Caso Desafiador em Neonatologia: Cardiomiopatia Dilatada por ALCAPA

Principais pontos

  • ALCAPA (Bland-White-Garland) apresenta-se tipicamente entre 6 e 8 semanas de vida, quando a queda fisiológica da resistência vascular pulmonar (RVP) reverte o fluxo coronariano, causando a Síndrome do Roubo Coronariano e isquemia miocárdica progressiva.
  • O quadro clínico inicial de ALCAPA pode ser mascarado por sintomas comuns, como choro inconsolável durante as mamadas, sendo confundido com refluxo gastroesofágico ou cólica infantil.
  • O ECG na ALCAPA mostra padrão clássico de isquemia de parede lateral, com ondas Q profundas em D1, aVL e V4-V6, além de elevação do segmento ST e inversão de ondas T nas derivações ventriculares esquerdas.
  • A isquemia miocárdica na ALCAPA pode evoluir para infarto do músculo papilar com regurgitação mitral grave e disfunção ventricular esquerda severa, com fração de ejeção de 25% no caso relatado.
  • O tratamento definitivo da ALCAPA é a cirurgia de urgência com desinserção da artéria coronária esquerda anômala da artéria pulmonar e reimplante direto na raiz da aorta.

Referências

  • Brodsky D, Neu J (eds). Challenging Cases in Neonatology, American Academy of Pediatrics, 2018.

Caso desafiador em Neonatologia

Capa do caso clínico de neonatologia sobre choro inconsolável durante amamentações, com histórico do paciente e ilustração do sistema digestivo com um X vermelho.

Caso desafiador em Neonatologia

Choro inconsolável durante as amamentações

Histórico do Paciente

  • Perfil: Lactente de 5 semanas, sexo masculino. Ex-prematuro (29 semanas). Peso atual: 2 kg.
  • Nascimento: Síndrome do Desconforto Respiratório leve (CPAP por 48h).
  • Semanas 1-4: Alimentação via sucção exclusiva. Ganho ponderal inadequado.
  • Semana 5: Choro inconsolável e irritabilidade durante as mamadas.

Diagnóstico Presuntivo Inicial: Refluxo gastroesofágico ou cólica infantil.

Cardiomiopatia Dilatada por ALCAPA: discussão fisiopatológica e manejo na UTIN

Página com o título do caso sobre cardiomiopatia dilatada por ALCAPA e tabela de sinais vitais na apresentação na UTIN indicando choque cardiogênico.

Cardiomiopatia Dilatada por ALCAPA: discussão Fisiopatológica e Manejo na UTIN

Relato de Caso de Insuficiência Cardíaca Congestiva e Choque Cardiogênico

Apresentação na UTIN

Frequência Cardíaca:178 bpm (Taquicardia)
Frequência Respiratória:76 irpm (Taquipneia severa)
Pressão Arterial:56/28 mmHg (Hipotensão)
Perfusão:Tempo de enchimento capilar de 5 segundos, extremidades frias, pulsos débeis.
Ausculta:Ritmo de galope, sopro holossistólico 4/6 (irradiação axilar esquerda). Hepatomegalia (5 cm).

Conclusão Clínica: Choque Cardiogênico.

A Fisiopatologia de ALCAPA (Bland-White-Garland): O Roubo Coronariano

Gráfico da fisiopatologia da ALCAPA mostrando a queda da resistência vascular pulmonar ao longo do tempo, a cascata isquêmica e informações sobre diagnóstico por ECG e intervenção cirúrgica.

A Fisiopatologia de ALCAPA (Bland-White-Garland): O Roubo Coronariano

  • Fase 1 (Recém-nascido): Alta RVP = Fluxo Anterógrado. Sem isquemia.
  • Fase 2 (6 a 8 Semanas): Queda da RVP = Reversão do Fluxo. Síndrome do Roubo Coronariano.

Queda fisiológica da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao longo do Eixo do Tempo (0 a 8 Semanas).

A Cascata Isquêmica

  • Isquemia miocárdica progressiva.
  • Infarto do músculo papilar (Regurgitação Mitral grave).
  • Disfunção ventricular esquerda grave: FE = 25%.

Assinatura Eletrocardiográfica e Resolução Anatômica

Diagnóstico (ECG)

  • Padrão clássico de isquemia de parede lateral.
  • Ondas Q profundas evidentes nas derivações D1, aVL e V4-V6.
  • Elevação do segmento ST e inversão de ondas T nas derivações ventriculares esquerdas.

Intervenção Cirúrgica

  • Cirurgia de urgência: Revascularização definitiva.
  • Transposição anatômica: Desinserção da artéria coronária esquerda anômala da artéria pulmonar.
  • Reimplante direto na raiz da aorta.

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito – Dopamina

Tabela de fármacos e capturas de tela do aplicativo NeoFast mostrando o cálculo de infusão contínua de Dopamina para um paciente de 2 kg.

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito

Fármaco (Dose Alvo)Concentração da Ampola
Dopamina (10 mcg/kg/min)5 mg/mL
Milrinona (0,5 mcg/kg/min)1 mg/mL
Epinefrina (0,1 mcg/kg/min)*Solução 0,1 mg/mL

Infusion Preparation

Dopamina

Tela 1 – Medicação Contínua
  • EV contínuo
  • Concentração: 5mg/mL, 25mg/mL, 40mg/mL
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 10
  • Dose sugerida: 2 a 20mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,3
  • Gotejamento mínimo de 0,76 mL/h para dose 10mcg/kg/min para uma concentração adequada de até 1,6mg/mL
Tela 2 – Resultado
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 10
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,8
Dose5,8mL
Diluir com SF0,9%, SG5%, SG10%, RL13,4mL
Concentração final1,51mg/mL
Total nas 24h19,2mL

AJUSTE o gotejamento conforme a INDICAÇÃO do seu paciente e o volume mínimo para uma concentração adequada. O NeoFast garante o manejo adequado dos fluídos de acordo com a concentração ideal do medicamento.

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito – Milrinona

Tabela de fármacos e capturas de tela do aplicativo NeoFast mostrando o cálculo de infusão contínua de Milrinona em dose de manutenção para um paciente de 2 kg.

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito

Fármaco (Dose Alvo)Concentração da Ampola
Dopamina (10 mcg/kg/min)5 mg/mL
Milrinona (0,5 mcg/kg/min)1 mg/mL
Epinefrina (0,1 mcg/kg/min)*Solução 0,1 mg/mL

Infusion Preparation

Milrinona

Tela 1 – Medicação Contínua
  • EV contínuo
  • Concentração: 1mg/mL, 0,2mg/mL
  • Modo: Ataque / Manutenção (selecionado: Manutenção)
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,5
  • Dose sugerida de manutenção: 0,3 a 0,75mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,1
  • Gotejamento mínimo de 0,3 mL/h para dose 0,5mcg/kg/min para uma concentração adequada de até 200mcg/mL
Tela 2 – Resultado
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,5
  • Dose sugerida de manutenção: 0,3 a 0,75mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,3
Dose1,44mL
Diluir com SF0,9%, SG5%5,76mL
Concentração final200mcg/mL
Concentração final200mcg/mL
Total nas 24h7,2mL
IntervaloContínuo por 35h

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito – Epinefrina

Tabela de fármacos e capturas de tela do aplicativo NeoFast mostrando o cálculo de infusão contínua de Adrenalina (Epinefrina) para um paciente de 2 kg.

Manejo Clínico: O Protocolo NeoFast à Beira do Leito

Fármaco (Dose Alvo)Concentração da Ampola
Dopamina (10 mcg/kg/min)5 mg/mL
Milrinona (0,5 mcg/kg/min)1 mg/mL
Epinefrina (0,1 mcg/kg/min)*Solução 0,1 mg/mL

Infusion Preparation

Epinefrina

Tela 1 – Medicação Contínua
  • Adrenalina (Epinefrina)
  • EV contínuo
  • Concentração: 1mg/mL
  • Peso (Kg): 2
  • Dose desejada (mcg/kg/min): 0,1
  • Dose sugerida: 0,05 a 1mcg/kg/min
  • Gotejamento pretendido (mL/h): 0,2
Tela 2 – Resultado
Adrenalina (Epinefrina) EV contínuo – 1mg/mL
Dose0,29mL
Diluir com SF0,9%4,51mL
Concentração final0,06mg/mL
Total nas 24h4,8mL

Nota: a concentração final da infusão contínua é de até 100 mcg/mL (0,1 mg/mL).

Adrenalina dose intermitente

AJUSTE o gotejamento conforme a INDICAÇÃO do seu paciente e o volume mínimo para uma concentração adequada. O NeoFast garante o manejo adequado dos fluídos de acordo com a concentração ideal do medicamento.

Síntese: Da Falência Fisiológica à Segurança Sistêmica

Página final com síntese do caso clínico, desafio clínico, resposta operacional, logotipo NeoFast e botões de download nas lojas de aplicativos.

Síntese: Da Falência Fisiológica à Segurança Sistêmica

O Desafio Clínico

A fisiologia da ALCAPA demonstra como o choque cardiogênico pode se instalar insidiosamente, mascarado por sintomas comuns (cólica/refluxo). A rápida queda da RVP exige intervenção imediata e impecável, sem margem para atrasos.

A Resposta Operacional

Em cenários de alto estresse e colapso hemodinâmico, a carga cognitiva da equipe atinge o limite. O protocolo NeoFast elimina a necessidade de cálculos manuais complexos sob pressão, mitigando o risco de erros iatrogênicos.

A UTIN é um ambiente de profunda complexidade fisiológica. Nossas ferramentas de suporte à decisão clínica devem ser concebidas para garantir a máxima precisão, segurança e simplicidade operacional.

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Perguntas frequentes

Qual é a fisiopatologia da ALCAPA (Bland-White-Garland)?

Na fase 1 (recém-nascido), a alta resistência vascular pulmonar (RVP) mantém fluxo anterógrado sem isquemia. Na fase 2 (6 a 8 semanas), a queda fisiológica da RVP causa reversão do fluxo coronariano, gerando a Síndrome do Roubo Coronariano, isquemia miocárdica progressiva, infarto do músculo papilar com regurgitação mitral grave e disfunção ventricular esquerda severa (FE de 25% no caso descrito).

Como a ALCAPA pode se apresentar clinicamente em um lactente?

Pode se manifestar com choro inconsolável e irritabilidade durante as mamadas, ganho ponderal inadequado, sendo inicialmente confundida com refluxo gastroesofágico ou cólica infantil. Na evolução para choque cardiogênico, observam-se taquicardia (178 bpm), taquipneia severa (76 irpm), hipotensão (56/28 mmHg), tempo de enchimento capilar de 5 segundos, extremidades frias, pulsos débeis, ritmo de galope, sopro holossistólico 4/6 com irradiação axilar esquerda e hepatomegalia (5 cm).

Quais são os achados eletrocardiográficos característicos da ALCAPA?

O ECG mostra padrão clássico de isquemia de parede lateral, com ondas Q profundas evidentes nas derivações D1, aVL e V4-V6, além de elevação do segmento ST e inversão de ondas T nas derivações ventriculares esquerdas.

Qual é o tratamento definitivo para ALCAPA?

O tratamento é cirúrgico de urgência, consistindo na revascularização definitiva por meio da desinserção da artéria coronária esquerda anômala da artéria pulmonar e reimplante direto na raiz da aorta (transposição anatômica).

Quais são as doses-alvo de dopamina, milrinona e epinefrina usadas no manejo do choque cardiogênico neonatal descrito?

No protocolo NeoFast citado, a dopamina foi utilizada na dose alvo de 10 mcg/kg/min (ampola de 5 mg/mL), a milrinona na dose alvo de 0,5 mcg/kg/min (ampola de 1 mg/mL, dose sugerida de manutenção de 0,3 a 0,75 mcg/kg/min) e a epinefrina na dose alvo de 0,1 mcg/kg/min (solução de 0,1 mg/mL, dose sugerida de 0,05 a 1 mcg/kg/min).

Dra. Marcela M Marques
Escrito por
Neonatologista e intensivista pediátrica · CRM 12807/DF
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