Ventilação Mecânica Neonatal: Estratégias por Patologia

Principais pontos

  • O Índice de Oxigenação (IO) é calculado pela fórmula IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2; valores entre 15 e 25 indicam considerar óxido nítrico inalatório (iNO), e IO ≥ 40 indica ECMO.
  • Na Displasia Broncopulmonar (DBP) grave crônica recomenda-se ciclos grandes, lentos e longos: VC de 6–12 mL/kg, PEEP de 8–10 cmH₂O (podendo chegar a 14 cmH₂O em malácia, com cautela), Ti de 0,5–1,0 s e FR de 15–30 ipm.
  • Cerca de 90% dos bebês que atingiram os critérios de prontidão foram extubados em até 24 horas, e protocolos de desmame reduziram em 40% os dias de ventilação no programa de qualidade dos autores.
  • Na Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM), a ventilação deve ser gentil e individualizada, com tempo expiratório prolongado quando há aprisionamento aéreo, pois a fisiopatologia é heterogênea (aprisionamento aéreo + atelectasia + hipertensão pulmonar).
  • Hipercapnia permissiva é frequentemente tolerada na Hérnia Diafragmática Congênita (CDH) e na SAM, com PaCO2 de 45 a 65 mmHg na CDH e de 50 a 65 mmHg na DBP grave, desde que o pH permaneça acima de 7,20–7,25.

Referências

  • Yoder BA, Grubb PH. Mechanical Ventilation: Disease-Specific Strategies. In: Keszler M, Gautham KS, eds. Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate: An Evidence-Based Approach to Newborn Respiratory Care. 7th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Capítulo 25, p. 288–302.
  • Yoder BA, Grubb PH. In: Keszler M, Gautham KS, eds. Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7th ed. Elsevier; 2022. Cap. 25.

Ventilação Mecânica Neonatal

Capa do infográfico sobre ventilação mecânica neonatal mostrando um celular com a tela do app NeoFast listando patologias respiratórias neonatais.

Um APP. Cinco doenças. Zero folhear de páginas às 3 da manhã.

Estratégias de ventilação por doença, resumidas no NeoFast.

  • SDR
  • SAM
  • CDH
  • DBP
  • HPPN

Tela do app: Estratégias por patologia – SDR · SAM · CDH · DBP · HPPN

  • Ver parâmetros iniciais por modo
  • Síndrome do Desconforto Respiratório Neonatal
  • Síndrome de Aspiração de Mecônio — Ventilação gentil, com tempo expiratório prolongado.
  • Bronquiolite
  • Hérnia Diafragmática Congênita
  • Prematuros extremos (22 a 24 semanas)
  • Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido
  • Doença Pulmonar Crônica (Displasia Broncopulmonar)
  • Desmame e extubação

Navegação no app NeoFast

Duas telas do app NeoFast mostrando o menu principal com o módulo de Monitorização respiratória e hemodinâmica e a tela de busca com opções de metas clínicas, parâmetros iniciais de ventilação, estratégias por patologia e desmame e extubação.

Não é o ventilador que faz a diferença. É você.

Menu principal do app com módulos:

  • Hidratação Venosa
  • Medicação Contínua
  • Medicamentos
  • Intubação
  • Outros cálculos e escores
  • Procedimentos
  • Monitorização respiratória e hemodinâmica
  • Crescimento e Desenvolvimento

Dentro de Monitorização respiratória e hemodinâmica:

  • Metas clínicas e monitorização — PaO2 · SpO2 · pH · PaCO2 · IO
  • Parâmetros iniciais de ventilação — Por modo ventilatório
  • Estratégias por patologia — SDR · SAM · CDH · DBP · HPPN
  • Desmame e extubação — Prontidão · TRE · VNI · falha

Recentes:

  • Conteúdo Arterial de Oxigênio (CaO2)
  • Diferença Alveolar-Arterial de Oxigênio (AaDO2)
  • Índice de Oxigenação (IO / OI)
  • Índice de Saturação de Oxigênio (OSI)
  • Tensão Arterial Média

Fisiopatologia e objetivo da ventilação por doença

Tabela comparando o problema dominante e o objetivo da ventilação em SDR, SAM, CDH/hipoplasia pulmonar, DBP grave crônica e HPPN.

Ventile a fisiopatologia, não o rótulo do diagnóstico.

Identifique primeiro o problema dominante — ele muda, então reavalie com frequência.

DoençaProblema dominanteObjetivo da ventilação
SDRDoença alveolar difusa, deficiência de surfactante, microatelectasiasRecrutar e manter o pulmão aberto, sem hiperdistensão
SAMHeterogênea: aprisionamento aéreo + atelectasia + hipertensão pulmonarIndividualizar; tempo expiratório longo se houver aprisionamento
CDH / hipoplasia pulmonarPulmão pequeno, leito vascular pulmonar anormal

DBP – Abordagem por gravidade

Tabela comparando parâmetros ventilatórios entre DBP leve/moderada e grave crônica, incluindo VC, PEEP, Ti, FR, SpO2 e PaCO2.

DBP grave: ciclos grandes, lentos e longos.

Leve / moderadaGrave crônica
VC mL/kg5–86–12 (↑ espaço morto)
PEEP cmH₂OEm geral 6–8, para otimizar a insuflaçãoEm geral 8–10 como “stent” das grandes vias aéreas
Ti s0,35–0,450,5–1,0 para vencer a resistência
FR ipm20–40, conforme o esforço15–30 para expiração completa
SpO₂92–98%92–98%
PaCO₂ mmHg45–6050–60

Por que VC maior? Menos superfície de troca, espaço morto alveolar, traqueomegalia adquirida e vazamento.

Malácia: os autores já usaram PEEP de até 14 cmH₂O, com cautela pela hiperinsuflação regional.

Desmame começa no primeiro dia

Infográfico sobre protocolos de desmame ventilatório com estatísticas de extubação e tabela de limiares de extubação por peso em HFOV e PC-SIMV.

Protocolos tiram bebês do ventilador.

~90% dos bebês que atingiram os critérios foram extubados em até 24 h

−40% dias de ventilação no programa de qualidade dos autores

Limiares para extubação pelo peso atual (via aérea estável, apneia mínima):

<1000 g1000–2000 g2000–3000 g>3000 g
HFOV · FiO₂ <0,40
Paw89–1010–1212
ΔP16182022
PC-SIMV ou SIMV + VG, com PSV
PIP<1616–2020—
PEEP<6<7<8—
OutrosPS <6–8 · FiO₂ <0,40 · FR 16–20 ipm · VC 4–5 mL/kg (VG)

Agora imagine tudo isso… no seu bolso, à beira do leito.

Três capturas de tela do aplicativo NeoFast mostrando menu de monitorização respiratória e hemodinâmica, metas clínicas por doença e parâmetros iniciais por modo ventilatório.
  • Tudo num só lugar — menu de Monitorização respiratória e hemodinâmica com busca, Metas clínicas e monitorização (PaO2 · SpO2 · pH · PaCO2 · IO), Parâmetros iniciais de ventilação por modo ventilatório, Estratégias por patologia (SDR · SAM · CDH · DBP · HPPN), Desmame e extubação (Prontidão · TRE · VNI · falha), e itens recentes: Conteúdo Arterial de Oxigênio (CaO2), Diferença Alveolar-Arterial de Oxigênio (AaDO2), Índice de Oxigenação (IO/OI), Índice de Saturação de Oxigênio (OSI), Tensão Arterial Média.
  • Metas por doença — Metas de oxigenação e ventilação: PaO2 (SDR) 50 a 70 mmHg; SpO2 (SDR) 90 a 94%; pH 7,25 a 7,40; PaCO2 (SDR) 35 a 45 mmHg; PaCO2 (SAM) 45 a 55 mmHg.
    • SpO2 por patologia, segundo Goldsmith: SAM e HPPN 92 a 98%; DBP leve a moderada 92 a 95%; DBP grave 92 a 98%; CDH pré-ductal acima de 85% na primeira hora, depois 88 a 98%.
    • Hipercapnia permissiva: PaCO2 46 a 60 mmHg, frequentemente tolerada na Hérnia Diafragmática Congênita e na Síndrome de Aspiração de Mecônio, para minimizar lesão pulmonar.
    • Hipercapnia permissiva, segundo Goldsmith: PaCO2 45 a 55 mmHg ou mais, desde que o pH permaneça acima de 7,20 a 7,25; CDH 45 a 65 mmHg; DBP grave 50 a 65 mmHg, aceitando acidose respiratória compensada.
    • Padronizar as metas de CO2 evita a inércia de manter o bebê em suporte alto só para alcançar gasometria normal, e é um dos facilitadores do desmame.
    • Índice de Oxigenação (IO): Fórmula IO = (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2; IO entre 15 e 25 considerar óxido nítrico inalatório (iNO); IO ≥ 40 indicação de ECMO.
  • Parâmetros por modo — Suporte respiratório não invasivo: CPAP nasal, Cânula nasal de alto fluxo, Ventilação nasal intermitente de pressão positiva.
    • Ventilação mecânica invasiva: PCV — Ventilação por pressão controlada; VCV — Ventilação por volume controlado; SIMV, A/C e PSV — modos de disparo (Como o ventilador responde ao esforço do bebê, segundo Goldsmith); VG/VTV — Volume garantido; NAVA — Assistência ventilatória ajustada neuralmente; HFJV — Ventilação de alta frequência por jato (Expiração passiva. Resgate em extravasamento de ar e doença obstrutiva); HFOV — Ventilação oscilatória de alta frequência (Expiração ativa. Insuficiência respiratória grave refratária); HFOV e HFJV — como escolher (Expiração ativa contra passiva, segundo Goldsmith); Desmame e extubação.

Agora imagine tudo isso… no seu bolso, à beira do leito.

Lista de recursos do aplicativo e tela do menu de desmame e extubação com tópicos como princípios do desmame, teste de respiração espontânea e critérios de prontidão.
  • ✓ Estratégias por patologia: SDR, SAM, CDH, DBP, HPPN
  • ✓ Metas clínicas: SpO₂, PaCO₂, pH, IO
  • ✓ Parâmetros iniciais: do CPAP ao HFJV e NAVA
  • ✓ Desmame e extubação: prontidão, TRE, falha

Desmame e extubação

  • Princípios do desmame
  • Como se desmama em cada modo
  • Desmame em volume garantido
  • Hipercapnia permissiva no desmame
  • Critérios de prontidão para extubação
  • Teste de respiração espontânea (TRE)
  • Fármacos como ponte para a extubação
  • Suporte não invasivo pós-extubação
  • Escalonamento e reintubação
  • Quando a extubação falha
  • Ver estratégias por patologia

Ventile com confiança

Página final promovendo o download do aplicativo NeoFast com menu de funcionalidades e botões de download para App Store e Google Play.

MENOS BUSCA. MAIS CUIDADO.

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Conteúdo educativo. Os parâmetros são pontos de partida sugeridos no capítulo citado; individualize sempre para o paciente e siga os protocolos da sua unidade. Fonte: Yoder BA, Grubb PH. In: Keszler M, Gautham KS, eds. Goldsmith’s Assisted Ventilation of the Neonate. 7th ed. Elsevier; 2022. Cap. 25.

Perguntas frequentes

Quais são os limiares de peso para extubação e seus parâmetros ventilatórios correspondentes?

Os limiares são definidos por peso atual (via aérea estável, apneia mínima): <1000 g, 1000–2000 g, 2000–3000 g e >3000 g. Em HFOV com FiO2 <0,40: Paw de 8, 9–10, 10–12 e 12 respectivamente; ΔP de 16, 18, 20 e 22. Em PC-SIMV/SIMV+VG com PSV: PIP <16, 16–20, 20 (sem valor para >3000 g); PEEP <6, <7, <8 (sem valor para >3000 g). Outros parâmetros incluem PS <6–8, FiO2 <0,40, FR 16–20 ipm e VC 4–5 mL/kg (com volume garantido).

Qual é o objetivo da ventilação na Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR)?

Na SDR, o problema dominante é doença alveolar difusa com deficiência de surfactante e microatelectasias. O objetivo da ventilação é recrutar e manter o pulmão aberto, sem causar hiperdistensão.

Quais são as metas de SpO2 e PaCO2 por patologia segundo Goldsmith?

Segundo Goldsmith, as metas de SpO2 são: SAM e HPPN 92–98%; DBP leve a moderada 92–95%; DBP grave 92–98%; CDH pré-ductal acima de 85% na primeira hora, depois 88–98%. Para PaCO2 na SDR: 35–45 mmHg; na SAM: 45–55 mmHg. A hipercapnia permissiva (PaCO2 45–55 mmHg ou mais) é aceita desde que o pH fique acima de 7,20–7,25, sendo 45–65 mmHg na CDH e 50–65 mmHg na DBP grave.

Por que o volume corrente (VC) é maior na DBP grave crônica?

Na DBP grave crônica, usa-se VC maior (6–12 mL/kg) devido à menor superfície de troca gasosa, ao aumento do espaço morto alveolar, à traqueomegalia adquirida e ao vazamento de ar, fatores que exigem volumes mais altos para compensar essas alterações.

Quando considerar óxido nítrico inalatório ou ECMO com base no Índice de Oxigenação?

Com base no Índice de Oxigenação (IO), calculado como (MAP × FiO2 × 100) ÷ PaO2, valores entre 15 e 25 indicam que se deve considerar óxido nítrico inalatório (iNO), enquanto um IO ≥ 40 é indicação de ECMO.

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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