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Convulsão Refratária e Hipotonia: EHI ou Algo Mais Oculto? — Caso de Hiperinsulinismo Congênito

Principais pontos

  • Um lactente a termo com convulsões refratárias, letargia e hipotonia foi inicialmente rotulado como encefalopatia hipóxico-isquêmica devido ao parto a fórceps e depressão ao nascer, mas a causa real era hiperinsulinismo congênito.
  • As pistas que não se encaixavam na asfixia incluíam necessidade de TIG acima de 15 mg/kg/min para manter euglicemia, ganho de peso de +54 g/dia sob infusão contínua de glicose e cetonúria negativa em plena hipoglicemia.
  • O diagnóstico foi confirmado por 11 amostras pareadas de glicose e insulina, com relação Insulina:Glicose variando de 0,65 a 3,08 no intervalo total — valores acima de 0,4 já confirmam hiperinsulinismo.
  • O diagnóstico final foi Hiperinsulinismo Congênito – Hipoglicemia Hiperinsulinêmica Persistente da Infância (PHHI), forma difusa, tratado com pancreatectomia quase total no 34º dia de vida.
  • Aos 3 anos de idade, o paciente apresentou neurodesenvolvimento completamente normal, confirmando que nunca houve asfixia perinatal primária.

Referências

  • Challenging Cases in Neonatology (AAP)

Convulsão refratária e hipotonia: EHI — ou algo mais oculto?

Capa do caso clínico de neonatologia comparando o rótulo inicial de lesão cerebral com a causa real pancreática, ilustrada por um cérebro, um pâncreas e vasos sanguíneos.

CASO CLÍNICO Nº 13 · NEONATOLOGIA

Convulsão refratária e hipotonia: EHI — ou algo mais oculto?

Caso real do Challenging Cases in Neonatology (AAP) que engana até equipes experientes.

  • O rótulo: cérebro (encefalopatia hipóxico-isquêmica)
  • VS
  • A causa real: pâncreas / vasos sanguíneos

A apresentação

Página descrevendo a apresentação clínica de um recém-nascido com convulsões refratárias, hipotonia e cianose, com uma pasta carimbada 'case closed' representando o diagnóstico inicial encerrado.

A APRESENTAÇÃO

Dia 5 de vida, transferido de outro serviço.

Lactente a termo, parto a fórceps, que só chorou 1 hora após o nascimento. Chega letárgico e hipotônico, com cianose de lábios e extremidades e convulsões tônico-clônicas generalizadas — refratárias aos anticonvulsivantes habituais.

O rótulo inicial

“Lesão cerebral hipóxica — provável asfixia perinatal (EHI).”

O parto instrumentado e a depressão ao nascer fecharam o diagnóstico na cabeça da equipe anterior.

Caso encerrado?

As pistas ocultas

Página listando três achados clínicos incompatíveis com asfixia perinatal: alta necessidade de TIG, ganho de peso acelerado e cetonúria negativa, sugerindo hiperinsulinismo.

AS PISTAS OCULTAS

O que não se encaixava na “asfixia”?

  • > 15 mg/kg/min de TIG para manter a euglicemia e hipoglicemia de volta a cada tentativa de desmame.
  • +54 g de ganho de peso por dia sob infusão contínua de glicose. Anabolismo acelerado.
  • Ø Cetonúria negativa em plena hipoglicemia. Sem cetose de jejum.

Hipoglicemia + anabolismo + zero cetose = alguém está secretando insulina demais.

O diagnóstico

Página apresentando os resultados laboratoriais da relação insulina:glicose confirmando hiperinsulinismo congênito, com destaque para o desfecho neurológico normal aos 3 anos.

O DIAGNÓSTICO

A amostra crítica

Colhida exatamente no momento da hipoglicemia: glicose e insulina dosadas juntas, em 11 amostras.

Relação Insulina : Glicose
acima de 0,4 já confirma hiperinsulinismo

0,65 – 3,08

Variações do intervalo do total de amostras. Falha de Supressão Fisiológica

Diagnóstico: Hiperinsulinismo Congênito – Hipoglicemia Hiperinsulinêmica Persistente da Infância (PHHI), forma difusa.

Aos 3 anos: neurodesenvolvimento completamente normal.

Nunca houve asfixia primária.

Neofast no plantão

Página mostrando a conduta terapêutica com pancreatectomia e a interface do aplicativo Neofast para cálculo de hidratação venosa neonatal, incluindo TIG e oferta hídrica.

NEOFAST NO PLANTÃO

Enquanto isso, no plantão…

A cura veio com a pancreatectomia quase total no 34º dia de vida. Até lá, a euglicemia dependeu de infusões concentradas de glicose sob controle hídrico rigoroso — recalculadas a cada intercorrência.

Calcular TIG altíssima e fluido restrito de cabeça, sob estresse, às 3h da manhã?

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  • Peso 3,66 kg
  • TIG alvo
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Diluições complexas e vazões calculadas em segundos – precisão à beira-leito, sem aritmética mental sob pressão.

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  • Peso (Kg)
  • TIG/VIG (mg/kg/min) — Taxa de infusão de glicose. Recomendação: 5-7 mg/kg/min e em casos de hipoglicemia 5-8 mg/kg/min (máx. 12mg/kg/min).
  • Volume total a ser administrado (mL/…) — Recomendação: 1º dia 60-80 mL/kg/dia para RNT e aumentar em 10-20 mL/kg diariamente até 120-160 mL/kg. Para RNPT olhar informações adicionais.
  • NaCl 20% (mEq/kg) — Preencher valor maior ou igual a zero. Recomendação: a partir do 2º dia de vida de 2-3 mEq/kg/dia.
  • GluCa10% (mEq/kg) — Preencher valor maior ou igual a zero. Recomendação: 2mEq/kg/dia.
  • KCl 10%, KCl 15%, KCl 19,1%, KCl 20%
  • KCl (mEq/kg) — Preencher valor maior ou igual a zero. Recomendação: a partir do 2º dia de vida de 1-2 mEq/kg/dia se diurese bem estabelecida.
  • Sem aminoácido, Aminoácido 4%, Aminoácido 5,3%, Aminoácido 8%, Aminoácido 10%, Aminoácido 15%

Tempo é neurônio

Página final com um cronômetro e fundo de neurônios ilustrando a mensagem de que a rapidez e precisão no cálculo evitam lesão cerebral, com os logos das lojas de aplicativos Neofast.

Tempo é neurônio.

Na hipoglicemia neonatal, precisão e velocidade no cálculo evitam lesão cerebral permanente e irreversível.

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Perguntas frequentes

Qual relação Insulina:Glicose confirma hiperinsulinismo congênito?

Uma relação Insulina:Glicose acima de 0,4 já confirma hiperinsulinismo. No caso descrito, os valores variaram de 0,65 a 3,08 nas 11 amostras colhidas durante a hipoglicemia.

Quais sinais clínicos sugeriram hiperinsulinismo em vez de encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI)?

Os sinais que não se encaixavam na asfixia foram a necessidade de TIG acima de 15 mg/kg/min para manter euglicemia com hipoglicemia recorrente a cada desmame, ganho de peso de +54 g/dia sob infusão contínua de glicose (anabolismo acelerado) e cetonúria negativa em plena hipoglicemia (ausência de cetose de jejum).

Qual foi o diagnóstico final do caso e como foi tratado?

O diagnóstico foi Hiperinsulinismo Congênito – Hipoglicemia Hiperinsulinêmica Persistente da Infância (PHHI), forma difusa. O tratamento definitivo foi a pancreatectomia quase total, realizada no 34º dia de vida; até então, a euglicemia foi mantida com infusões concentradas de glicose sob controle hídrico rigoroso.

Qual foi o desfecho neurológico do paciente após o tratamento?

Aos 3 anos de idade, o paciente apresentou neurodesenvolvimento completamente normal, confirmando que nunca houve asfixia perinatal primária, apesar do rótulo inicial de encefalopatia hipóxico-isquêmica.

Por que a combinação de hipoglicemia, anabolismo e ausência de cetose sugere hiperinsulinismo?

Segundo o texto, hipoglicemia associada a anabolismo acelerado e zero cetose indica que alguém está secretando insulina em excesso, pois a insulina suprime a lipólise e a cetogênese que normalmente ocorreriam durante o jejum hipoglicêmico.

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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