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Reanimação do Recém-Nascido ≥ 34 Semanas em Sala de Parto: Algoritmo Clínico Cronológico (Diretrizes SBP 2026)

Lançamento – Diretrizes 2026 de Reanimação Neonatal

Capa do infográfico sobre o Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal, lançamento das Diretrizes 2026, com título Reanimação do Recém-Nascido ≥ 34 Semanas em Sala de Parto e linha do tempo clínica iniciando no nascimento (00:00).

Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal

Lançamento – Diretrizes 2026 de Reanimação Neonatal

Reanimação do Recém-Nascido ≥ 34 Semanas em Sala de Parto

O Algoritmo Clínico Cronológico (Diretrizes SBP 2026)

  • Golden Clinical Timeline — Preparation/Post-Event
  • 00:00 — NASCIMENTO

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal (PRN-SBP)

O Problema e a Solução

Infográfico apresentando estatísticas globais e nacionais de mortalidade neonatal por asfixia perinatal e destacando a importância de profissional treinado e protocolo temporal rigoroso na sala de parto.

O Problema

  • 2 Milhões — Mortes neonatais globais anualmente.
  • 20% — Óbitos neonatais precoces no Brasil ligados à asfixia perinatal.
  • 3 Bebês por dia — Mortes de RN > 2500g no Brasil devido à asfixia.

A Solução

ON — 1 profissional treinado na sala de parto reduz a mortalidade neonatal precoce em 22%.

A reanimação não é intuição; é um protocolo temporal rigoroso.

Riscos e Briefing Checklist

Infográfico listando fatores de risco maternos e fetais para asfixia perinatal e um checklist de briefing pré-parto com itens sobre equipe, liderança, ambiente e equipamentos.

Riscos

Fatores Maternos
  • Idade <16 ou >35 anos
  • Obesidade
  • Síndromes hipertensivas
Fatores Fetais/Parto
  • Prematuridade (≥ 34 a < 37 sem)
  • Cesárea
  • Líquido amniótico meconial
  • Padrão anormal da FC fetal

O Briefing Checklist

  • Equipe: Mín. 1 treinado para baixo risco. Alto risco: 2-3 profissionais (1 pediatra apto a intubar).
  • Liderança: Quem é o líder? (Comunicação em alça fechada).
  • Ambiente: Temperatura da sala rigorosamente entre 23-25°C.
  • Equipamentos: Testados e montados para uso imediato.

Avaliação da Vitalidade ao Nascimento

Fluxograma da avaliação da vitalidade neonatal ao nascimento (00:00), dividindo condutas entre boa vitalidade e vitalidade ruim, incluindo clampeamento do cordão e explicação hemodinâmica.

Golden Clinical Timeline — 00:00 (Nascimento)

Avaliação da Vitalidade

Respirando/chorando + tônus em flexão?

BOA Vitalidade
  • Contato pele a pele
  • Respirou? / Tônus em flexão?
  • Clampeamento ≥ 60 segundos
Vitalidade RUIM
  • Estímulo tátil no dorso (~15s)
  • Não respirou/Hipotônico?
  • Ordenha de cordão
  • Clampeamento Imediato (<30s) → Mesa de Reanimação

Hemodinâmica: O clampeamento tardio permite transfusão de até 25% do volume placentário, mas a respiração deve iniciar ANTES do clampeamento para evitar queda aguda no débito cardíaco.

O Minuto de Ouro (00:00-00:60)

Infográfico em formato de relógio detalhando as ações dos primeiros 60 segundos de vida do recém-nascido, divididas em estabilização (0-30s) e avaliação (30-60s), com alertas críticos sobre VPP e aspiração.

Golden Clinical Timeline — 00:00 – 00:60 (O Minuto de Ouro)

0-30s — Estabilização
  • Prover calor (Normotermia alvo: 36,5 – 37,5°C). Secar e colocar touca.
  • Posicionar a cabeça em leve extensão.
  • NÃO aspirar de rotina. Apenas se houver excesso de secreções (Mesmo com mecônio).
30-60s — Avaliação
  • Avaliar Respiração e Frequência Cardíaca (Auscultar precordial por 6s x 10).

AÇÃO CRÍTICA: Se FC < 100 bpm ou apneia → INICIAR VPP. O risco de morte aumenta 16% a cada 30s de atraso.

  • A temperatura corporal à admissão na unidade neonatal é forte preditor de morbidade e mortalidade em TODAS as idades gestacionais, sendo considerada um indicador da qualidade do atendimento.
  • A aspiração de boca e narina só está indicada se há suspeita de obstrução de vias aéreas por excesso de secreções. Se o RN >= 34 semanas continua em apneia ou em respiração irregular e/ou FC < 100, iniciar VPP.
  • A laringoscopia direta IMEDIATA e a aspiração traqueal de rotina (mesmo nos casos de líquido meconial) não devem ser realizadas, pois não modificam o prognóstico e podem atrasar o início da VPP.

Avaliação Contínua (01:00+)

Infográfico sobre monitorização contínua do recém-nascido após o primeiro minuto, com foco na frequência cardíaca como indicador principal, posicionamento do monitor cardíaco e tabela de metas de saturação de oxigênio (SpO2) por minuto.

Golden Clinical Timeline — 01:00+ (Avaliação Contínua)

O Condutor Principal: FC

>100 BPM

A FC é o indicador mais sensível da eficácia da reanimação. Iniciar com auscultar precordial; instalar Monitor Cardíaco (3 eletrodos) imediatamente se necessitar de VPP.

Posicionamento dos eletrodos

Ilustração indicando posições incorretas nos braços e correta no tórax/abdome do recém-nascido.

O Alvo Móvel: SpO2
Tempo (min)SpO2 (%)
265-70%
370-75%
475-80%
580-85%
10 (Target Zone)85-95%

Monitoração contínua dita a titulação do Oxigênio. Sensor SEMPRE no pulso radial direito (pré-ductal).

Suporte Respiratório (VPP)

Infográfico detalhando o início da ventilação com pressão positiva (VPP) no recém-nascido, incluindo indicações, indicador de sucesso, diagrama de abertura pulmonar e parâmetros de oxigênio, ritmo e pressão.

Golden Clinical Timeline — Suporte Respiratório (VPP)

Após os cuidados para manter a temperatura e as vias aéreas pérvias, se o RN apresenta apneia ou respiração irregular e/ou FC < 100bpm, iniciar VPP nos primeiros 60 segundos após o nascimento (“Minuto ouro”).

Indicador absoluto de sucesso: Elevação rápida da Frequência Cardíaca em 15 a 30 segundos.

A VPP é a intervenção mais crítica e efetiva na reanimação.

A VPP abre a glote fechada e clareia o líquido pulmonar, provocando a queda da resistência vascular.

Oxigênio Inicial

21% (Ar Ambiente) — Nunca iniciar com O2 a 100% em recém-nascidos ≥ 34 semanas.

Ritmo

30 a 60 respirações por minuto.

Pressão

PIP 20-30 cmH2O | PEEP 5 cmH2O — Iniciar com PIP de 20-30 cmH2O e PEEP de 5 cmH2O.

Suporte Respiratório (VPP) — Equipamentos

Infográfico com matriz de decisão sobre equipamentos para ventilação com pressão positiva, destacando o Ventilador Mecânico Manual (VMM-Peça-T) como padrão ouro, com diagrama de montagem do circuito de gás e blender.

Golden Clinical Timeline — Suporte Respiratório (VPP)

Matriz de Decisão: Equipamentos para VPP
Ventilador Mecânico Manual (VMM-Peça-T) — Padrão Ouro / SBP & ILCOR

Vantagens:

  • Garante PIP consistente e PEEP precisa (vital para transição pulmonar alveolar), permite titulação exata de O2 via blender.

Desvantagens:

  • Requer montagem de circuito complexo e fonte de gás contínua (10 L/min).

Ritmo Prático: Ocluuui / Solta / Solta

Diagrama de montagem
  • Entrada do gás (~10L/min) → Blender
  • Pressão do circuito (manômetro central)
  • Liberação da pressão máxima
  • Controle da pressão inspiratória
  • Ajuste o PEEP
  • Saída do gás

Matriz de Decisão: Equipamentos para VPP

Infográfico comparando o balão autoinflável para ventilação com pressão positiva neonatal, mostrando suas vantagens, desvantagens e um diagrama detalhado de seus componentes.

Matriz de Decisão: Equipamentos para VPP

Balão Autoinflável

Vantagens:

  • Independe de fonte de gás ou eletricidade. Essencial como contingência e transporte.

Desvantagens:

  • Pressão inspiratória variável, não fornece PEEP confiável, titulação de O2 imprecisa.

Ritmo Prático: Aperta / Solta / Solta

Componentes do Balão Autoinflável

  • Fonte de O2 (L/minuto)
  • Reservatório aberto de O2
  • Entrada de ar
  • Válvula de escape (30 a 40 cmH2O)
  • Entrada de O2
  • Balão de 240 mL
  • Máscara facial
  • Manômetro
  • Reservatório fechado de O2 (detalhe)

Matriz Comparativa: Interfaces de Via Aérea (≥ 34 semanas)

Infográfico comparando três interfaces de via aérea neonatal - máscara facial, máscara laríngea e cânula traqueal - com suas indicações, características e alertas.

Matriz Comparativa: Interfaces de Via Aérea (≥ 34 semanas)

Máscara Facial

Indicação: 1ª Linha

Alerta: Alto risco de escape perioral de ar (50-70%). Exige técnica perfeita de selamento em C-E. Risco de reflexo trigeminal-cardíaco se muita pressão na face.

Máscara LaríngeaCânula Traqueal
Indicação: Via de ResgateIndicação: Suporte Avançado / Pre-Massagem
Características: Ideal se VPP facial falha e intubação não é factível. Evita escape de ar. Rápida inserção (Tamanho 1 para 2-5 kg).Especificações: Cânula sem balonete (3.5 a 4.0 mm). Obrigatória a confirmação de posição com detector colorimétrico de CO2 exalado.

Correção da Técnica de VPP e Material para Intubação Traqueal

Infográfico mostrando o fluxo de correção da técnica de ventilação (MR SOPA) e uma tabela de materiais de intubação traqueal por idade gestacional e peso.

Cenário: Após 30s de VPP, a FC permanece < 100 bpm.

CORRIJA A TÉCNICA ANTES DE AUMENTAR O OXIGÊNIO!

  • AJUSTE: Readaptar a máscara à face delicadamente para evitar escapes.
  • POSIÇÃO: Reposicionar a cabeça em leve extensão.
  • SECREÇÃO: Aspirar a boca e depois o nariz.
  • ABERTURA: Ventilar com a boca do bebê levemente aberta.
  • PRESSÃO: Aumentar PIP em 5 cmH2O (até máximo de 40 cmH2O).

Se a falha persistir após os passos → Mudar para Máscara Laríngea ou Intubação.

Material para intubação traqueal de acordo com a idade gestacional e/ou peso estimado

Idade Gestacional (semanas)Peso estimado (g)Cânula traqueal (mm)Sonda traqueal (F)Lâmina reta (nº)
28 a 341000 a 20003,06 ou 80
35 a 382000 a 30003,581
> 38> 30003,5 ou 4,081

Profundidade da Inserção da Cânula Traqueal

Tabela com a profundidade de inserção da cânula traqueal marcada no lábio superior conforme idade gestacional e peso, acompanhada de fotos endoscópicas da anatomia das vias aéreas.

Profundida da inserção da cânula traqueal conforme idade gestacional e peso estimado

Idade Gestacional (semanas)Peso estimado (g)Marca no labio superior (cm)
33 a 341500 a 18007,5
35 a 371900 a 24008,0
38 a 402500 a 31008,5
40 a 433200 a 42009,0

Visualização da anatomia para intubação

Fotos endoscópicas mostrando a anatomia das vias aéreas superiores e da laringe/glote utilizadas como referência para o procedimento de intubação.

Suporte Avançado: Massagem Cardíaca e Medicações

Infográfico detalhando a técnica dos dois polegares para massagem cardíaca neonatal, o ritmo de compressão-ventilação 3:1, e o preparo e via de administração de adrenalina e expansor de volume.

Gatilho: FC < 60 bpm após 30s de VPP efetiva via cânula traqueal com O2 a 100%.

Técnica dos Dois Polegares

Ponto: Terço inferior do sterno

Profundidade: 1/3 do diâmetro anteroposterior. Dedos circundam o tórax.

3:1 Rhythm Bar

  • Um (0s)
  • Dois (0.5s)
  • Três (1s)
  • Ventila (1.5s-2s)

Métrica Exata: 90 compressões + 30 ventilações = 120 eventos por minuto. Avaliar a FC apenas após 60 segundos de ciclo ininterrupto.


Gatilho: FC < 60 bpm após 60s de massagem cardíaca rigorosamente coordenada com VPP e O2 100%.

Adrenalina

Diluição: 1:10.000

DILUIÇÃO OBRIGATÓRIA: 1 mL Adrenalina (1 mg/mL) + 9 mL Soro Fisiológico (SF).

Intravascular: 0,02 mL/kg (rápido) seguido por flush de 3 mL de SF.

Via Endotraqueal (1,0 mL/kg) permitida apenas enquanto o acesso venoso é obtido. Uso único.

Medication Delivery Map

Cateter Umbilical (3.5F ou 5.0F), inserido 3-4 cm.

Expansor de Volume

Indicação: Choque hipovolêmico ou perda aguda de sangue (ex: descolamento de placenta).

10 mL/kg de Soro Fisiológico (lento, 5-10 minutos).

O Ciclo de Reanimação e Cuidados Pós-Evento

Diagrama circular mostrando a sinergia fisiológica entre VPP, massagem cardíaca e adrenalina na reanimação, seguido de um infográfico de cuidados pós-evento com transporte seguro, ética e debriefing clínico.

O Ciclo de Reanimação: Sinergia Fisiológica

  1. VPP (100% O2): Abre o leito pulmonar, preenche alvéolos com gás, e oxigena o sangue oriundo do coração direito. Sangue oxigenado viaja para o átrio esquerdo…
  2. Massagem Cardíaca: Comprime o coração contra a coluna, empurrando mecanicamente o sangue oxigenado para a aorta sistêmica. Sangue impulsionado durante a diástole para as coronárias…
  3. Adrenalina: Causa vasoconstrição periférica intensa, o que eleva drasticamente a pressão de perfusão coronariana.

O PRINCÍPIO MOTOR: Nenhuma compressão ou droga funcionará se a via aérea não estiver perfeitamente aberta e os pulmões aerados pela VPP.

Pós-Evento (Cuidados e Reflexão)

Transporte SeguroÉtica e CessaçãoDebriefing Clínico
Manter normotermia (34-35°C na incubadora de duplo teto). Manter normotermia rigorosa. Não transferir o neonato se a FC permanecer < 100 bpm. Garantir oximetria contínua e vias aéreas estabilizadas (coxim sob ombros).Apgar 0 aos 10 minutos é crítico, mas a sobrevida intacta ainda é possível (especialmente com hipotermia terapêutica). A decisão de interromper esforços deve ser avaliada após 20 minutos contínuos de assistolia, em conjunto com a família.Realize o debriefing