Principais pontos
- Na HFOV a fase expiratória é ativa (pistão/diafragma aspira o gás) e o controle de CO2 se faz pela amplitude (ΔP) e frequência (Hz), enquanto na HFJV a expiração é passiva e depende da retração elástica pulmonar.
- A HFOV é indicada principalmente para doença alveolar homogênea/desrecrutamento difuso (ex.: SDR), enquanto a HFJV é preferida em síndromes de escape de ar (PIE, pneumotórax) e doenças heterogêneas/obstrutivas como a SAM.
- Na estratégia de pulmão aberto em HFOV, a MAP é titulada em incrementos de 1-2 cmH2O a cada 2-5 min, e após determinar a pressão de fechamento (com FiO2 ≤0,30), fixa-se a MAP final 1 a 2 cmH2O acima dessa pressão.
- Na Hérnia Diafragmática Congênita recomenda-se ‘ventilação gentil’, com MAP em HFOV raramente acima de 16-17 cmH2O e alvo radiológico de 8,5 a 9 arcos costais posteriores, tolerando hipercapnia (PaCO2 45-65 mmHg) na HFJV.
- Na DBP grave/crônica utiliza-se estratégia especial com volume corrente elevado (6,0 a 12,0 mL/kg), PEEP elevada (8,0 a 14,0 cmH2O), tempo inspiratório prolongado (0,5 a 1,0 s) e frequência respiratória baixa (11 a 30 ipm) para permitir tempo expiratório longo.
Referências
- Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate (7th Edition, 2022) – Capítulo 24: High-Frequency Ventilation (Martin Keszler, J. Jane Pillow & Sherry E. Courtney).
- Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate (7th Edition, 2022) – Capítulo 25: Mechanical Ventilation: Disease-Specific Strategies (Bradley A. Yoder & Peter H. Grubb).
- Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate (7th Edition).
Ventilação Neonatal

VENTILAÇÃO NEONATAL
Modos Ventilatórios e Manejo Específico
Referências Bibliográficas:
- Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate (7th Edition, 2022):
- Capítulo 24: High-Frequency Ventilation (Martin Keszler, J. Jane Pillow & Sherry E. Courtney).
- Capítulo 25: Mechanical Ventilation: Disease-Specific Strategies (Bradley A. Yoder & Peter H. Grubb).
Diferenças Fundamentais: HFOV vs. HFJV

Ventilação de Alta Frequência Neonatal
| Característica | HFOV (Oscilatória de Alta Frequência) | HFJV (A Jato de Alta Frequência) |
|---|---|---|
| Mecanismo de Ação | Oscilações senoidais contínuas por pistão ou diafragma em torno de uma MAP constante. | Pulsos de gás em alta velocidade injetados na via aérea superior (adaptador TET dedicado). |
| Fase Expiratória | ATIVA: Pistão/diafragma aspira o gás ativamente na expiração. | PASSIVA: Depende da retração elástica natural dos pulmões e caixa torácica. |
| Frequência & Ti | 3 a 15 Hz (180 a 900 cpm). Relação I:E habitual de 1:2 (33% Ti). | 4 a 11 Hz (240 a 660 cpm, padrão ~420 cpm). Ti curto (0,02 s / 20 ms); Relação I:E de 1:4.8 a 1:12. |
| Controle de CO2 & O2 | O2: MAP e FiO2. CO2: Amplitude (ΔP) e Frequência (Hz). | O2: PEEP (do ventilador tandem) e FiO2. CO2: Pressão de Pico/Servo e Frequência (cpm). |
| Equipamento Auxiliar | Aparelho HFOV dedicado único. | Requer ventilador convencional em tandem para fornecer a PEEP/MAP e respirações de suporte. |
| Indicação Principal | Doença alveolar homogênea / desrecrutamento pulmonar difuso (ex.: SDR). | Síndromes de escape de ar (PIE, pneumotórax) e doença heterogênea/obstrutiva (ex.: SAM). |
Estratégias de Proteção Pulmonar em VAF

Ventilação de Alta Frequência Neonatal
1. Estratégia de Pulmão Aberto (HFOV)
- Alvo: Recrutamento alveolar mantendo volume pulmonar ótimo acima da capacidade residual funcional sem superdistensão.
- Titulação Incremental da MAP: Aumenta-se a MAP em 1-2 cmH2O a cada 2-5 min enquanto se reduz a FiO2 à medida que a SpO2 melhora.
- Determinação da Pressão de Fechamento: Com FiO2 baixa (≤0,30), reduz-se a MAP gradualmente até haver desrecrutamento (queda da SpO2).
- Definição da MAP Ideal: Re-recruta-se o pulmão e fixa-se a MAP final 1 a 2 cmH2O ACIMA da pressão de fechamento.
- Benefício: Minimiza atelectrauma e volutrauma em doenças alveolares colapsáveis (SDR).
2. Estratégia de Baixa PEEP / Escape de Ar (HFJV)
- Alvo: Ventilar o parênquima com baixas pressões de pico sem agravar lesões de escape de ar (PIE, pneumotórax, fístulas broncopleurais).
- Manutenção de PEEP Mais Baixa: PEEP de fundo mantida em níveis moderados/baixos (4–6 cmH2O) para não superdistender o espaço intersticial.
- Tempo Inspiratório Extremamente Curto (0,02 s): Minimiza a pressão média nas vias aéreas distais e maximiza o tempo de esvaziamento expiratório.
- Relação I:E Prolongada (até 1:12): Permite a descompressão das bolhas de enfisema intersticial e cicatrização das vias aéreas.
- Benefício: Resolução de PIE e pneumotórax enquanto mantém a eliminação eficaz de CO2.
Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR)

Ventilação Neonatal
FISIOPATOLOGIA:
Deficiência de surfactante, imaturidade alveolar, atraso no clearance de fluido pulmonar fetal e complacência reduzida, gerando atelectasia difusa e alteração V/Q.
| Modo Ventilatório | Peso < 1000 g | Peso 1000 – 2000 g | Peso > 2000 g | Ajustes / Alvos |
|---|---|---|---|---|
| HFOV (MAP Inicial) | 8 – 10 cmH2O | 10 – 12 cmH2O | 11 – 13 cmH2O | Titular MAP +1 a 2 cmH2O acima da pressão de fechamento. |
| HFOV (Amplitude ΔP) | 18 – 22 cmH2O | 20 – 25 cmH2O | 22 – 28 cmH2O | Ajustar ΔP para oscilação torácica visível suave (chest wiggle). |
| HFOV (Frequência & I:E) | 12 – 15 Hz | I:E 1:2 | 10 – 12 Hz | I:E 1:2 | 8 – 10 Hz | I:E 1:2 | Manter I:E em 1:2 (33% Ti). Reduzir Hz se PaCO2 mantiver-se elevada. |
| SIMV-VG (Convencional) | Vt 4,0–6,0 mL/kg PEEP 5–6 cmH2O | Vt 4,0–6,0 mL/kg PEEP 5–6 cmH2O | Vt 4,0–6,0 mL/kg PEEP 5–6 cmH2O | FR 30–50 ipm, Ti 0,30–0,35 s. Extubação precoce para CPAP/NIV. |
Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM)

Ventilação Neonatal
FISIOPATOLOGIA:
Obstrução de vias aéreas (mecanismo de válvula e aprisionamento aéreo), inativação do surfactante, pneumonite química e vasoconstrição arterial (HPPRN).
| Modo Ventilatório | Predomínio Obstrutivo (Aprisionamento) | Predomínio Alveolar (Perda Volume) | Associação com HPPRN |
|---|---|---|---|
| HFJV (Ventilação a Jato) | Frequência 240 – 360 cpm. Ti curto (0,02 s). PEEP moderada (4 – 5 cmH2O). Minimiza aprisionamento aéreo. | Aumentar PEEP conforme necessário para insuflação de 8,5 a 9 arcos costais. | Manter PaO2 e SpO2 adequadas; Considerar iNO se iOS > 15–20. |
| HFOV (Oscilatório) | Usar frequências mais BAIXAS (6 Hz). MAP menor (evitar hiperdistensão). Tempo expiratório relativo longo. | MAP mais elevada para recrutamento pulmonar de volume alveolar. | Mesmo alvo de oxigenação; Alvo de expansão radiológica: 8,5–9 arcos. |
| SIMV-VG (Convencional) | Vt 5,0 – 6,0 mL/kg. PEEP baixa (4 – 5 cmH2O). FR 30 – 40 ipm | Ti 0,35 s. | Vt 5,0 – 6,0 mL/kg. PEEP mais alta (5 – 8 cmH2O). Recrutamento de volume. | Sedação/analgesia adequadas; Evitar alcalose grave contínua. |
Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) & Hipoplasia

Ventilação Neonatal
FISIOPATOLOGIA:
Desenvolvimento alveolar e vascular comprometidos, hiper-reatividade vascular pulmonar e severa HPPRN. Exige ‘Ventilação Gentil’ para conter o volutrauma no pulmão hipoplásico.
| Parâmetro Ventilatório | HFOV (Alta Frequência Oscilatória) | HFJV (Ventilação a Jato) | SIMV-VG (Convencional) |
|---|---|---|---|
| Pressão Média / PEEP | MAP 12 – 17 cmH2O (Raramente > 16–17 cmH2O) | PEEP 6 – 10 cmH2O (Raramente > 10 cmH2O) | PEEP 4 – 6 cmH2O (Pico PIP max 25 cmH2O) |
| Amplitude / PIP / Vt | ΔP 24 – 35 cmH2O | PIP 25 – 35 cmH2O | Vt 4,0 – 5,5 mL/kg |
| Frequência & Ti | 8 – 10 Hz | I:E 1:2 | 360 – 420 cpm | Ti 0,02 s | FR 45 – 60 ipm | Ti 0,30–0,35 s |
| Alvos Clínicos & Radiológicos | Rx: 8,5 a 9 arcos costais posteriores. SpO2: >85% (1ª hora), pós: 88–98%. | Rx: Insuflação 8,5–9 arcos. PaCO2: 45–65 mmHg (Hipercapnia). | Evitar superdistensão no pulmão contralateral normal. |
Displasia Broncopulmonar (DBP) Grave / Crônica

Ventilação Neonatal
FISIOPATOLOGIA:
Resistência de vias aéreas elevada, heterogeneidade marcante de constantes de tempo, áreas de traqueobroncomalácia e hiperdistensão/atelectasia alternadas.
DBP Leve a Moderada
- Volume Corrente (Vt): 5,0 a 8,0 mL/kg.
- PEEP: 5,0 a 8,0 cmH2O (para manter capacidade residual).
- Tempo Inspiratório (Ti): 0,35 a 0,45 s.
- Frequência Respiratória: 20 a 40 ipm.
- Objetivo: Suporte progressivo até desmame para ventilação não invasiva (VNI/CPAP).
DBP Grave / Crônica (Estratégia Especial)
- Volume Corrente (Vt): ELEVADO (6,0 a 12,0 mL/kg). (Pode necessitar 2–3 mL/kg de espaço morto adicionado).
- PEEP ELEVADA: 8,0 a 14,0 cmH2O para manter vias aéreas malácicas abertas e prevenir aprisionamento.
- Tempo Inspiratório (Ti) PROLONGADO: 0,5 a 1,0 s.
- Frequência Respiratória BAIXA: 11 a 30 ipm para permitir tempo expiratório longo.
- Alvos: SpO2 92–98% | PaCO2 50–65 mmHg.
Protocolo de Exames e Monitorização Diagnóstica

Ventilação de Alta Frequência Neonatal
1. Gasometria Arterial & Monitorização Transcutânea
- Gasometria (ABG): Avaliação periódica de PaCO2, PaO2 e pH.
- Monitorização Transcutânea (tcPCO2 e SpO2): Fundamentais para ajustes contínuos, pois pequenas mudanças na amplitude geram grandes variações na pCO2.
2. Radiografia de Tórax (Rx de Tórax)
- Grau de Insuflação: Avaliar a expansão direcionada ao ALVO IDEAL de 8,5 a 9 arcos costais posteriores do lado direito.
- Posição do Tubo Endotraqueal: Carina T2-T3 (crítico na HFJV para evitar ventilação seletiva).
3. Ecocardiograma Beira de Leito
- Avaliação Hemodinâmica: Monitorar o impacto da MAP no retorno venoso e débito cardíaco.
- Hipertensão Pulmonar: Diagnóstico e seguimento de HPPRN, shunts e disfunção ventricular direita.
4. Tomografia de Impedância Elétrica (TIE)
- Monitorização Contínua não invasiva da ventilação regional.
- Auxilia na titulação da MAP em tempo real durante manobras de recrutamento alveolar na HFOV.
Segurança do Recém-Nascido e o Aplicativo NeoFast

“O fator mais importante associado ao manejo seguro e bem-sucedido do recém-nascido é a pessoa que opera o ventilador, e não o aparelho em si.”
— Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate (7th Edition).
“Nosso maior objetivo é garantir a segurança do recém-nascido”
— Família NeoFast.
Funcionalidades do Aplicativo NeoFast
- Hidratação Venosa
- Medicação Contínua
- Medicamentos
- Intubação
- Outros cálculos e escores
- Procedimentos
- Monitorização respiratória e hemodinâmica
- Crescimento e Desenvolvimento
Disponível para download na App Store e no Google Play.
Perguntas frequentes
Qual a principal diferença entre HFOV e HFJV na fase expiratória?
Na HFOV a fase expiratória é ATIVA, com o pistão ou diafragma aspirando ativamente o gás durante a expiração. Na HFJV a fase expiratória é PASSIVA, dependendo da retração elástica natural dos pulmões e da caixa torácica.
Quais são as indicações principais de HFOV versus HFJV?
A HFOV é indicada para doença alveolar homogênea/desrecrutamento pulmonar difuso, como na SDR. A HFJV é indicada para síndromes de escape de ar (PIE, pneumotórax) e doença heterogênea/obstrutiva, como na SAM.
Como titular a MAP na estratégia de pulmão aberto em HFOV?
Aumenta-se a MAP em 1-2 cmH2O a cada 2-5 minutos enquanto se reduz a FiO2 conforme a SpO2 melhora. Com FiO2 baixa (≤0,30), reduz-se gradualmente a MAP até haver desrecrutamento (queda da SpO2), determinando a pressão de fechamento; a MAP final é fixada 1 a 2 cmH2O acima dessa pressão de fechamento.
Quais parâmetros de HFOV são recomendados para SDR em recém-nascidos com peso menor que 1000 g?
Para peso menor que 1000 g com SDR, recomenda-se MAP inicial de 8-10 cmH2O, amplitude (ΔP) de 18-22 cmH2O e frequência de 12-15 Hz com relação I:E de 1:2, ajustando o ΔP para obter oscilação torácica visível suave e reduzindo a frequência se a PaCO2 permanecer elevada.
Qual a estratégia ventilatória especial para DBP grave/crônica?
Utiliza-se volume corrente elevado (6,0 a 12,0 mL/kg, podendo necessitar 2-3 mL/kg de espaço morto adicionado), PEEP elevada (8,0 a 14,0 cmH2O) para manter vias aéreas malácicas abertas, tempo inspiratório prolongado (0,5 a 1,0 s) e frequência respiratória baixa (11 a 30 ipm) para permitir tempo expiratório longo, com alvos de SpO2 92-98% e PaCO2 50-65 mmHg.

