Principais pontos
- O anion gap neonatal normal é de 4–12 mEq/L (8 ± 4); valores acima de 16 em acidose metabólica sugerem acidose lática, enquanto entre 8 e 16 o AG não diferencia as causas.
- A fórmula de Winters (pCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8, ± 2 mmHg) permite verificar se a compensação respiratória da acidose metabólica é adequada.
- Uma mudança aguda na PaCO₂ altera o pH de forma previsível: na hipercapnia, pH esperado = 7,40 − (PaCO₂ − 40) × 0,006; se o pH medido diferir mais de ± 0,03 do esperado, há necessariamente um distúrbio metabólico associado.
- Bolhas de ar na amostra reduzem a PaCO₂ e levam a PaO₂ a tender para ~150 mmHg; todas as bolhas devem ser retiradas antes de colocar a amostra no analisador.
- O bicarbonato de sódio não é recomendado rotineiramente nem na RCP, e pode ser prejudicial na hipóxia com acidose metabólica, devendo-se priorizar o tratamento da causa e a restauração da oferta de O₂.
Referências
- Travers C, Ambalavanan N. Blood gases: technical aspects and interpretation. In: Keszler M, Gautham KS, eds. Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7ª ed. Elsevier; 2022. Cap. 10, p. 94–110.
- Mathew B, Lakshminrusimha S. Noninvasive monitoring of gas exchange. In: Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7ª ed. Elsevier; 2022. Cap. 11.
- Albert MS, Dell RB, Winters RW. Quantitative displacement of acid-base equilibrium in metabolic acidosis. Ann Intern Med. 1967;66:312-22.
- Adrogué HJ, Madias NE. Secondary responses to altered acid-base status: the rules of engagement. J Am Soc Nephrol. 2010;21:920-3.
- Berend K, de Vries AP, Gans RO. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371:1434-45.
- Lorenz JM, Kleinman LI, Markarian K, et al. Serum anion gap in the differential diagnosis of metabolic acidosis in critically ill newborns. J Pediatr. 1999;135:751-5.
- Kraut JA, Madias NE. Serum anion gap: its uses and limitations in clinical medicine. Clin J Am Soc Nephrol. 2007;2:162-74.
- The Harriet Lane Handbook. 23ª ed. Elsevier; 2023. Tabela 11.14.
- Kliegman RM, St Geme JW III, Blum NJ, et al. Nelson Textbook of Pediatrics. 22ª ed. Elsevier; 2025.
- Mammel MC, van Kaam AHLC, Donn SM, eds. Manual of Neonatal Respiratory Care. 5ª ed. Springer; 2022.
- Fórmula de Winters: Albert MS, Dell RB, Winters RW. Quantitative displacement of acid-base equilibrium in metabolic acidosis. Ann Intern Med 1967;66:312-22.
- Acidose respiratória: Adrogué HJ, Madias NE. Secondary responses to altered acid-base status: the rules of engagement. J Am Soc Nephrol 2010;21:920-3.
- Acidose respiratória: The Harriet Lane Handbook. 23ª ed. Elsevier; 2023. Tabela 11.14.
- Acidose respiratória: Berend K, de Vries AP, Gans RO. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med 2014;371:1434-45. Tabela 1.
- Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster, Alice D’Agostini Deutsch – Terapia Intensiva: Pediatria e Neonatologia – Atheneu, p. 851 e 853 — fórmula e faixa normal.
- Ashok P. Sarnaik, Shekhar T. Venkataraman, Bradley A. Kuch – Mechanical Ventilation in Neonates and Children: A…

GUIA À BEIRA DO LEITO · NEONATOLOGIA
Gasometria neonatal: interprete certo, passo a passo
Qualidade da amostra, regras de compensação, anion gap neonatal, fórmula deWinters e índices de oxigenação.
Referências
- Travers C, Ambalavanan N. Blood gases: technical aspects and interpretation. In: Keszler M, Gautham KS, eds. Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7ª ed. Elsevier; 2022. Cap. 10, p. 94–110.
- Mathew B, Lakshminrusimha S. Noninvasive monitoring of gas exchange. In: Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7ª ed. Elsevier; 2022. Cap. 11.
- Albert MS, Dell RB, Winters RW. Quantitative displacement of acid-base equilibrium in metabolic acidosis. Ann Intern Med. 1967;66:312-22.
- Adrogué HJ, Madias NE. Secondary responses to altered acid-base status: the rules of engagement. J Am Soc Nephrol. 2010;21:920-3.
- Berend K, de Vries AP, Gans RO. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371:1434-45.
- Lorenz JM, Kleinman LI, Markarian K, et al. Serum anion gap in the differential diagnosis of metabolic acidosis in critically ill newborns. J Pediatr. 1999;135:751-5.
- Kraut JA, Madias NE. Serum anion gap: its uses and limitations in clinical medicine. Clin J Am Soc Nephrol. 2007;2:162-74.
- The Harriet Lane Handbook. 23ª ed. Elsevier; 2023. Tabela 11.14.
- Kliegman RM, St Geme JW III, Blum NJ, et al. Nelson Textbook of Pediatrics. 22ª ed. Elsevier; 2025.
- Mammel MC, van Kaam AHLC, Donn SM, eds. Manual of Neonatal Respiratory Care. 5ª ed. Springer; 2022.
Seis passos, em toda gasometria

A gasometria arterial continua sendo o padrão-ouro para avaliar oxigenação e ventilação no recém-nascido grave, mas só se for interpretada corretamente.
- Passo 0 — A amostra é confiável? Bolhas de ar, diluição, atraso, coleta capilar, HbF, temperatura.
- Passo 1 — pH. Acidemia ou alcalemia?
- Passo 2 — PaCO₂ + pH esperado. O CO₂ explica todo o pH?
- Passo 3 — HCO₃⁻ / BE / lactato. Componente metabólico e sua origem.
- Passo 4 — Compensação esperada. Winters, regra da alcalose, regra da acidose respiratória.
- Passo 5 — Anion gap + oxigenação. Faixa neonatal do AG, CaO₂, IO, OSI, AaDO₂.
Uma gasometria muito diferente da anterior é uma mudança importante no paciente ou um erro de medida. Nunca a interprete sem o quadro clínico.
Os erros acontecem antes do analisador

Os erros pré-analíticos (coleta e manuseio) são os que o clínico mais encontra.
| Problema | Efeito no resultado |
|---|---|
| Bolhas de ar | A PaCO₂ cai. A PaO₂ tende a ~150 mmHg (sobe se estava abaixo, cai se estava acima). Até um scalp expõe ar suficiente. |
| Diluição com soro | A PaCO₂ cai e o déficit de base aumenta, quase sem mudar o pH: simula acidose metabólica + alcalose respiratória. |
| Emulsão lipídica · heparina | Sem efeito relevante. |
| Atraso no processamento | As células continuam consumindo O₂. PaO₂/SaO₂ estáveis por até 30 min (em temperatura ambiente ou no gelo); a PaCO₂ sobe após 20 min, sem significado clínico. |
| Lactato | Processar em até 15 min, ou ocorre o aumento na espera. |
Retire todas as bolhas de ar antes de colocar a amostra no analisador.
Três armadilhas exclusivas da UTI neonatal

1 · Amostra capilar arterializada
- CAU e calcanhar aquecido, coletados ao mesmo tempo: a capilar prediz mal o pH, a PaCO₂ e a PaO₂ arteriais.
- Mais útil no RN em ventilação crônica, para acompanhar grandes variações de pH e PaCO₂.
- Nunca ajuste a FiO₂ por uma PaO₂ capilar.
2 · Hemoglobina fetal e a SaO₂ do laudo
- A maioria dos analisadores calcula a SaO₂ a partir da PaO₂, supondo hemoglobina adulta.
- Com HbF alta (curva desviada para a esquerda), a saturação calculada fica falsamente baixa.
- Precisa do valor real? Use a co-oximetria.
3 · Temperatura (hipotermia terapêutica)
- Os analisadores informam a 37 °C; o RN em hipotermia está a 33,5–34,5 °C.
- O resultado a 37 °C pode não refletir o estado real do paciente, e não há consenso sobre a correção.
- Alguns serviços informam os valores: corrigidos e não corrigidos.
Primeiro o pH: de que lado estamos?

- 7,35 – 7,45 — pH normal
- HCO₃⁻ : CO₂ = 20 : 1 — Tampão ácido carbônico–bicarbonato
- Em toda a faixa de pH compatível com a vida (6,9–7,6), a [H⁺] varia menos de 0,13 mmol/L: o controle é muito estreito.
- A compensação (“resposta secundária”) leva o pH em direção ao normal, mas em geral não corrige totalmente nem hipercorrige.
- Resposta respiratória: começa quase imediatamente e age em minutos.
- Resposta renal: começa em 6–12 h e leva 3–5 dias.
| Distúrbio primário | pH | Alteração primária |
|---|---|---|
| Acidose respiratória | ↓ | PaCO₂ ↑ |
| Alcalose respiratória | ↑ | PaCO₂ ↓ |
| Acidose metabólica | ↓ | HCO₃⁻ ↓ (BE mais negativo) |
| Alcalose metabólica | ↑ | HCO₃⁻ ↑ |
pH “normal” com PaCO₂ e HCO₃⁻ alterados é distúrbio misto até prova em contrário.
O CO2 explica o pH?

PaCO₂ normal: 35–45 mmHg. Uma mudança aguda da PaCO₂ altera o pH em uma quantidade previsível.
- Hipercapnia: pH esperado = 7,40 − (PaCO₂ − 40) × 0,006
- Hipocapnia: pH esperado = 7,40 + (40 − PaCO₂) × 0,01
Exemplo: PaCO₂ 55 mmHg → 15 × 0,006 = 0,09 → pH esperado 7,31. Se o pH medido diferir mais de ± 0,03, há necessariamente um distúrbio metabólico.
- Ventilação alveolar = FR × (Vc − espaço morto). O espaço morto pode chegar a 20% do Vc no RN de extremo baixo peso intubado.
- Esta checagem funciona sem olhar o HCO₃⁻ nem o BE.
Excesso de base e lactato: conheça os limites

Excesso de base / déficit de base
- Quantidade de ácido ou base necessária para levar o pH a 7,4 com PaCO₂ normal.
- Derivado de nomogramas: os valores diferem entre fabricantes de analisadores.
- O HCO₃⁻ do laudo da gasometria é calculado, não medido.
Lactato
- RN a termo: em geral < 2,0 mmol/L (use os valores de referência locais).
- Os valores arterial, venoso e capilar se correlacionam bem. Processar em até 15 min.
- O maior lactato nas primeiras horas prediz EHI moderada a grave após asfixia intraparto.
- Distingue produção de ácido (oferta de O₂ insuficiente) de perda de bicarbonato (ex.: acidose tubular renal).
Fórmula de Winters: a ventilação está acompanhando?

Disponível no NeoFast
pCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 (± 2) mmHg
Exemplo: HCO₃⁻ 12 → pCO₂ esperada 26 (24–28 mmHg)
- pCO₂ medida acima da faixa → acidose respiratória associada.
- pCO₂ medida abaixo da faixa → alcalose respiratória associada.
- No RN em ventilação mecânica, a “resposta respiratória” são os parâmetros do seu ventilador.
Interpretação do resultado (app NeoFast): Compare o PCO₂ calculado com o PCO₂ do paciente obtido na gasometria da seguinte forma: PCO₂ do paciente maior que o calculado → acidose respiratória associada (hipoventilação); valores iguais (dentro da faixa ± 2) → compensação respiratória adequada, acidose metabólica pura; PCO₂ do paciente menor que o calculado → alcalose respiratória associada (hiperventilação). Nota: fórmula utilizada: PCO₂ = (1,5 × [HCO₃]) + 8 (intervalo ± 2).
Passo 5 · Anion gap

Disponível no NeoFast
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)
Sem potássio · mEq/L
| AG (mEq/L) | Interpretação |
|---|---|
| 4 – 12 | Faixa neonatal normal (8 ± 4) |
| > 12 | Aumentado |
| > 16 | Na acidose metabólica, sugere acidose lática |
- Entre 8 e 16, o AG não diferencia as causas.
- Faixa obtida de RN graves na 1ª semana. Varia com o analisador.
Tela do aplicativo
- Fórmula: AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)
- Na⁺ (mEq/L), de 100 a 200
- Cl⁻ (mEq/L), de 50 a 150
- HCO₃⁻ (mEq/L), de 1 a 60
- Link: Anion gap corrigido pela albumina
Observações
O cálculo não inclui potássio. A faixa neonatal vem de RN gravemente enfermos na 1ª semana de vida (Lorenz 1999) e varia com o analisador. Na acidose metabólica, AG acima de 16 sugere acidose láctica; entre 8 e 16 não diferencia as causas (Lorenz 1999).
Na⁺, Cl⁻ e HCO₃⁻: 1 mEq/L = 1 mmol/L.
Passo 4 · Alcalose metabólica

Disponível no NeoFast
pCO₂ esperada = 20 + 0,7 × (HCO₃⁻) (± 5)
mmHg
Exemplo: HCO₃⁻ 34 → pCO₂ esperada 43,8 (38,8 – 48,8 mmHg)
Causas neonatais
- Acidose respiratória crônica compensada com PaCO₂ reduzida rápida demais.
- Diuréticos crônicos (hipocloremia); perdas gástricas.
- Excesso de acetato na NP; citrato após exsanguineotransfusão.
Tela do aplicativo
pCO₂ esperado na alcalose metabólica
- Regra 1 (Oh’s): pCO₂ = 0,9 × HCO₃⁻ + 9 (± 2) mmHg
- Regra 2 (Boston): pCO₂ = 0,7 × HCO₃⁻ + 20 (± 5) mmHg
- Regra 3 (Adrogué e Madias; Harriet Lane): pCO₂ = 40 + 0,7 × (HCO₃⁻ − 24) mmHg
HCO₃⁻ (mEq/L): 34 (faixa de 15 a 60)
- 39,60 mmHg (37,60 a 41,60) — pCO₂ esperado, regra 1: 0,9 × HCO₃⁻ + 9
- 43,80 mmHg (38,80 a 48,80) — pCO₂ esperado, regra 2: 0,7 × HCO₃⁻ + 20
- 47,00 mmHg — pCO₂ esperado, regra 3: 40 + 0,7 × (HCO₃⁻ − 24)
Passo 4 · Acidose respiratória

Disponível no NeoFast
| Fase | Aumento esperado do HCO₃⁻ |
|---|---|
| Aguda | +1 mEq/L a cada 10 mmHg de aumento da pCO₂ |
| Crônica > 2–5 dias | ≈ +4 (3,5–5) mEq/L a cada 10 mmHg de aumento da pCO₂ |
Exemplo: RN com DBP, pCO₂ 60 mmHg há semanas → HCO₃⁻ esperado ≈ 24 + 2 × (3,5–4) = 31–32 mEq/L.
- HCO₃⁻ menor que o esperado → acidose metabólica associada.
- HCO₃⁻ maior que o esperado → alcalose metabólica associada (ex.: diuréticos).
Tela do aplicativo
Equilíbrio ácido-base
ACIDOSE METABÓLICA
- Fórmula de Winters
- Anion gap
- Anion gap corrigido pela albumina
ALCALOSE METABÓLICA
- pCO₂ esperado na alcalose metabólica
ACIDOSE RESPIRATÓRIA
Compensação metabólica esperada
| Fase | Compensação |
|---|---|
| Fase aguda | +1 mEq/L de HCO₃⁻ para cada 10 mmHg de aumento da pCO₂ |
| Fase crônica | cerca de +4 (3,5 a 5) mEq/L de HCO₃⁻ para cada 10 mmHg de aumento da pCO₂ |
Crônica: 2 a 5 dias (Berend 2014).
Referência
- Fórmula de Winters: Albert MS, Dell RB, Winters RW. Quantitative displacement of acid-base equilibrium in metabolic acidosis. Ann Intern Med 1967;66:312-22.
- Acidose respiratória: Adrogué HJ, Madias NE. Secondary responses to altered acid-base status: the rules of engagement. J Am Soc Nephrol 2010;21:920-3.
- Acidose respiratória: The Harriet Lane Handbook. 23ª ed. Elsevier; 2023. Tabela 11.14.
- Acidose respiratória: Berend K, de Vries AP, Gans RO. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med 2014;371:1434-45. Tabela 1.
Tratamento · Bicarbonato

Disponível no NeoFast
Não é para uso rotineiro. Não é mais recomendado na RCP. Pode ser prejudicial na hipóxia com acidose metabólica: trate a causa e restaure a oferta de O₂.
HCO₃⁻ (mEq) = déficit de base × peso (kg) × 0,3
- Bicarbonato a 8,4% (1 mEq/mL) diluído 1:1 em água destilada → 0,5 mEq/mL.
- Infundir lentamente, de preferência em 30–60 min ou 1 mEq/Kg/h.
- Gera CO₂: cuidado na acidose mista, a menos que o volume-minuto aumente.
- O NeoFast sugere infundir a 1 mEq/kg/h e coloca o resultado na tela, simples e rápido.
Tela do aplicativo
Déficit de bicarbonato
- Peso (Kg): 2
- HCO₃⁻ desejado (mEq/L): 24
- HCO₃⁻ atual do paciente (mEq/L): 15 — Valor da gasometria do paciente
5,4 mEq — Déficit de bicarbonato · ΔHCO₃⁻ 9 mEq/L
O app converte esta dose em mL de bicarbonato a 8,4% na seção Medicamentos: Bicarbonato de sódio (acidose metabólica)
Nota: HCO₃⁻ necessário (mEq) = (HCO₃⁻ desejado − HCO₃⁻ atual) × 0,3 × peso (kg). Para o bicarbonato, 1 mEq = 1 mmol (íon monovalente), por isso os dois valores coincidem.
Medicamentos · Bicarbonato de sódio

Medicamentos
- Bicarbonato de sódio
- Acidose metabólica (cálculo com base no déficit de base)
Opções: Calcular o déficit de HCO₃⁻ / Já tenho o déficit de HCO₃⁻
Concentração: 8,4%
Unidades: mEq/L | mg/dl
- Peso (Kg): 2
- déficit de HCO3 (mEq/L): 5,4
Bicarbonato de sódio — Já tenho o déficit de HCO₃⁻ – 8,4%
- Dose: 3,24 mEq
- Dose: 3,24 mL
Diluição
- Diluir a dose em mL com AD: 3,24 mL
- Concentração final após diluição: 0,5 mEq/mL
- Volume total a ser administrado: 6,48 mL
- Tempo de infusão (a 1 mEq/kg/h): 1h38min
- Velocidade de infusão (solução a 0,5 mEq/mL): 4 mL/h
Oxigenação · Conteúdo arterial de O2

Disponível no NeoFast
CaO₂ = (Hb × 1,34 × SaO₂) + (PaO₂ × 0,0031)
Exemplo: Hb 15, SaO₂ 95%, PaO₂ 60 → 19,3 mL/dL, dos quais só 0,2 está dissolvido.
- A hemoglobina transporta quase todo o O₂: aumentar a PaO₂ acrescenta muito pouco.
- A HbF desvia a curva para a esquerda: SaO₂ maior com a mesma PaO₂. A transfusão de Hb adulta a desloca de volta.
- A oferta de O₂ também depende do débito cardíaco (120–150 mL/kg/min).
Tela do aplicativo
Conteúdo Arterial de Oxigênio – CaO2
Fórmula: CaO2 = (Hb × 1,34 × SaO2) + (PaO2 × 0,0031)
- Hb (g/dL)
- SaO2 — Valores entre 0 a 1,0, onde 1 equivale a 100%.
- PaO2 (mmHg)
Valores de referência
Normal: 18 – 20 mL/dL. O conteúdo venoso de referência é de 13 a 16 mL/dL, e a diferença arteriovenosa, de 4 a 5,5 mL/dL.
Fonte: Knobel.
Referência
- Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster, Alice D’Agostini Deutsch – Terapia Intensiva: Pediatria e Neonatologia – Atheneu, p. 851 e 853 — fórmula e faixa normal.
- Ashok P. Sarnaik, Shekhar T. Venkataraman, Bradley A. Kuch – Mechanical Ventilation in Neonates and Children: A…
Oxigenação · Conteúdo arterial de O2 (resultado)

Conteúdo Arterial de Oxigênio – CaO2
Fórmula: CaO2 = (Hb × 1,34 × SaO2) + (PaO2 × 0,0031)
- Hb (g/dL): 15
- SaO2: 0,95 — Valores entre 0 a 1,0, onde 1 equivale a 100%.
- PaO2 (mmHg): 60
19,28 mL/dL — Conteúdo arterial de oxigênio
Normal (18 – 20 mL/dL)
CaO2 entre 18 e 20 mL/dL: a quantidade total de oxigênio transportada no sangue arterial está dentro da faixa esperada.
Valores de referência
Normal: 18 – 20 mL/dL. O conteúdo venoso de referência é de 13 a 16 mL/dL, e a diferença arteriovenosa, de 4 a 5,5 mL/dL.
Fonte: Knobel.
Referência
- Elias Knobel, Adalberto Stape, Eduardo Juan Troster, Alice D’Agostini Deutsch – Terapia Intensiva: Pediatria e Neonatologia – Atheneu, p. 851 e 853 — fórmula e faixa…
Oxigenação · Gravidade (IO e OSI)

Disponível no NeoFast
IO = FiO₂ × 100 × MAP ÷ PaO₂
OSI = FiO₂ × 100 × MAP ÷ SpO₂
SpO₂ pré-ductal · IO ≈ 2 × OSI (SpO₂ 70–99%)
Exemplo: MAP 12, FiO₂ 0,6, SpO₂ 90% → OSI 8 → IO ≈ 16
| IO | Cortes publicados |
|---|---|
| > 15 | Comprometimento respiratório grave |
| > 25 | Considerar ECMO |
| ≥ 40 | Historicamente ~80% de mortalidade; critério de ECMO |
Tela do aplicativo
Índice de Saturação de Oxigênio – OSI
Fórmula: OSI = (MAP × FiO2 × 100) ÷ SpO2
Link: Calcular a Pressão Média de Via Aérea
Sobre o OSI
O Índice de Saturação de Oxigênio é uma versão não invasiva do Índice de Oxigenação (OI).
- MAP (cmH2O): 12
- FiO2: 0,6 — Valores entre 0,21 e 1,00, onde 1,00 equivale a 100% e 0,40, a 40%, por exemplo.
- SpO2 (%): 90 — Informe um valor inteiro entre 1 e 100, como 94 para uma saturação de 94%.
8 — Índice de saturação de oxigênio
Limiar diagnóstico atingido (5 – 12)
OSI de 5 ou mais atinge o limiar diagnóstico da definição PARDS 2.0 em ventilação invasiva. Abaixo de 12, a gravidade é classificada como leve a moderada.
Correlação com o Índice de Oxigenação…
Gradiente A–a: compare com a mesma FiO₂

OXIGENAÇÃO · GRADIENTE
Gradiente A–a: compare com a mesma FiO₂
✓ Disponível no NeoFast
AaDO₂ = [(713 × FiO₂) – (PaCO₂ ÷ 0,8)] – PaO₂
mmHg · ao nível do mar
Exemplo: FiO₂ 0,6, PaCO₂ 50, PaO₂ 60 → AaDO₂ ≈ 305 mmHg
- Normal no recém-nascido: < 50 mmHg. Em ar ambiente, 20–40 mmHg podem persistir por dias.
- A AaDO₂ sobe de forma imprevisível com o aumento da FiO₂: para acompanhar a evolução, compare medidas com a mesma FiO₂.
- A hipoxemia é, na maioria das vezes, distúrbio V/Q ou shunt (HPPN, atelectasia).
Diferença Alveolar-Arterial de Oxigênio – AaDO2 (tela do app)
Σ FÓRMULA
AaDO2 = [(713 × FiO2) – (PaCO2 ÷ 0,8)] – PaO2
Sobre a AaDO2
Avalia a eficiência pulmonar por meio da diferença entre a pressão alveolar e a pressão arterial de oxigênio.
Condição para o cálculo
Esta equação é utilizada para o cálculo à beira do leito considerando a pressão barométrica ao nível do mar.
- FiO2: 0,6 — Valores entre 0,21 e 1,00, onde 0,21 equivale a 21% e 1,00, a 100%.
- PaCO2 (mmHg): 50
- PaO2 (mmHg): 60
305,3 mmHg
Diferença alveolar-arterial de oxigênio
Caso à beira do leito · Parte 1

CASO À BEIRA DO LEITO · PARTE 1
Prematuro de 28 semanas, 3º dia, ventilação convencional
Amostra arterial do CAU, sem bolhas, processada imediatamente.
| pH | PaCO₂ | HCO₃⁻ |
|---|---|---|
| 7,22 | 58 | 23 |
| Na⁺ | Cl⁻ | Lactato |
| 138 | 106 | 1,4 |
Passo 1 · pH
7,22 → acidemia.
Passo 2 · O CO₂ explica?
pH esperado = 7,40 – (58 – 40) × 0,006 = 7,29.
O medido, 7,22, está 0,07 abaixo (além de ± 0,03) → há também uma acidose metabólica.
Caso à beira do leito · Parte 2

CASO À BEIRA DO LEITO · PARTE 2
Juntando tudo
Passo 4 · Compensação esperada
Acidose respiratória aguda: o HCO₃⁻ deveria subir ~1 a cada 10 mmHg → esperado ≈ 25,8.
O medido, 23, está abaixo → confirma a acidose metabólica associada.
Passo 5 · Anion gap
138 – (106+23) = 9 mEq/L → dentro da faixa neonatal (4–12): acidose com AG normal. Lactato de 1,4 é normal.
Conclusão
Acidose mista: respiratória aguda + metabólica com AG normal.
Revise a ventilação (Vc, frequência, espaço morto) e investigue perda de bicarbonato, comum no rim do prematuro extremo. Considere acetato na NP antes de pensar em bicarbonato.
Dar bicarbonato aqui geraria mais CO₂ em um RN que já não consegue eliminá-lo.
Checklist à beira do leito

SALVE PARA O PRÓXIMO PLANTÃO
Checklist à beira do leito
- 0 · A amostra é confiável: bolhas, diluição, atraso, capilar, HbF, temperatura.
- 1 · pH: acidemia ou alcalemia?
- 2 · PaCO₂: o pH esperado bate dentro de ± 0,03?
- 3 · HCO₃⁻, BE e lactato: mesmo analisador, mesmo método.
- 4 · Compensação esperada: Winters, regra da alcalose, aguda vs. crônica.
- 5 · Anion gap neonatal (4–12) e oxigenação: CaO₂, IO/OSI, AaDO₂.
O NeoFast coloca essas fórmulas à beira do leito, em segundos, com faixas neonatais e referências em todas as telas.
Menu principal do app (tela)
- Hidratação Venosa
- Medicação Contínua
- Medicamentos
- Intubação
- Outros cálculos e escores
- Procedimentos
- Monitorização respiratória e hemodinâmica
- Crescimento e Desenvolvimento
Outros cálculos e escores (tela)
- Valores de referência — Laboratório, sinais vitais e medidas por idade
- Bioquímica e eletrólitos — Sódio, água livre, bicarbonato e osmolalidade
- Equilíbrio ácido-base — Compensações e anion gap
- Balanço hídrico — Entradas, saídas e diurese
Recentes:
- Déficit de bicarbonato
- Escore de Apgar — 1º e 5º minutos
- Fórmula de Winters — Compensação do PCO2 esperado na acidose metabólica
- Osmolalidade plasmática
- Profundidade de inserção do tubo traqueal
GET IT ON Google Play · Download on the App Store
Conteúdo educativo. Não substitui o julgamento clínico.
Perguntas frequentes
Qual é a faixa normal do anion gap em recém-nascidos?
A faixa neonatal normal do anion gap é de 4 a 12 mEq/L (8 ± 4), obtida de recém-nascidos graves na 1ª semana de vida; valores acima de 16 em acidose metabólica sugerem acidose lática, e entre 8 e 16 o AG não diferencia as causas.
Como calcular a pCO₂ esperada pela fórmula de Winters?
A fórmula de Winters é pCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 (± 2) mmHg. Por exemplo, com HCO₃⁻ de 12, a pCO₂ esperada é 26 mmHg (faixa de 24–28). Se a pCO₂ medida estiver acima da faixa, há acidose respiratória associada; se abaixo, há alcalose respiratória associada.
Como saber se a PaCO₂ explica todo o pH medido na gasometria?
Na hipercapnia, o pH esperado = 7,40 − (PaCO₂ − 40) × 0,006; na hipocapnia, pH esperado = 7,40 + (40 − PaCO₂) × 0,01. Se o pH medido diferir mais de ± 0,03 do pH esperado, há necessariamente um distúrbio metabólico associado, independentemente do HCO₃⁻ ou BE.
O bicarbonato de sódio deve ser usado rotineiramente na acidose metabólica neonatal?
Não. O bicarbonato não é para uso rotineiro e não é mais recomendado na RCP. Pode ser prejudicial na hipóxia com acidose metabólica; nesses casos deve-se tratar a causa e restaurar a oferta de O₂. Quando indicado, a dose é HCO₃⁻ (mEq) = déficit de base × peso (kg) × 0,3, infundido lentamente em 30–60 min ou a 1 mEq/kg/h.
Quais armadilhas pré-analíticas mais afetam a gasometria neonatal?
As principais são: bolhas de ar (reduzem PaCO₂ e levam PaO₂ a ~150 mmHg), diluição com soro (reduz PaCO₂ e aumenta o déficit de base, simulando acidose metabólica + alcalose respiratória), atraso no processamento (PaCO₂ sobe após 20 min) e lactato não processado em até 15 min (aumenta falsamente).

