Principais pontos
- A osteopenia da prematuridade (doença metabólica óssea) é sugerida por fosfatase alcalina sérica acima de 500 UI/L com fosfato sérico abaixo de 4,5 mg/dL a partir da 2ª semana pós-natal.
- Os de maior risco têm menos de 32 semanas ou menos de 1500 g, sobretudo com nutrição parenteral prolongada, diuréticos ou corticoides.
- A prevenção baseia-se em nutrição enteral fortificada com relação Ca:P de 1,7:1 e vitamina D 400–800 UI/dia, além de triagem semanal de FA e fosfato.
Doença Óssea Metabólica – Osteopenia da prematuridade

Doença Óssea Metabólica
Osteopenia da prematuridade
Fonte Diretiva:
Neonatal Guidelines 2025-28. The Bedside Clinical Guidelines Partnership in association with the West Midlands Perinatal Network, NHS.
Secção: Metabolic Bone Disease, pp. 272-273.
Definição Clínica e A Lacuna de Mineralização

Definição Clínica:
Mineralização óssea reduzida devido à deficiência de Fósforo (PO4), Cálcio (Ca) ou Vitamina D, em recém-nascidos prematuros.
- Osso Saudável
- Osteopenia
A Lacuna de Mineralização
- Demanda Intrauterina: Alta taxa de acúmulo mineral que o feto necessita no 3º trimestre.
- Realidade Pós-natal: Ingestão ou absorção inadequada para suprir o rápido crescimento.
Alta Demanda vs. Baixa Oferta
A doença surge quando a oferta pós-natal não consegue espelhar o crescimento acelerado que ocorreria in utero.
Matriz de Fatores de Risco e Espectro Clínico

Matriz de Fatores de Risco
- Fatores do Paciente
- Gestação < 32 semanas
- Peso ao nascer < 1500g
- Sexo masculino
- Nutrição
- Atraso no início da via enteral
- Fórmulas com baixo teor mineral (Leite materno não fortificado)
- Nutrição Parenteral (NP) prolongada (> 2 semanas)
- Comorbidades
- Doença Pulmonar Crônica (DPC)
- Icterícia colestática
- Síndrome do intestino curto
- Iatrogenia & Cuidados
- Uso crônico de diuréticos, esteroides ou bicarbonato de sódio
- Falta de estímulo mecânico (sedação/paralisia)
Espectro Clínico: Do Silêncio à Fratura
- 0 a 6 semanas: A Fase Silenciosa
- Maioria dos bebês é assintomática.
- Exame físico normal.
- 6 a 12 semanas: A Fase Aguda
- Baixo ganho de peso.
- Respiratório: Dificuldade de extubação (alta complacência da parede torácica).
- Esquelético: Craniotabes (amolecimento do crânio), dor ao manuseio, fraturas com trauma mínimo.
- Longo Prazo: Consequências
- Dolicocenfalia marcada (crânio longo e estreito).
- Redução do crescimento linear.
O Protocolo de Prevenção e Painel de Biomarcadores

O Protocolo de Prevenção (Primeira Linha de Defesa)
- Nutrição Parenteral (NP): NP precoce com conteúdo de Ca e PO4 otimizado.
- Nutrição Enteral:
- Alimentação precoce com leite fortificado ou fórmula para prematuros (>= 140 mL/kg/dia).
- Alvo de Ingestão: Ca (3-5 mmol/kg/dia) e PO4 (2.2-3.7 mmol/kg/dia).
- Proporção Ideal: Ca:PO4 de 1.3:1 a 1.4:1 (evita hiperparatireoidismo secundário).
- Suplementação: Vitamina D: Ingestão diária de 400 a 700 UI/kg/dia.
- Cuidado Desenvolvimental: Uso de contenções (deep boundaries) para promover carga óssea mecânica ativa.
Painel de Biomarcadores: O Que Procurar
- Fosfato (PO4)
Alvo Clínico: < 1,8 mmol/L
Baixa especificidade (50%) se analisado isoladamente. Suplementar PO4 de rotina apenas com base nisso pode piorar a doença (hiperparatireoidismo). - Fosfatase Alcalina (FAL)
Alvo Clínico: > 900 UI/L
A combinação de PO4 < 1,8 + FAL > 900 oferece 100% de sensibilidade e 70% de especificidade para baixa densidade óssea.
O Paradoxo do Cálcio: Os níveis séricos de Cálcio (Ca) podem permanecer normais até fases tardias, apesar das severas perdas ósseas.
Avaliação Secundária: Urina e Imagem

Avaliação Secundária: Urina e Imagem
- Reabsorção Tubular de Fosfato (RTP)
Regra de Ouro: RTP > 95% indica ingestão inadequada de fosfato.
A Fórmula:
[1 – ((PO4 urina / Cr urina) * (Cr plasma / PO4 plasma))] × 100 - Avaliação Radiológica
Sinais Críticos: Baixa densidade, afinamento cortical, elevação periosteal, fraturas.
Nota: DEXA ou ultrassom quantitativo podem avaliar a densidade mineral.
O Gatilho Diagnóstico: Quando Agir

O Gatilho Diagnóstico: Quando Agir
- Para bebês de alto risco com >= 1 semana de nutrição enteral total (>= 140 mL/kg/dia de leite fortificado).
- Testar Ca, PO4 e FAL a partir da 3ª semana de vida.
- Os níveis atingem o limite crítico?
FAL > 800 UI/L (ou > 600 em ascensão) E PO4 < 1,8 mmol/L. - 1. Verificar se a oferta de Ca/PO4 no leite/NP está adequada.
2. Solicitar PTH e Vitamina D nos próximos exames.
O Ramo do PTH: Decifrando a Deficiência

O Ramo do PTH: Decifrando a Deficiência
| PTH Elevado | PTH Normal ou Baixo |
|---|---|
| Diagnóstico Provável: Deficiência de Ca / Vitamina D. | Diagnóstico Provável: Deficiência de PO4. |
Ações Imediatas:
| Ações Imediatas:
|
Regras Terapêuticas & Sinais de Alerta

Regras Terapêuticas & Sinais de Alerta
- Nunca Misture Ca e PO4
Risco de precipitação imediata. Nunca administre simultaneamente. Não administre esses suplementos junto com o leite materno/fórmula. - Risco Intestinal
A suplementação isolada de Cálcio pode causar obstrução intestinal e hipercalcinose. Vigie a relação Ca/Cr urinária (Alerta se > 0,6 indica hipercalciuria). - Fator Zinco
Em bebês com dificuldade de ganho de peso e doença óssea significativa, sempre considere outras deficiências subjacentes, como a de Zinco.
Cadência de Monitoramento & Alta

Frequência Baseada na FAL
- ⚠️ FAL > 1000 UI/L: Repetir Ca/PO4/FAL e PTH em 1 semana.
- ⚠️ FAL 600-1000 UI/L: Repetir exames em 2 semanas.
- ⚡ FAL < 600 UI/L: Repetir a cada 2 semanas até o termo.
- 🩹 (Monitorar Vitamina D mensalmente se em suplementação extra).
Critérios de Interrupção
- Vitamina D: Suspender extra quando Vit D e PTH normalizarem.
- Cálcio: Ajustar dose pela calcemia; suspender apenas quando PTH normalizar.
- Fosfato: Ajustar baseado na FAL e PO4 sérico.
✅ ALTA CLÍNICA: Índices bioquímicos normais + cura radiográfica (geralmente alcançados na idade gestacional corrigida do termo).

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Perguntas frequentes
Como se diagnostica a doença metabólica óssea da prematuridade?
Por marcadores bioquímicos — FA acima de 500 UI/L e fosfato abaixo de 4,5 mg/dL (2ª semana pós-natal) — apoiados por imagem como DXA ou radiografia.
Quais prematuros têm maior risco?
Os com menos de 32 semanas ou menos de 1500 g, especialmente com doença pulmonar crônica, colestase, síndrome do intestino curto ou nutrição parenteral além de 2 semanas.
Qual relação Ca:P e dose de vitamina D são recomendadas?
Relação cálcio:fosfato de 1,7:1 com vitamina D 400–800 UI/dia.


