Choque Neonatal: Fisiopatologia e Manejo

Principais pontos

  • O objetivo terapêutico no choque neonatal é restaurar a oferta efetiva de O2 à mitocôndria (DO2/VO2), e não apenas normalizar a Pressão Arterial.
  • O miocárdio neonatal tem débito cardíaco dependente da frequência cardíaca, reserva contrátil limitada e tolera mal o aumento da pós-carga; taquicardia extrema (>180 bpm) pode reduzir o enchimento ventricular e causar isquemia subendocárdica.
  • A hipotensão é um sinal tardio de choque: o TEC ≥3 segundos tem sensibilidade de apenas 55% e especificidade de 80%, e 7 em 10 RNs com baixo fluxo em VCS apresentam TEC normal.
  • A expansão volêmica deve ser criteriosa (‘volume é droga’): cristaloide isotônico 10 mL/kg, infundido em 15-30 min no RNT e 30-60 min no RNPT (máximo 10-20 mL/kg total), reservada para hipovolemia real ou pré-carga baixa confirmada por ECOF.
  • No choque refratário a volume e aminas em dose crescente, indica-se hidrocortisona 1 mg/kg a cada 6-8h por insuficiência adrenal relativa do prematuro, devendo-se também reinvestigar PCA, HPPRN e cardiopatias.

Referências

  • Nouraeyan N, Wong K, Kharrat A, Fraga MV, Altit G. A comprehensive review of the approach to ultrasonography in neonatal shock: targeted echocardiography and POCUS. Children. 2026;13:1268.
  • Davis AL, Carcillo JA, Aneja RK, et al. ACCM clinical practice parameters for hemodynamic support of pediatric and neonatal septic shock. Crit Care Med. 2017;45(6):1061-93.
  • McNamara PJ, Jain A, El-Khuffash A, et al. Guidelines and recommendations for targeted neonatal echocardiography and cardiac POCUS in the NICU: update from the ASE. J Am Soc Echocardiogr. 2024;37:171-215.
  • Weiss SL, Peters MJ, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign international guidelines for the management of septic shock in children. Pediatr Crit Care Med. 2020;21(2):e52-e106.
  • Giesinger RE, McNamara PJ. Hemodynamic instability in the critically ill neonate: an approach based on disease pathophysiology. Semin Perinatol. 2016;40(3):174-88.
Capa do material educativo sobre choque neonatal mostrando bombas de infusão em uma UTI neonatal.

CHOQUE NEONATAL: FISIOPATOLOGIA E MANEJO

Para Neonatologistas

Um guia completo e atualizado para reconhecimento precoce, fisiopatologia avançada, diferenciação de fenótipos hemodinâmicos e conduta dirigida na UTIN.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS & REFERÊNCIAS

www.neofastapp.com

Conceito de Choque e Balanço DO2/VO2

Infográfico explicando o conceito de choque neonatal e as equações fundamentais da hemodinâmica envolvendo oferta e consumo de oxigênio.

FISIOPATOLOGIA BASE

Insuficiência circulatória aguda na qual a Oferta de O2 (DO2) não atende à Demanda/Consumo Metabólico Tecidual (VO2)

Consequência Imediata: Metabolismo anaeróbio → Acúmulo de Lactato → Acidose metabólica lática → Lesão progressiva de órgãos-alvo.

EQUAÇÕES FUNDAMENTAIS DA HEMODINÂMICA:

  • DO2 = DC × CaO2 (Oferta de O2 = Débito Cardíaco × Conteúdo Arterial de O2)
  • DC = VS × FC (Débito Cardíaco = Volume Sistólico × Frequência Cardíaca)
  • CaO2 = (1,34 × Hb × SaO2) + (0,003 × PaO2)

CONCEITO DE DO2 CRÍTICO:

Abaixo do DO2 crítico, o consumo de O2 passa a depender diretamente da oferta. A Hemoglobina (Hb) e a Saturação (SaO2) são alvos terapêuticos tão cruciais quanto o Débito Cardíaco.

Objetivo Terapêutico: restaurar a entrega efetiva de O2 à mitocôndria, e NÃO apenas normalizar valores numéricos de Pressão Arterial!

Peculiaridades do Coração Neonatal

Página detalhando as características fisiológicas únicas do miocárdio neonatal e o alerta sobre taquicardia extrema.

FISIOLOGIA MIOCÁRDICA

O miocárdio do recém-nascido possui propriedades únicas que condicionam a resposta hemodinâmica.

1. DC DEPENDENTE DA FC

  • Volume sistólico (VS) é pequeno e fixo.
  • A FC é a principal ferramenta compensatória (160-180 bpm).

2. RESERVA LIMITADA

  • Miofibrilas desorganizadas, menos sarcômeros.
  • Retículo imaturo: dependente de Ca2+ extracelular.

3. INTOLERÂNCIA À PÓS-CARGA

  • Complacência ventricular reduzida.
  • Elevação da pós-carga pode REDUZIR o débito cardíaco.

4. RESPOSTA INOTRÓPICA ↓

  • Poucos receptores β1 no miocárdio.
  • Abundância de receptores α1 na vasculatura periférica.

ALERTA CLÍNICO – EFEITO BOWDITCH ATENUADO:

Taquicardia extrema (> 180 bpm) encurta demasiadamente a diástole, reduz o enchimento ventricular e provoca isquemia subendocárdica. O mecanismo compensatório vira o próprio agressor!

Transição Circulatória e Shunts

Infográfico sobre os eventos da transição circulatória neonatal e a dinâmica dos shunts bidirecionais pelo canal arterial e forame oval.

ADAPTAÇÃO ADULTA VS NEO

As alterações fisiológicas do nascimento e a presença de shunts alteram drasticamente o fluxo sanguíneo.

EVENTOS CHAVE DA TRANSIÇÃO CIRCULATÓRIA:

  • Remoção da Placenta: Aumento imediato da Resistência Vascular Sistêmica (RVS).
  • Aeração Pulmonar: Queda drástica da Resistência Vascular Pulmonar (RVP).
  • Fechamento dos Shunts Fetais: Fechamento funcional do Forame Oval (FO) e do Canal Arterial (PCA).

DINÂMICA DOS SHUNTS BIDIRECIONAIS:

  • A direção do fluxo pelo canal arterial depende diretamente da relação RVP / RVS.
  • O Ventrículo Direito (VD) ainda não está remodelado e possui baixa complacência.
  • A Pressão Positiva (Ventilação Mecânica) altera agudamente tanto a pré-carga quanto a pós-carga.

IMPLICAÇÃO PRÁTICA NA UTIN:

Shunt Esquerda-Direita volumoso pelo PCA gera ‘roubo ductal sistêmico’, reduzindo a perfusão mesentérica e renal. Já o shunt Direita-Esquerda ocorre quando a RVP supera a RVS (Hipertensão Pulmonar).

Fenótipos Etiológicos do Choque Neonatal

Tabela de classificação etiológica mostrando os tipos de choque neonatal: distributivo, hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo, dissociativo e misto.

CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA

Diferentes mecanismos fisiopatológicos exigem estratégias terapêuticas distintas.

Tipo de ChoqueMecanismo Principal & Etiologia Frequente
DistributivoTônus vascular anormal. Sepse (mais comum), insuficiência adrenal, neurogênico.
Hipovolêmico↓ Pré-carga por perda de volume. Hemorragia fetal/materna, HPIV, perdas no 3º espaço.
CardiogênicoDisfunção miocárdica (VE/VD). EHI, má adaptação transicional, miocardite, arritmias.
ObstrutivoImpedimento mecânico ao enchimento/ejeção. Pneumotórax hipertensivo, tamponamento, PCA-dependente.
DissociativoDO2 preservada, mas capacidade de transporte/utilização de O2 alterada. Anemia grave, metemoglobinemia.
MistoCoexistência de múltiplos mecanismos (ex: Sepse + Disfunção miocárdica + HPPRN).

Choque Séptico: Quente vs. Frio

Tabela comparando as características clínicas, ecocardiográficas e terapêuticas do choque séptico quente versus choque séptico frio.

CHOQUE SÉPTICO

A apresentação clínica no neonato é heterogênea e pode transitar entre os fenótipos.

CaracterísticaCHOQUE QUENTE (↓ RVS)CHOQUE FRIO (↑↑ RVS)
Clínica PeriféricaExtremidades quentes, TEC rápido (‘flash’), pulsos amplos, PAD baixa.Extremidades frias, TEC prolongado (>3s), pulsos finos, hipotensão tardia.
ECOF / POCUSHyperdinâmico; ventrículos subenchidos; FE/FS aumentadas enganosas.Disfunção sistólica de VE ou biventricular; HP reativa associada.
Alvo Terapêutico↑ RVS: Vasopressor isolado (Noradrenalina ou Vasopressina).Inotrópico / Inodilatador: Adrenalina ou Dobutamina/Milrinona.

PONTO CHAVE: O perfil hemodinâmico no choque séptico é dinâmico. Reavaliações seriadas com ecocardiografia funcional (ECOF) são indispensáveis para ajustar aminas vasoativas.

Calculadora de Medicação Contínua – App Neofast

Capturas de tela do aplicativo Neofast mostrando telas de cálculo de medicação contínua para Adrenalina e Dobutamina.

Medicação Contínua

  • Adrenalina (Epinefrina) – EV contínuo – 1mg/mL – Peso (Kg) – Dose desejada (mcg/kg/min) – Gotejamento pretendido (mL/h)
  • Dobutamina – EV – acesso central / EV – acesso periférico – 12,5mg/mL – Peso (Kg) – Dose desejada (mcg/kg/min) – Gotejamento pretendido (mL/h)

Informações adicionais: Referências bibliográficas

Atenção: as informações apresentadas neste aplicativo são extraídas de referências bibliográficas e têm caráter informativo. O médico é o único responsável pela prescrição, administração e ajustes necessários. Este aplicativo não substitui guidelines médicos ou o julgamento clínico.

Em momentos críticos, tenha sempre a ferramenta certa à disposição.

Calculadora de Milrinona – App Neofast

Capturas de tela do aplicativo Neofast demonstrando o preenchimento dos campos de dose de Milrinona e o resultado do cálculo gerado.

Medicação Contínua

  • Milrinona – EV contínuo – 1mg/mL / 0,2mg/mL – Ataque / Manutenção – Peso (Kg) – Dose desejada (mcg/kg) / (mcg/kg/min)

Informações adicionais: Referências bibliográficas

Atenção: as informações apresentadas neste aplicativo são extraídas de referências bibliográficas e têm caráter informativo. O médico é o único responsável pela prescrição, administração e ajustes necessários. Este aplicativo não substitui guidelines médicos ou o julgamento clínico.

Exemplo preenchido: Milrinona – EV contínuo – 1mg/mL – Manutenção – Peso (Kg): 2 – Dose desejada (mcg/kg/min): 0,3 (Dose sugerida de manutenção: 0,3 a 0,75mcg/kg/min) – Gotejamento pretendido (mL/h): 0,2

Milrinona EV contínuo – 1mg/mL
Dose0,86mL
Diluir com SF0,9%, SG5%3,94mL
Concentração final180mcg/mL
Total nas 24h4,8mL
IntervaloContínuo por 35h

Preencha para obter os resultados.

Fases do Choque e Lesão Celular

Infográfico descrevendo as três fases do choque neonatal (compensada, descompensada e irreversível) e o impacto da acidose metabólica grave.

FISIOPATOLOGIA MICROCIRCULATÓRIA

A evolução do choque compensado ao irreversível e o impacto da acidose grave.

1. FASE COMPENSADA (‘Choque Oculto’):

  • Vasoconstrição α1 periférica e esplâncnica preserva fluxo cerebral e coronariano.
  • Taquicardia compensatória; Pressão Arterial mantida em valores normais.

2. FASE DESCOMPENSADA:

  • Falência dos mecanismos compensatórios → Hipotensão e oligúria.
  • Elevação do lactato, acidose lática e disfunção microcirculatória tecidual.

3. FASE IRREVERSÍVEL:

  • Lesão celular e mitocondrial grave → Falência de múltiplos órgãos.
  • Refratariedade completa às catecolaminas.

IMPACTO DA ACIDOSE METABÓLICA GRAVE (pH < 7,10):

  • O excesso de H⁺ atua como um potente depressor miocárdico direto.
  • Provoca vasoplegia generalizada e refratariedade às catecolaminas endógenas e exógenas.

Quadro Clínico e Sinais de Alerta

Infográfico organizando os sinais clínicos de má perfusão tecidual por sistemas: perfusão periférica, cardiovascular, neuro/renal e metabólico.

RECONHECIMENTO CLÍNICO

Sinais sistemáticos de má perfusão tecidual por sistemas orgânicos.

PERFUSÃO PERIFÉRICA

  • TEC > 3 segundos.
  • Extremidades frias e livedo.
  • Gradiente central-periférico > 2°C.
  • Pulsos finos (ou amplos em PCA/choque quente).

CARDIOVASCULAR

  • Taquicardia persistente (>10-15% do basal).
  • Hipotensão (sinal tardio!).
  • Regra: PAM < Idade Gestacional (sem).
  • Bradicardia = Pré-parada!

NEURO / RENAL

  • Letargia, hipotonia, choro fraco.
  • Apneias recorrentes.
  • Diurese < 1 mL/kg/h (pouco útil nas 1ªs 48h).

METABÓLICO

  • Lactato elevado e ascendente.
  • Base Excess (BE) < -7 mmol/L.
  • Hipo/hiperglicemia e instabilidade térmica.

Acurácia dos Parâmetros Clínicos e Exames

Tabela comparando o desempenho diagnóstico e as limitações de TEC, pressão arterial, lactato, troponina e NT-proBNP no recém-nascido.

ACURÁCIA DIAGNÓSTICA

Limitações dos parâmetros tradicionais isolados no recém-nascido.

ParâmetroDesempenho DiagnósticoLimitação / Pegadinha
TEC ≥ 3 segSensibilidade 55% / Espec. 80%7 em 10 RNs com baixo fluxo em VCS têm TEC normal!
Pressão ArterialMétodo mais utilizado na UTINFraca correlação com débito sistêmico. Normotensão ≠ Perfusão adequada!
Lactato> 5 mmol/L no 1º dia (específico)Clearance (tendência) vale mais que o valor isolado.
TroponinaMarcador de lesão miocárdicaDosagem seriada (admissão → 24-48h). Orienta preservação coronariana.
NT-proBNPEstiramento de parede (PCA)Sensib. 90% / Espec. 89% para PCA hemodinamicamente significativo.

Ferramentas de Monitorização na UTIN

Tabela comparativa de métodos invasivos e não invasivos de monitorização hemodinâmica: PA invasiva, NIRS, SvcO2 e ECOF/POCUS.

MONITORIZAÇÃO AVANÇADA

Comparativo entre métodos invasivos e não invasivos de avaliação hemodinâmica.

MétodoO que informaVantagem / Limitação
PA InvasivaPA contínua; acesso para gasometriaPadrão-ouro. Risco de trombose e onda amortecida.
NIRS (rSO2)Oxigenação tecidual (Cérebro, Rim, Esplâncnico)Contínua (faixa ideal: 55-85%). Média e tendência.
SvcO2Extração global de O₂ (Balanço DO₂/VO₂)Meta ≥ 70%. Posição do cateter umbilical altera valor.
ECOF / POCUSPré-carga, contratilidade, RVS, shunts, HPDefine o fenótipo hemodinâmico. Requer treinamento.

POCUS no Choque: Protocolo SAFE-R

Infográfico detalhando as cinco etapas do protocolo SAFE-R de ultrassonografia point-of-care na emergência neonatal e a avaliação da veia cava inferior.

POCUS BEIRA-LEITO

Avanço sistemático de ultrassonografia point-of-care na emergência neonatal.

  1. CORAÇÃO (Subcostal): Descartar derrame pericárdico e tamponamento cardíaco (indicação de pericardiocentese de urgência).
  2. PULMÃO (Tórax): Investigar pneumotórax hipertensivo, derrame pleural e edema pulmonar grave (guia drenagem/ventilação).
  3. AORTA (Abdominal): Avaliar pulsatilidade. Ausência de pulso sugere Cardiopatia Canal-Dependente (iniciar PGE1 imediatamente!).
  4. ABDOME: Pesquisa de líquido livre (hemoperitônio, ascite, causa de choque hipovolêmico).
  5. CRÂNIO (Fontanela): Identificar Hemorragia Peri-Intraventricular (HPIV) aguda ou hidrocefalia pós-hemorrágica.

AVALIAÇÃO DA VEIA CAVA INFERIOR (VCI):

Avaliar tamanho e colapsabilidade respiratória para diferenciar estados de Hipovolemia vs. Hipervolemia/Congestão.

Parâmetros da ECOF no Choque Neonatal

Tabela de parâmetros ecocardiográficos funcionais avaliados no choque neonatal, incluindo débito sistêmico, função do VE, pressão pulmonar e shunts/volemia.

ECOCARDIOGRAFIA FUNCIONAL

Domínios ecocardiográficos para mapeamento do estado hemodinâmico.

DomínioParâmetros AvaliadosInterpretação Clínica
Débito SistêmicoVTI da VSVE × área × FC; Fluxo na VCSSem shunts, débito do VE reflete o fluxo sistêmico.
Função do VEFE (Simpson), FS (<28%), GLS, TDIFE/FS ‘normais’ enganam se a RVS estiver baixa!
Pressão PulmonarJato de IT (PSVD); retificação septalShunt D→E no canal indica RVP > RVS.
Shunts & VolemiaPCA (tamanho/direção), FO, VCIMapeia roubo ductal e responsividade a volume.

Manejo Volêmico: Indicações e Riscos

Infográfico sobre indicações precisas para expansão volêmica no choque neonatal e os riscos da sobrecarga hídrica, incluindo congestão pulmonar e HPIV.

TRATAMENTO – VOLEMIA

A expansão volêmica deve ser encarada como uma prescrição medicamentosa criteriosa.

‘VOLUME É DROGA’

  • Indicação Precisa: Hipovolemia real (hemorragia, perdas) ou Sepse com pré-carga baixa confirmada na ECOF (VE pequeno, VTI reduzido, VCI colapsável).
  • Solução Recomendada: Cristaloide Isotônico (Soro Fisiológico 0,9%) na dose de 10 mL/kg por bolus.
  • Tempo de Infusão: RNT em 15-30 min; RNPT em 30-60 min (máximo 10-20 mL/kg total).

RISCOS DA SOBRECARGA HÍDRICA NO NEONATO:

  1. Congestão Pulmonar Imediata: Devido à baixa complacência miocárdica diastólica.
  2. Aumento do Shunt pelo Canal Arterial (PCA): Piora do roubo sistêmico.
  3. Risco de HPIV em Prematuros Extremos: Expansões rápidas provocam oscilações abruptas na pressão de perfusão cerebral.
  4. Balanço Hídrico Positivo: Associado a maior morbimortalidade na UTIN.

Drogas Vasoativas e Corticoterapia

Tabela de drogas vasoativas usadas no choque neonatal com doses, mecanismos de ação e efeitos predominantes: dobutamina, adrenalina, noradrenalina e milrinona.

FARMACOTERAPIA

Escolha da droga vasoativa guiada pelo fenótipo hemodinâmico do recém-nascido.

Droga & DoseMecanismo PrincipalEfeito Predominante & Cuidados
Dobutamina 5-20 mcg/kg/minInotrópico / Inodilatador (β1>β2)++++ Inotropismo, ++ Vasodilatação. Atenção: taquicardia e ↑ consumo de O₂
Adrenalina 0,05-1 mcg/kg/minInotrópico/Vasopressor (β1/β2 baixa; α1 alta)Inótropo potente. Doses altas provocam vasoconstrição. Eleva lactato/glicemia.
Noradrenalina 0,05-1 mcg/kg/minVasopressor potente (α1 >> β1)++++ Vasoconstrição. Exige volemia corrigida. Ótima no choque quente.
Milrinona 0,25-0,75 mcg/kg/minInodilatador (Inibidor da PDE3)++++ Inotropismo/Lusitropismo. Reduz RVP/RVS. Cuidado com hipotensão.

Corticoterapia no Choque Refratário

Página de farmacoterapia sobre corticoterapia no choque refratário neonatal, mostrando telas do aplicativo Neofast com cálculo de dose de hidrocortisona para um paciente de 2 kg e tabela de reconstituição e diluição do medicamento.

FARMACOTERAPIA

Corticoterapia

Corticoterapia no choque refratário:

Hidrocortisona (1 mg/kg a cada 6-8h): Indicada no choque refratário a volume + aminas em dose crescente por Insuficiência Adrenal Relativa do Prematuro.

Simulação no aplicativo Neofast – Medicamentos

  • Medicamento: Hidrocortisona
  • Via: EV bolus ou IM / EV intermitente (selecionado)
  • Apresentação: 100mg Pó / 250mg Pó / 500mg Pó (selecionado 100mg Pó)
  • Cálculo: Sem ASC / ASC (estatura) / ASC (sem estatura) (selecionado Sem ASC)
  • Peso (Kg): 2 kg
  • Dose desejada (mg/kg/dose): 1mg/kg
  • Dose sugerida: 0,25 a 0,5mg/kg/dose

Informações adicionais: Referências bibliográficas

Atenção: as informações apresentadas neste aplicativo são extraídas de referências bibliográficas e têm caráter informativo. O médico é o único responsável pela prescrição, administração e ajustes necessários. Este aplicativo não substitui guidelines médicos ou o julgamento clínico.

Hidrocortisona EV intermitente – 100mg Pó

Dose2mg
Intervalo12/12h

Reconstituição

Reconstituir com AD ou diluente próprio2mL
Concentração após reconstituir50mg/mL

Diluição

Retirar do frasco1mL
Retirar do frasco1mL
Diluir a dose em mL com SF0,9%, SG5% ou SG10%49mL
Concentração final após diluição1mg/mL
Dose após diluição2mL
Tempo de infusão20-30 min

Pontos-Chave

Página de síntese final apresentando oito pontos-chave sobre manejo hemodinâmico neonatal, com o logo do aplicativo Neofast e botões de download para App Store e Google Play.

SÍNTESE FINAL

Pontos-Chave ⚠️

  1. Miocárdio Neonatal: Depende da FC, necessita de Ca2+ e tolera mal a pós-carga.
  2. PA Normal ≠ Perfusão Adequada: Monitore sinais de microcirculação e oferta tecidual de O2
  3. Lactato e BE: Valorize a tendência temporal (clearance), e não o valor isolado.
  4. Fenotipagem Hemodinâmica: A conduta deve ser guiada por ECOF / POCUS.
  5. Volume é Droga: Bolus de 10 mL/kg com reavaliação criteriosa (cautela no prematuro).
  6. Seleção de DVA: Escolha aminas de acordo com a fisiopatologia (RVS vs. Contratilidade).
  7. Choque Refratário: Hidrocortisona, TSH/T4L e reinvestigar PCA, HPPRN e cardiopatias.
  8. Cuidado com Acidose: Não use Bicarbonato de Sódio de rotina nem espolie K+ na fase ácida.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre choque séptico ‘quente’ e ‘frio’ no neonato?

No choque quente (↓RVS) há extremidades quentes, TEC rápido (‘flash’), pulsos amplos e PAD baixa, com padrão hiperdinâmico ao ECOF (FE/FS enganosamente aumentadas); o alvo é aumentar a RVS com vasopressor isolado (noradrenalina ou vasopressina). No choque frio (↑↑RVS) há extremidades frias, TEC >3s, pulsos finos e hipotensão tardia, com disfunção sistólica de VE ou biventricular ao ECOF; o alvo é inotrópico/inodilatador (adrenalina ou dobutamina/milrinona).

Por que a pressão arterial normal não garante perfusão adequada no recém-nascido?

Porque a PA tem fraca correlação com o débito sistêmico e é um sinal tardio de choque, já que mecanismos compensatórios (vasoconstrição α1 e taquicardia) mantêm a PA em valores normais mesmo na fase compensada (‘choque oculto’); por isso normotensão não equivale a perfusão tecidual adequada.

Qual a dose e o modo de infusão recomendados para expansão volêmica no choque neonatal?

Recomenda-se cristaloide isotônico (Soro Fisiológico 0,9%) na dose de 10 mL/kg por bolus, infundido em 15-30 min em recém-nascidos a termo (RNT) e em 30-60 min em prematuros (RNPT), com máximo total de 10-20 mL/kg, indicado apenas em hipovolemia real ou pré-carga baixa confirmada na ECOF.

Quando usar hidrocortisona no choque neonatal refratário?

A hidrocortisona (1 mg/kg a cada 6-8h) é indicada no choque refratário a volume e a aminas vasoativas em dose crescente, por insuficiência adrenal relativa do prematuro; no choque refratário também se recomenda reinvestigar PCA, HPPRN e cardiopatias, além de avaliar TSH/T4L.

Como o POCUS (protocolo SAFE-R) auxilia na avaliação do choque neonatal à beira-leito?

O protocolo avalia sistematicamente coração (descartar derrame pericárdico/tamponamento), pulmão (pneumotórax hipertensivo, derrame pleural, edema pulmonar), aorta abdominal (pulsatilidade; ausência de pulso sugere cardiopatia canal-dependente, indicando PGE1 imediato), abdome (líquido livre sugerindo choque hipovolêmico), crânio (HPIV ou hidrocefalia) e veia cava inferior (tamanho e colapsabilidade para diferenciar hipovolemia de hipervolemia/congestão).

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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