de Ataque: 0,4 mg/kg por 3h
- Manutenção: 0,067 mg/kg/hora.
Via oral
- Dose Inicial: 0,5 mg/kg (ou 1 mg/kg a cada 6h por 48-72h).
- Manutenção: 1 a 2 mg/kg a cada 6 horas.
Simulação no App NeoFast (Contínuo)
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Peso (Kg) | 2 |
| Dose desejada (mg/kg/h) | 0,067 |
| Dose contínua | 0,067mg/kg/h |
| Gotejamento pretendido (mL/h) | 0,5 |
| Dose | 4,02mL |
| Diluir com SF0,9% | 7,98mL |
| Concentração final | 0,27mg/mL |
| Total nas 24h | 12mL |
Vasodilatadores Direcionados I: Milrinona Contínua

Prescription Card – Milrinona
Inibidor da PDE3. Excelente para disfunção VE/VD.
Via intravenosa contínua
- Dose: 0,2 a 1 mcg/kg/min
- Faixa alvo ideal: 0,25 a 0,75 mcg/kg/min
Especialmente indicada se houver disfunção de ventrículo esquerdo ou direito comprovado no ecocardiograma.
Simulação no App NeoFast
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Peso (Kg) | 2 |
| Dose desejada (mcg/kg/min) | 0,25 |
| Dose sugerida de manutenção | 0,3 a 0,75mcg/kg/min |
| Gotejamento pretendido (mL/h) | 0,2 |
| Dose | 0,72mL |
| Diluir com SF0,9%, SG5% | 4,08mL |
| Concentração final | 150mcg/mL |
| Total nas 24h | 4,8mL |
| Intervalo | Contínuo por 35h |
Vasodilatadores Direcionados II e Suporte Inotrópico/Vasopressor

Prescription Card – Bosentana
Antagonista do Receptor de Endotelina. Uso frequente como terapia adjuvante ou se falha/indisponibilidade do iNO.
Via Oral (VO)
1 a 2 mg/kg a cada 12 horas.
Prescription Card – Prostanoides (Via da Prostaciclina)
Vasodilatadores potentes.
- Iloprost Inalatório: 1 a 2,5 mcg/kg a cada 2 a 4 horas.
- Epoprostenol Intravenoso (IV): 1 a 2 ng/kg/min. 50 a 80 ng/kg/min.
Nota: Treprostinil também pode ser considerado nesta classe funcional.
Suporte Inotrópico, Vasopressor e Patência Ductal
Destaque Crítico: Prostaglandina E1 (PGE1)
Indicação: HIPN Fenótipo 3 ou Ventrículo Direito em falência (fechamento do ducto com disfunção de VD). Mantém o ducto arterioso aberto como ‘válvula de escape’. Dose IV: 5 a 10 ng/kg/min.
Tabela de Vasopressores e Inotrópicos (Se PAM < 45-50 mmHg pós volume)
| Fármaco | Dose | Indicação Específica |
|---|---|---|
| Adrenalina | 0,05 a 0,4 mcg/kg/min | Se diminuir a Função VE ou ↓ Pressão de pulso |
| Noradrenalina | 0,05 a 0,4 mcg/kg/min | Se Sepse, RVS ou ↑ Pressão de pulso |
| Dobutamina | 5 – 20 mcg/kg/min | Alternativa se Milrinona for inadequada ou sem eco |
| Vasopressina | 0,01 – 0,05 U/kg/h | Em casos de hipotensão resistente |
| Hidrocortisona | 2-2,5 mg/kg a cada 6h | Adjuvante no suporte pressórico |
PGE1 – Cálculo de Medicação Contínua

PGE1
Alprostadil (Prostin® e Prostavasin®)
- Modo: EV contínuo
- Apresentações: 500mcg/mL Solução, 10mcg/mL Pó, 20mcg/mL Pó
- Restrição hídrica: Sem Restrição Hídrica ou Restrição Hídrica
Campos de entrada
- Peso (Kg): 2
- Dose desejada (mcg/kg/min): 0,01
- Dose sugerida: 0,01 a 0,4mcg/kg/min
- Gotejamento pretendido (mL/h): 0,2
Resultado – Alprostadil (Prostin® e Prostavasin®) EV contínuo – 500mcg/mL Solução
| Dose | 0,06mL |
| Diluir com SF0,9 | 4,74mL |
| Concentração final | 6mcg/mL |
| Total nas 24h | 4,8mL |
- Informações adicionais / Referências bibliográficas
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Adrenalina e Noradrenalina

Adrenalina e Noradrenalina
Adrenalina (Epinefrina)
- Modo: EV contínuo
- Apresentação: 1mg/mL
- Peso (Kg): 2
- Dose desejada (mcg/kg/min): 0,05
- Dose sugerida: 0,05 a 1mcg/kg/min
- Gotejamento pretendido (mL/h): 0,1
Resultado – Adrenalina (Epinefrina) EV contínuo – 1mg/mL
| Dose | 0,14mL |
| Diluir com SF0,9%, SG5% ou SG10% | 2,26mL |
| Concentração final | 0,06mg/mL |
| Total nas 24h | 2,4mL |
Nota: a concentração final da infusão contínua é de até 64 mcg/mL (0,064 mg/mL).
- Adrenalina dose intermitente
- Volumes para equipo – EV contínuo – 1mg/mL
- Informações adicionais / Referências bibliográficas
Norepinefrina (Noradrenalina)
- Modo: EV contínuo
- Apresentação: 1mg/mL
- Peso (Kg): 2
- Dose desejada (mcg/kg/min): 0,2
- Faixa: 0,2 a 2mcg/kg/min
- Gotejamento pretendido (mL/h): 0,3
Resultado – Norepinefrina (Noradrenalina) EV contínuo – 1mg/mL
| Dose | 0,58mL |
| Diluir com SGF, SG5%, RL, SF0,9% | 6,62mL |
| Concentração final | 80mcg/mL |
| Total nas 24h | 7,2mL |
Nota: diluir para obter uma concentração entre 16 a 100mcg/mL (para o cálculo adotou-se concentração de até 100mcg/mL). Evitar o uso de SF0,9% puro para a diluição, devido à oxidação e perda da eficácia da droga. Todas as apresentações disponíveis no comércio são de 1mg/mL de norepinefrina base. A ampola de noradrenalina do fabricante apresenta no rótulo a informação de 8mg/4mL de hemitartarato de norepinefrina. Isso equivale a 4mg/4mL de norepinefrina base. Portanto, para cálculos de dose considerar 4mg/4mL.
- Volumes para equipo – EV contínuo – 1mg/mL
- Informações adicionais / Referências bibliográficas
Dobutamina e Vasopressina

Dobutamina e Vasopressina
Dobutamina
- Modo: EV – acesso central (destacado)
- Opção alternativa: EV – acesso periférico
- Concentração selecionada: 12,5mg/mL (destacado)
- Peso (Kg): 2
- Dose desejada (mcg/kg/min): 10
- Dose sugerida: 2 a 25mcg/kg/min
- Gotejamento pretendido (mL/h): 0,6
Resultado – Dobutamina EV – acesso central – 12,5mg/mL
| Dose | 2,3mL |
| Diluir com SF0,9%, SG5%, SG10%, RL | 12,1mL |
| Concentração final | 2mg/mL |
| Total nas 24h | 14,4mL |
Nota: a concentração final recomendada após a diluição é de até 2mg/mL. Na indisponibilidade de acesso central, realize o…
Vasopressina
- Modo: EV contínuo
- Concentrações disponíveis: 0,2UI/mL, 0,4UI/mL, 0,6UI/mL (destacado), 1UI/mL, 20UI/mL
- Unidade de dose: UI/kg/min ou UI/kg/h (destacado)
- Peso (Kg): 2
- Dose desejada (UI/kg/h): 0,01
- Faixa: 0,001 a 0,003 UI/kg/h
Resultado – Vasopressina EV contínuo – 0,6UI/mL
| Dose | 0,8mL |
| Concentração final | 0,6UI/mL |
| Total nas 24h | 0,8mL |
| Gotejamento | 0,033mL/h |
- Volumes para equipo – EV contínuo – 0,6UI/mL
- Informações adicionais / Referências bibliográficas
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Terapia de Resgate: ECMO

Terapia de Resgate: ECMO
O Que É: Oxigenação por Membrana Extracorpórea. Fornece suporte de bypass cardiopulmonar quando o pulmão neonatal falha completamente em oxigenar ou o coração falha em bombear.
Indicações Críticas para Acionamento da Equipe ECMO:
- Índice de Oxigenação (OI) permanece > 25 apesar da terapia vasodilatadora e ventilatória maximizada.
- Falha em atingir objetivos respiratórios seguros (PaO2 > 60 mmHg).
- Piora persistente ou progressiva das funções ventriculares (VD/VE) documentadas no Ecocardiograma.
Ação: A discussão para encaminhamento e aconselhamento precoce com o centro de ECMO salva vidas. Não espere o colapso irreversível.
Matriz de Decisão: Recursos
Centro com Recursos (INO/ECMO Disponíveis)
- 1. Otimização global (Ventilação, fluidos, PAM > 45 mmHg).
- 2. Diagnóstico Eco / Clínico → Iniciar iNO 20 ppm.
- 3. Se refratário: Adicionar infusão de Sildenafila ou Prostaciclina inalatória.
- 4. Suporte cardíaco: Milrinona / Epinefrina / PGE1 (conforme Eco).
- 5. Sem resposta (OI >25) → Referenciar para ECMO.
Recursos Limitados (Sem iNO / Sem ECMO)
- 1. Otimização global estrita. Descartar CCHD o mais rápido possível.
- 2. Iniciar Primeira Linha: Sildenafila IV ou VO (1mg/kg 6h por 48h → 2mg/kg 6h).
- 3. Se ausência de resposta: Adicionar Bosentana VO (1-2 mg/kg a cada 12h).
- 4. Suporte Cardíaco agressivo: Milrinona (ou Dobutamina se sem Eco), Epinefrina, Hidrocortisona. Vasopressina para hipotensão refratária.
Conclusões Pragmáticas para a Prática Clínica

Conclusões Pragmáticas para a Prática Clínica
- 1. Identificação é Corrida Contra o Tempo
A HIPN exige diagnóstico precoce. A ecocardiografia à beira-leito (7 passos) é o padrão-ouro inegociável para fenotipar a doença e excluir cardiopatias congênitas. - 2. Fundações Vêm Primeiro
Vasodilatadores direcionados são ineficazes sem um pulmão otimizado (recrutamento, oxigenação alvo 93-97%) e correção rigorosa do meio interno (acidose, cálcio, pressão de perfusão). - 3. Farmacologia de Precisão
Respeite as janelas terapêuticas. Utilize o iNO como primeira linha, MAS DOMINE as titulações exatas da Sildenafila, Milrinona e Prostanoides como resgate ou alternativas viáveis. - 4. Flexibilidade Terapêutica
Na ausência de iNO e ECMO, o suporte empírico rápido com inibidores de PDE e antagonistas de endotelina (Bosentana), associado ao manejo de pressão e contratilidade (Epi/Hidrocortisona), dita a sobrevivência do neonato. - 5. NeoFast – prescrição segura
Prescreva de forma precisa, segura e rápida. Unindo conhecimento com suporte as decisões clínicas.
Perguntas frequentes
Qual é a dose inicial de óxido nítrico inalatório (iNO) na HIPN?
A dose inicial padrão é 20 ppm para recém-nascidos a termo ou próximos ao termo. Em pré-termos, utiliza-se 5 a 10 ppm, e em casos refratários pode-se aumentar para 40-80 ppm se não houver resposta inicial.
Como calcular o Índice de Oxigenação (OI) e o que significam suas faixas de valor?
O OI é calculado pela fórmula (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2. Na classificação por zonas: OI < 10 (Zona Verde) indica HIPN leve com monitoramento contínuo; OI 10-25 (Zona Amarela) indica HIPN moderada a grave, sendo o limiar para iniciar vasodilatadores direcionados como iNO; OI > 25 (Zona Vermelha) indica falência respiratória crítica com indicação de terapias de resgate agressivas e avaliação imediata para ECMO.
Quando indicar ECMO em um recém-nascido com HIPN?
ECMO deve ser considerado quando o Índice de Oxigenação (OI) permanece > 25 apesar da terapia vasodilatadora e ventilatória maximizada, quando há falha em atingir PaO2 > 60 mmHg, ou quando há piora persistente ou progressiva das funções ventriculares (VD/VE) documentadas no ecocardiograma. A discussão precoce com o centro de ECMO é recomendada, sem esperar o colapso irreversível.
Qual a importância do BNP/NT-proBNP no manejo da HIPN?
BNP e NT-proBNP são liberados pelo miocárdio em resposta à sobrecarga de pressão/volume. Um valor de BNP > 850 pg/mL demonstrou alta sensibilidade para prever a necessidade de iNO. O NT-proBNP, por ter meia-vida mais estável (60-120 min) comparado ao BNP (~20 min), é preferencial para monitoramento seriado (tendências) e para prever hipertensão pulmonar de rebote durante o desmame dos vasodilatadores.
Quais cardiopatias congênitas críticas (CCHD) devem ser excluídas antes de tratar HIPN?
Devem ser descartadas: TAPVC (Drenagem Venosa Pulmonar Anômala Total), TGA (Transposição das Grandes Artérias), Atresia Pulmonar (com/sem CIV), Tetralogia de Fallot severa, Atresia Tricúspide e doenças obstrutivas do coração esquerdo (Coarctação de Aorta, SHCE). O uso cego de vasodilatadores sem ecocardiografia prévia pode ser prejudicial nessas anomalias estruturais.

