Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HIPN): Revisão e Manejo

Principais pontos

  • A HIPN caracteriza-se pela falha na queda da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao nascimento, causando shunt direita-esquerda via forame oval e ducto arterioso e hipoxemia refratária ao oxigênio suplementar.
  • O Índice de Oxigenação (OI), calculado por (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2, estratifica a gravidade: OI < 10 é HIPN leve, OI 10-25 é moderada a grave (limiar para iniciar iNO) e OI > 25 indica falência respiratória crítica com indicação de avaliação para ECMO.
  • A ecocardiografia à beira do leito é o padrão-ouro para excluir Doenças Cardíacas Congênitas Críticas (CCHD) como TAPVC, TGA e Atresia Pulmonar, além de fenotipar a HIPN e estimar a pressão da artéria pulmonar.
  • O Óxido Nítrico Inalatório (iNO) é a terapia de primeira linha, com dose inicial padrão de 20 ppm em termos, 5 a 10 ppm em pré-termos e até 40-80 ppm em casos refratários, esperando-se resposta clínica em 30 minutos.
  • NT-proBNP > 850 pg/mL apresenta alta sensibilidade para prever necessidade de iNO e, por sua maior estabilidade (meia-vida de 60-120 min), é preferencial para monitoramento seriado e previsão de hipertensão pulmonar de rebote durante o desmame.

Referências

  • Chojnacka K, Singh Y, Gahlaut S, Blaz W, Jerzak A, Szczapa T. Persistent Pulmonary Hypertension of the Newborn: A Pragmatic Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Advances in Management. Biomedicines 2025, 13, 2332.
  • Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster (editor), Steven M. Donn (editor) – Manual of neonatal respiratory care. (2022), p. 628 — critério de ECMO.
Capa do infográfico sobre Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido mostrando pulmões presos em uma morsa mecânica sobre fundo amarelo.

Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HIPN) — Revisão e Manejo

Baseado em: Chojnacka K, Singh Y, Gahlaut S, Blaz W, Jerzak A, Szczapa T. Persistent Pulmonary Hypertension of the Newborn: A Pragmatic Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Advances in Management. Biomedicines 2025, 13, 2332.

Glossário de Siglas

  • HIPN/PPHN: Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido
  • RVP/PVR: Resistência Vascular Pulmonar
  • OI: Índice de Oxigenação
  • iNO: Óxido Nítrico Inalatório
  • ECMO: Oxigenação por Membrana Extracorpórea
  • BNP/ NT-proBNP: Peptídeo Natriurético Tipo B
  • PDE: Fosfodiesterase
  • PGE1: Prostaglandina E1
  • CCHD: Doença Cardíaca Congênita Crítica

O Colapso da Transição Fetal-Neonatal

Comparação entre a fisiologia normal da transição pulmonar ao nascimento e a fisiopatologia da HIPN, com ilustração dos três fenótipos clínicos de shunt cardíaco.

O Colapso da Transição Fetal-Neonatal

Fisiologia NormalFisiopatologia da HIPN
Queda abrupta da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao nascimento.Vasoconstrição Sustentada: Falha na queda da RVP.
Expansão pulmonar e oxigenação promovem vasodilatação.Shunt Direita-Esquerda (R-to-L): Sangue desvia dos pulmões através do forame oval e ducto arterioso.
Fechamento funcional do forame oval e ducto arterioso.Consequência: Hipoxemia grave e refratária ao uso de oxigênio suplementar, culminando em insuficiência respiratória aguda.

Os 3 Fenótipos Clínicos: Onde Está a Resistência?

  • Tipo 1 (Pré-Capilar): O Fenótipo Mais Comum: Aumento primário da Resistência Vascular Pulmonar (RVP). Gargalo: Vasos pré-capilares contraídos ou espessados.
  • Tipo 2 (Fluxo Aumentado): Remodelamento Vascular. Mecanismo: Aumento do fluxo sanguíneo pulmonar levando à hipertensão. Gargalo: Malformações arteriovenosas ou shunts esquerda-direita persistentes.
  • Tipo 3 (Pós-Capilar): Hipertensão Venosa: Aumento da pressão venosa/Disfunção do Ventrículo Esquerdo (VE). Gargalo: Obstrução venosa (ex: TAPVC) ou falência do VE.

Etiologia e Fatores de Risco

Ilustrações de uma gestante, um feto e um recém-nascido com listas de fatores de risco maternos, fetais e neonatais para HIPN, com logo Neofast.

Etiologia e Fatores de Risco

Fatores Maternos e Genéticos

  • Diabetes materno e tabagismo.
  • Uso de medicações durante a gestação (AINES, ISRS).
  • Predisposição Genética: polimorfismos no gene da eNOS (falha na produção de óxido nítrico endotelial).

Fatores Fetais e Anteparto

  • Hipóxia e acidose fetal.
  • PPROM (Ruptura Prematura de Membranas Prolongada).
  • Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) e hipoplasia pulmonar.

Fatores Neonatais (HIPN Secundária)

  • SAM: Síndrome de Aspiração de Mecônio (gatilho clássico).
  • SDR: Síndrome de Desconforto Respiratório.
  • Asfixia perinatal severa.
  • Sepse ou pneumonia neonatal.

Etiologia e Fatores de Risco

Mapa mental mostrando a etiologia da HIPN dividida em causas primárias e secundárias com seus respectivos mecanismos e exemplos clínicos, logo Neofast.

Etiologia e Fatores de Risco

A patogênese da HIPN é multifatorial, englobando fatores genéticos, ambientais e fisiológicos.

Causas Primárias

Conceito: Failure of normal vascular adaptation

  • A – Idiopática: Ausência de doença pulmonar parenquimatosa evidente.
  • B – Remodelamento Vascular: Hipertrofia da camada muscular lisa secundária a hipóxia fetal crônica.

Causas Secundárias

Conceito: Triggered by acute or structural pathology

  • A – Infecção/Inflamação: Sepse precoce, Pneumonia.
  • B – Obstrução/Aspiração: Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM/MAS).
  • C – Disfunção do Surfactante: Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR).
  • D – Hipoplasia Pulmonar: Oligoidrâmnio, Ruptura Prematura de Membranas (PPROM), Hérnia Diafragmática Congênita (HDC).

Diagnóstico Clínico

Página com blocos coloridos descrevendo a apresentação clínica suspeita de HIPN, o diagnóstico diferencial crítico com cardiopatias congênitas e a confirmação por ecocardiografia.

Diagnóstico Clínico

Apresentação Clínica (suspeita)

Cianose e hipoxemia refratária ao oxigênio. Desconforto respiratório precoce. Sopro cardíaco (fluxo excessivo ou regurgitação tricúspide).

Diagnóstico Diferencial Crítico (Exclusão Obrigatória)

Deve-se descartar Doenças Cardíacas Congênitas (CCHD) que mimetizam a HIPN:

  • TAPVC (Drenagem Venosa Pulmonar Anômala Total).
  • TGA (Transposição das Grandes Artérias).
  • Atresia Pulmonar (com/sem CIV).
  • Tetralogia de Fallot severa / Atresia Tricúspide.
  • Doenças obstrutivas do coração esquerdo (Coarctação de Aorta, SHCE).

Confirmação (Ecocardiografia)

HIPN Primária ou Secundária isolada.

Diagnóstico Clínico

Quatro ícones explicando hipoxemia refratária, diferencial pré e pós-ductal de SpO2, cianose/desconforto respiratório e sopros cardíacos, seguidos de fluxograma de diagnóstico diferencial com cardiopatias congênitas críticas.

Diagnóstico Clínico

  • Hipoxemia Refratária: Baixos níveis de oxigenação arterial que não respondem adequadamente à suplementação de oxigênio convencional.
  • Cianose e Desconforto Respiratório: Sinais precoces de falência respiratória que surgem logo após o nascimento, exigindo intervenção imediata.
  • Diferencial de Oxigenação (Pré/Pós-ductal): Diferença de saturação (SpO2) > 5-10% entre a mão direita (pré-ductal) e os membros inferiores (pós-ductal), confirmando shunt via PDA.
  • Sopros Cardíacos: Sopros de fluxo audíveis devido a shunt via PDA, regurgitação tricúspide ou defeitos congênitos subjacentes associados.

O reconhecimento imediato é vital para prevenir danos teciduais a longo prazo.

Diagnóstico Diferencial — Exclusão de Cardiopatias Congênitas Críticas (CCHD)

Apresentação Comum: Cianose severa + Hipoxemia Refratária

  • HIPN (Fisiológica): Disfunção vascular reversível. Tratamento: Vasodilatadores (iNO).
  • CCHD (Estrutural): Anomalias Mascaradas: Retorno Venoso Pulmonar Anômalo Total (TAPVC), Transposição das Grandes Artérias (TGA), Atresia Pulmonar, Tetralogia de Fallot grave, Lesões obstrutivas esquerdas.

Alerta: O uso cego de vasodilatadores sem ecocardiografia prévia pode ser prejudicial em anomalias estruturais específicas.

Padrão-Ouro: Ecocardiografia à Beira do Leito

Fluxograma dos sete passos da ecocardiografia à beira do leito para HIPN e blocos explicando o Índice de Oxigenação e o BNP/NT-proBNP como marcadores de gravidade.

Padrão-Ouro: Ecocardiografia à beira do leito (7 passos)

  1. Excluir CCHD: Avaliar dilatação do VD (suspeita principal).
  2. Estimar Pressão (PAP): Medição da pressão da artéria pulmonar.
  3. Avaliar Shunts: Direção do fluxo via PDA e PFO.
  4. Morfologia do Septo (Septal Flattening): Retificação do septo interventricular indicando sobrecarga direita.
  5. Doppler da Artéria Pulmonar: Formato da onda e relação tempo de aceleração / ejeção.
  6. Função Ventricular: Avaliação do débito e disfunção de VD e VE.
  7. Pré-carga e Débito Cardíaco: Estado de enchimento do coração.

Estratificação de Gravidade: OI e Biomarcadores

Métrica 1: Índice de Oxigenação (OI)

Cálculo da dependência de suporte ventilatório para oxigenação. OI > 25: Indica hipoxemia severa. Define altíssimo risco de disfunção pulmonar e é um indicativo crítico para avaliação de ECMO.

Métrica 2: Strain do Ventrículo Direito (BNP/ NT-proBNP)

Liberados pelo miocárdio em resposta à sobrecarga de pressão/volume. NT-proBNP: Mais estável (meia-vida de 60-120 min), preferencial para testes reprodutíveis. Limiar Preditivo: BNP > 850 pg/mL demonstrou alta sensibilidade para prever a necessidade de iNO. Uso Clínico: Essencial para monitoramento seriado (tendências) e previsão de HIPN de rebote durante o desmame.

Classificação de Gravidade: Índice de Oxigenação (OI)

Tela de aplicativo Neofast mostrando a calculadora do Índice de Oxigenação com a fórmula IO = (MAP x FiO2 x 100) / PaO2.

Classificação de Gravidade: Índice de Oxigenação (OI)

O principal marcador para guiar a escalada de suporte respiratório e ECMO.

Fórmula

IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2

  • MAP (cmH2O): Pressão Média de Vias Aéreas.
  • FiO2: Valores entre 0,21 e 1,00, onde 1,00 equivale a 100% e 0,40, a 40%, por exemplo.
  • PaO2 (mmHg): Pressão Parcial de Oxigênio.

OI = (FiO2 × MAP × 100) / PaO2

(Fração de Oxigênio Inspirado x Pressão Média de Vias Aéreas x 100) / Pressão Parcial de Oxigênio

Referência: Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster (editor), Steven M. Donn (editor) – Manual of neonatal respiratory care. (2022), p. 628 — critério de ECMO.

Índice de Oxigenação (IO) com o NeoFast

Tela do aplicativo NeoFast mostrando a calculadora do Índice de Oxigenação com os campos MAP, FiO2 e PaO2, além de uma barra de classificação por zonas de gravidade.

Obtenha o IO com a classificação e sugestão de intervenção com o NeoFast

Fórmula

IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2

  • MAP (cmH2O): 10
  • FiO2: 1 (Valores entre 0,21 e 1,00, onde 1,00 equivale a 100% e 0,40, a 40%, por exemplo.)
  • PaO2 (mmHg): 35

Resultado: 28,57 — Índice de oxigenação

Classificação por Zonas

ZonaClassificaçãoConduta
Zona Verde (OI < 10)HIPN LeveMonitoramento contínuo, suporte ventilatório e oxigenação basal.
Zona Amarela (OI 10-25)HIPN Moderada a GraveLimiar de intervenção farmacológica. Início de vasodilatadores direcionados (iNO)
Zona Vermelha (OI > 25)Falência Respiratória CríticaRisco iminente de disfunção pulmonar severa. Indicação de terapias de resgate agressivas e avaliação imediata para ECMO.

O Papel Estratégico dos Biomarcadores

Infográfico em formato de linha do tempo com três fases (diagnóstico, resposta ao tratamento e desmame) mostrando o comportamento do BNP e NT-proBNP na HIPN.

BNP e NT-proBNP: Mais do que diagnóstico, ferramentas de monitoramento longitudinal.

  • Fase 1: Diagnóstico (Sobrecarga Ventricular)

    Níveis consistentemente elevados em HIPN comparados a outras causas de falência respiratória. Insight: BNP > 850 pg/mL prevê alta sensibilidade para a necessidade de iNO.

  • Fase 2: Resposta ao Tratamento

    A meia-vida do BNP (~20 min) e a estabilidade do NT-proBNP (~60-120 min) permitem aferir o alívio do strain do Ventrículo Direito em tempo real.

  • Fase 3: O Perigo do Desmame (Rebound)

    O monitoramento em série é crucial para prever hipertensão pulmonar de rebote durante a retirada dos vasodilatadores.

Fundamentos do Manejo

Ilustração de um templo com três colunas representando os fundamentos do manejo da HIPN, sobre uma imagem estilizada de pulmões e vasos pulmonares.
  • Ventilação Gentil (Otimizada)

    Estratégia de proteção pulmonar para minimizar barotrauma. Alvos de saturação pré-ductal entre 93-97% (PaO2 55-80 mmHg) – a hiperóxia aumenta a formação de radicais livres e lesão pulmonar.

  • Suporte Hemodinâmico e Sedação

    Manutenção da pressão sistêmica para minimizar o shunt direita-esquerda. Sedação adequada para gerenciar dor e estresse, evitando picos de resistência vascular.

  • Terapia de Surfactante e Correção Metabólica

    Administração de surfactante em casos associados a déficits (ex: SDR, SAM). Correção estrita de desequilíbrios eletrolíticos e acidose.

A base do tratamento foca em evitar lesão pulmonar adicional antes da escalada para vasodilatadores.

Terapias alvo específicas (iNO, Sildenafila) requerem estabilidade hemodinâmica prévia.

Terapia de Primeira Linha: Óxido Nítrico Inalatório (iNO)

Página informativa sobre o óxido nítrico inalatório com dosagens e imagem de um dispositivo de administração de óxido nítrico (INOmax).

Mecanismo de Ação

Vasodilatação pulmonar seletiva (relaxamento direto da musculatura lisa sem afetar a pressão sistêmica). Meia-vida ultra-curta (2 a 6 segundos). Resposta clínica esperada em 30 minutos.

Dose Inicial Padrão

20 ppm (Termo ou próximo ao termo).

Considerações Específicas

  • Pré-termos: 5 a 10 ppm.
  • Casos Refratários: 40-80 ppm se não houver resposta inicial.

Alvos: Redução >10% no Índice de Oxigenação, aumento >10% na PaO2 e redução >10% na Pressão da Artéria Pulmonar (PASP).

Vasodilatadores Direcionados I: Sildenafila – Dose de Ataque

Cartão de prescrição da Sildenafila ao lado de tela do aplicativo NeoFast configurada para calcular a dose de ataque intravenosa.

Prescription Card – Sildenafila

Inibidor da Fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).

Via intravenosa

  • Dose de Ataque: 0,4 mg/kg por 3h
  • Manutenção: 0,067 mg/kg/hora.

Via oral

  • Dose Inicial: 0,5 mg/kg (ou 1 mg/kg a cada 6h por 48-72h).
  • Manutenção: 1 a 2 mg/kg a cada 6 horas.

Simulação no App NeoFast (Ataque)

ParâmetroValor
Peso (Kg)2
Dose desejada (mg/kg)0,4
Dose sugerida de ataque0,4mg/kg
Dose0,8mg
Dose1mL
Diluir com SF0,9%1mL
Concentração final0,4mg/mL
Volume total a ser administrado2mL
Gotejamento0,67mL/h
Tempo de infusão3h

Vasodilatadores Direcionados I: Sildenafila Contínua

Cartão de prescrição da Sildenafila ao lado de tela do aplicativo NeoFast configurada para calcular a dose de manutenção contínua intravenosa.

Prescription Card – Sildenafila

Inibidor da Fosfodiesterase tipo 5 (PDE5).

Via intravenosa

  • Dose de Ataque: 0,4 mg/kg por 3h
  • Manutenção: 0,067 mg/kg/hora.

Via oral

  • Dose Inicial: 0,5 mg/kg (ou 1 mg/kg a cada 6h por 48-72h).
  • Manutenção: 1 a 2 mg/kg a cada 6 horas.

Simulação no App NeoFast (Contínuo)

ParâmetroValor
Peso (Kg)2
Dose desejada (mg/kg/h)0,067
Dose contínua0,067mg/kg/h
Gotejamento pretendido (mL/h)0,5
Dose4,02mL
Diluir com SF0,9%7,98mL
Concentração final0,27mg/mL
Total nas 24h12mL

Vasodilatadores Direcionados I: Milrinona Contínua

Tela do aplicativo NeoFast para cálculo de dose de manutenção de Milrinona ao lado de cartão de prescrição do fármaco.

Prescription Card – Milrinona

Inibidor da PDE3. Excelente para disfunção VE/VD.

Via intravenosa contínua

  • Dose: 0,2 a 1 mcg/kg/min
  • Faixa alvo ideal: 0,25 a 0,75 mcg/kg/min

Especialmente indicada se houver disfunção de ventrículo esquerdo ou direito comprovado no ecocardiograma.

Simulação no App NeoFast

ParâmetroValor
Peso (Kg)2
Dose desejada (mcg/kg/min)0,25
Dose sugerida de manutenção0,3 a 0,75mcg/kg/min
Gotejamento pretendido (mL/h)0,2
Dose0,72mL
Diluir com SF0,9%, SG5%4,08mL
Concentração final150mcg/mL
Total nas 24h4,8mL
IntervaloContínuo por 35h

Vasodilatadores Direcionados II e Suporte Inotrópico/Vasopressor

Cartões de prescrição de Bosentana e Prostanoides, seguidos de uma tabela com destaque para Prostaglandina E1 e doses de vasopressores e inotrópicos.

Prescription Card – Bosentana

Antagonista do Receptor de Endotelina. Uso frequente como terapia adjuvante ou se falha/indisponibilidade do iNO.

Via Oral (VO)

1 a 2 mg/kg a cada 12 horas.

Prescription Card – Prostanoides (Via da Prostaciclina)

Vasodilatadores potentes.

  • Iloprost Inalatório: 1 a 2,5 mcg/kg a cada 2 a 4 horas.
  • Epoprostenol Intravenoso (IV): 1 a 2 ng/kg/min. 50 a 80 ng/kg/min.

Nota: Treprostinil também pode ser considerado nesta classe funcional.

Suporte Inotrópico, Vasopressor e Patência Ductal

Destaque Crítico: Prostaglandina E1 (PGE1)

Indicação: HIPN Fenótipo 3 ou Ventrículo Direito em falência (fechamento do ducto com disfunção de VD). Mantém o ducto arterioso aberto como ‘válvula de escape’. Dose IV: 5 a 10 ng/kg/min.

Tabela de Vasopressores e Inotrópicos (Se PAM < 45-50 mmHg pós volume)

FármacoDoseIndicação Específica
Adrenalina0,05 a 0,4 mcg/kg/minSe diminuir a Função VE ou ↓ Pressão de pulso
Noradrenalina0,05 a 0,4 mcg/kg/minSe Sepse, RVS ou ↑ Pressão de pulso
Dobutamina5 – 20 mcg/kg/minAlternativa se Milrinona for inadequada ou sem eco
Vasopressina0,01 – 0,05 U/kg/hEm casos de hipotensão resistente
Hidrocortisona2-2,5 mg/kg a cada 6hAdjuvante no suporte pressórico

PGE1 – Cálculo de Medicação Contínua

Duas telas do aplicativo NeoFast mostrando o preenchimento dos campos para cálculo de infusão contínua de Alprostadil (PGE1) e o resultado gerado.

PGE1

Alprostadil (Prostin® e Prostavasin®)

  • Modo: EV contínuo
  • Apresentações: 500mcg/mL Solução, 10mcg/mL Pó, 20mcg/mL Pó
  • Restrição hídrica: Sem Restrição Hídrica ou Restrição Hídrica

Campos de entrada

  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,01
  • Dose sugerida: 0,01 a 0,4mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,2

Resultado – Alprostadil (Prostin® e Prostavasin®) EV contínuo – 500mcg/mL Solução

Dose0,06mL
Diluir com SF0,94,74mL
Concentração final6mcg/mL
Total nas 24h4,8mL
  • Informações adicionais / Referências bibliográficas

Preencha e obtenha os Resultados

Em Segundos!

Adrenalina e Noradrenalina

Duas telas do aplicativo NeoFast exibindo os cálculos de infusão contínua de Adrenalina (Epinefrina) e Norepinefrina (Noradrenalina) com seus respectivos resultados e notas de diluição.

Adrenalina e Noradrenalina

Adrenalina (Epinefrina)

  • Modo: EV contínuo
  • Apresentação: 1mg/mL
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,05
  • Dose sugerida: 0,05 a 1mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,1

Resultado – Adrenalina (Epinefrina) EV contínuo – 1mg/mL

Dose0,14mL
Diluir com SF0,9%, SG5% ou SG10%2,26mL
Concentração final0,06mg/mL
Total nas 24h2,4mL

Nota: a concentração final da infusão contínua é de até 64 mcg/mL (0,064 mg/mL).

  • Adrenalina dose intermitente
  • Volumes para equipo – EV contínuo – 1mg/mL
  • Informações adicionais / Referências bibliográficas

Norepinefrina (Noradrenalina)

  • Modo: EV contínuo
  • Apresentação: 1mg/mL
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,2
  • Faixa: 0,2 a 2mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,3

Resultado – Norepinefrina (Noradrenalina) EV contínuo – 1mg/mL

Dose0,58mL
Diluir com SGF, SG5%, RL, SF0,9%6,62mL
Concentração final80mcg/mL
Total nas 24h7,2mL

Nota: diluir para obter uma concentração entre 16 a 100mcg/mL (para o cálculo adotou-se concentração de até 100mcg/mL). Evitar o uso de SF0,9% puro para a diluição, devido à oxidação e perda da eficácia da droga. Todas as apresentações disponíveis no comércio são de 1mg/mL de norepinefrina base. A ampola de noradrenalina do fabricante apresenta no rótulo a informação de 8mg/4mL de hemitartarato de norepinefrina. Isso equivale a 4mg/4mL de norepinefrina base. Portanto, para cálculos de dose considerar 4mg/4mL.

  • Volumes para equipo – EV contínuo – 1mg/mL
  • Informações adicionais / Referências bibliográficas

Dobutamina e Vasopressina

Duas telas do aplicativo NeoFast destacando com círculos vermelhos as opções selecionadas (acesso central, concentração e unidade de dose) para cálculo de infusão contínua de Dobutamina e Vasopressina.

Dobutamina e Vasopressina

Dobutamina

  • Modo: EV – acesso central (destacado)
  • Opção alternativa: EV – acesso periférico
  • Concentração selecionada: 12,5mg/mL (destacado)
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 10
  • Dose sugerida: 2 a 25mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,6

Resultado – Dobutamina EV – acesso central – 12,5mg/mL

Dose2,3mL
Diluir com SF0,9%, SG5%, SG10%, RL12,1mL
Concentração final2mg/mL
Total nas 24h14,4mL

Nota: a concentração final recomendada após a diluição é de até 2mg/mL. Na indisponibilidade de acesso central, realize o…

Vasopressina

  • Modo: EV contínuo
  • Concentrações disponíveis: 0,2UI/mL, 0,4UI/mL, 0,6UI/mL (destacado), 1UI/mL, 20UI/mL
  • Unidade de dose: UI/kg/min ou UI/kg/h (destacado)
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (UI/kg/h): 0,01
  • Faixa: 0,001 a 0,003 UI/kg/h

Resultado – Vasopressina EV contínuo – 0,6UI/mL

Dose0,8mL
Concentração final0,6UI/mL
Total nas 24h0,8mL
Gotejamento0,033mL/h
  • Volumes para equipo – EV contínuo – 0,6UI/mL
  • Informações adicionais / Referências bibliográficas

Em Segundos!

Terapia de Resgate: ECMO

Infográfico explicando a ECMO como terapia de resgate na hipertensão pulmonar neonatal e uma matriz de decisão comparando condutas em centros com recursos versus recursos limitados.

Terapia de Resgate: ECMO

O Que É: Oxigenação por Membrana Extracorpórea. Fornece suporte de bypass cardiopulmonar quando o pulmão neonatal falha completamente em oxigenar ou o coração falha em bombear.

Indicações Críticas para Acionamento da Equipe ECMO:

  • Índice de Oxigenação (OI) permanece > 25 apesar da terapia vasodilatadora e ventilatória maximizada.
  • Falha em atingir objetivos respiratórios seguros (PaO2 > 60 mmHg).
  • Piora persistente ou progressiva das funções ventriculares (VD/VE) documentadas no Ecocardiograma.

Ação: A discussão para encaminhamento e aconselhamento precoce com o centro de ECMO salva vidas. Não espere o colapso irreversível.

Matriz de Decisão: Recursos

Centro com Recursos (INO/ECMO Disponíveis)

  • 1. Otimização global (Ventilação, fluidos, PAM > 45 mmHg).
  • 2. Diagnóstico Eco / Clínico → Iniciar iNO 20 ppm.
  • 3. Se refratário: Adicionar infusão de Sildenafila ou Prostaciclina inalatória.
  • 4. Suporte cardíaco: Milrinona / Epinefrina / PGE1 (conforme Eco).
  • 5. Sem resposta (OI >25) → Referenciar para ECMO.

Recursos Limitados (Sem iNO / Sem ECMO)

  • 1. Otimização global estrita. Descartar CCHD o mais rápido possível.
  • 2. Iniciar Primeira Linha: Sildenafila IV ou VO (1mg/kg 6h por 48h → 2mg/kg 6h).
  • 3. Se ausência de resposta: Adicionar Bosentana VO (1-2 mg/kg a cada 12h).
  • 4. Suporte Cardíaco agressivo: Milrinona (ou Dobutamina se sem Eco), Epinefrina, Hidrocortisona. Vasopressina para hipotensão refratária.

Conclusões Pragmáticas para a Prática Clínica

Página final de conclusões práticas resumindo cinco pontos-chave sobre diagnóstico, otimização, farmacologia, flexibilidade terapêutica e o uso do aplicativo NeoFast no manejo da hipertensão pulmonar neonatal.

Conclusões Pragmáticas para a Prática Clínica

  • 1. Identificação é Corrida Contra o Tempo
    A HIPN exige diagnóstico precoce. A ecocardiografia à beira-leito (7 passos) é o padrão-ouro inegociável para fenotipar a doença e excluir cardiopatias congênitas.
  • 2. Fundações Vêm Primeiro
    Vasodilatadores direcionados são ineficazes sem um pulmão otimizado (recrutamento, oxigenação alvo 93-97%) e correção rigorosa do meio interno (acidose, cálcio, pressão de perfusão).
  • 3. Farmacologia de Precisão
    Respeite as janelas terapêuticas. Utilize o iNO como primeira linha, MAS DOMINE as titulações exatas da Sildenafila, Milrinona e Prostanoides como resgate ou alternativas viáveis.
  • 4. Flexibilidade Terapêutica
    Na ausência de iNO e ECMO, o suporte empírico rápido com inibidores de PDE e antagonistas de endotelina (Bosentana), associado ao manejo de pressão e contratilidade (Epi/Hidrocortisona), dita a sobrevivência do neonato.
  • 5. NeoFast – prescrição segura
    Prescreva de forma precisa, segura e rápida. Unindo conhecimento com suporte as decisões clínicas.

Perguntas frequentes

Qual é a dose inicial de óxido nítrico inalatório (iNO) na HIPN?

A dose inicial padrão é 20 ppm para recém-nascidos a termo ou próximos ao termo. Em pré-termos, utiliza-se 5 a 10 ppm, e em casos refratários pode-se aumentar para 40-80 ppm se não houver resposta inicial.

Como calcular o Índice de Oxigenação (OI) e o que significam suas faixas de valor?

O OI é calculado pela fórmula (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2. Na classificação por zonas: OI < 10 (Zona Verde) indica HIPN leve com monitoramento contínuo; OI 10-25 (Zona Amarela) indica HIPN moderada a grave, sendo o limiar para iniciar vasodilatadores direcionados como iNO; OI > 25 (Zona Vermelha) indica falência respiratória crítica com indicação de terapias de resgate agressivas e avaliação imediata para ECMO.

Quando indicar ECMO em um recém-nascido com HIPN?

ECMO deve ser considerado quando o Índice de Oxigenação (OI) permanece > 25 apesar da terapia vasodilatadora e ventilatória maximizada, quando há falha em atingir PaO2 > 60 mmHg, ou quando há piora persistente ou progressiva das funções ventriculares (VD/VE) documentadas no ecocardiograma. A discussão precoce com o centro de ECMO é recomendada, sem esperar o colapso irreversível.

Qual a importância do BNP/NT-proBNP no manejo da HIPN?

BNP e NT-proBNP são liberados pelo miocárdio em resposta à sobrecarga de pressão/volume. Um valor de BNP > 850 pg/mL demonstrou alta sensibilidade para prever a necessidade de iNO. O NT-proBNP, por ter meia-vida mais estável (60-120 min) comparado ao BNP (~20 min), é preferencial para monitoramento seriado (tendências) e para prever hipertensão pulmonar de rebote durante o desmame dos vasodilatadores.

Quais cardiopatias congênitas críticas (CCHD) devem ser excluídas antes de tratar HIPN?

Devem ser descartadas: TAPVC (Drenagem Venosa Pulmonar Anômala Total), TGA (Transposição das Grandes Artérias), Atresia Pulmonar (com/sem CIV), Tetralogia de Fallot severa, Atresia Tricúspide e doenças obstrutivas do coração esquerdo (Coarctação de Aorta, SHCE). O uso cego de vasodilatadores sem ecocardiografia prévia pode ser prejudicial nessas anomalias estruturais.

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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